3.11.15

poetas e verdades

Os poetas dizem muitas verdades e mentiras — todas metafóricas. Não creia nelas. Porque são todas inocentes. As mentiras, se tornam poemas de amor e nos ajudam a ver o mundo de modo mais bonito e mais romântico. Mas as verdades — as verdades viram borboletas, que depois desaparecem dançando na imaginação maravilhosa de quem as vê.

3 comentários:

Edson Marques disse...


As verdades do poeta não precisam se adequar à realidade dos fatos.

http://mude.blogspot.com.br/2015/11/poetas-e-verdades.html

É a vida...

Edson Marques disse...


Nesta madrugada feita de silêncio e de janelas vejo ali, sentado num canto da sala, meu arrependido pai, quieto e misterioso, com as mãos cruzadas sobre os joelhos e olhando pra mim. Ele me olha como se eu ainda existisse. Sei que veio buscar a oração que em sonho agora há pouco escrevi. Ofereço-lhe um copo de leite como se lhe desse uma flor, branca e fúnebre, mas ele faz um gesto delicado, recusando. Diz que tem pressa. Sempre foi assim, o coitado. E agora, mesmo depois de morto, vive apressado. Eu me levanto, estendo-lhe as mãos, dou-lhe o texto e um abraço. Ele chora em meus ombros e diz que se arrepende por nunca ter demonstrado o carinho profundo que sentia por seus filhos. E repete, soluçando e falecido: Iracy foi a única mulher que eu amei de verdade.

Acredito.

E choro também ao me lembrar da vida que lhe fugiu das mãos de repente. Ele me diz que precisa ir e se despede. Mas, antes que ele saia, peço-lhe que passe lá no sul do Paraná ainda hoje, e dê um abraço demorado em minha mãe. Diga-lhe que a distância deixa triste o coração do primogênito. Diga-lhe também, Pai, que todos os dias, pensando nela, escrevo poesias de amor em silêncio dentro de mim.

Então, sem que a porta precise se abrir, ele se vai.

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Escrito em 2001. Publicado inicialmente no blog Mude, e depois no livro Solidão Mil.

Edson Marques disse...


Teus labirintos
me esclarecem.

Percorro-os
bem devagarinho...

Amorosamente.

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