10.6.11

tristeza

TRISTEZA E DEPRESSÃO

Há um tema recorrente em certos meios. É a tristeza. Depois que a depressão virou moda, ser triste dá ibope. Não conheço essa dama desgraçada, mas muitas pessoas dizem que ela existe. Isso talvez dê origem a um texto mais refinado, ou alguma página do meu próximo livro
Teoria do Acaso. Pois pretendo escrever um relato das muitas pessoas que conheço e que não sentem tristeza. Dizem não senti-la, e o demonstram cabalmente com suas atitudes quotidianas e seu desprendido modo de vida. Não falarei de Diógenes, nem de Sócrates, nem dos filósofos cínicos todos, nem do Eike Batista, que são casos por demais conhecidos. Falarei de pessoas que conheço bem. Pessoas simples e amorosas. Pessoas comuns — ou talvez incomuns, pois não são tristes. Vou falar de Pernambuco, um garçom do Restaurante Panela Velha, no Guarujá, que me atende desde 1995. Conversamos muito, eu e ele e meus amores que vão lá comigo. Nunca fica triste. Nunca foi triste, diz ele — e eu creio. Também vou contar do pedreiro José e de sua casinha humilde, só dois cômodos e três talheres, onde certa vez passei um réveillon, dispensando jantar dos escritores no Terraço Itália. Falarei também do terno e sorridente Beto, o dono de um boteco, pequenino e maravilhoso, num bairro simples do Guarujá, onde vou sempre que possível, e na casa de quem comi a melhor caldeirada de toda minha vida. Devo ainda citar Antonio, um nordestino que hoje vende temperos numa barraquinha em Vicente de Carvalho, e que tem um astral olímpico. Conheço-o desde 1996, quando comprava bananas e alho descascado em sua quitandinha à beira de um córrego, nos confins do Guarujá. Nunca os vi tristes. Nenhum deles. E posso citar dezenas de outros, que conheço e conheço bem. Outro caso interessante é Joyce Ann. Moramos juntos por mais de cinco anos, eu e ela — e nunca a vi triste, um dia sequer. Minha mãe é outro exemplo significativo: nos dezessete anos que morei ao lado dela, na mesma casa, nunca a vi triste. Nem triste, nem braba, nem gritando. Só soube que chorou desesperada quando lhe disseram que o DOPS iria me buscar na USP. Em janeiro deste ano passei vinte e sete dias ao lado de minha mãe, penteando-lhe os cabelos, conversando sobre a vida, colocando-a pra dormir — e ela sempre alegre. Como se pode notar, tristeza é uma coisa que talvez exista, sim, por aí. Mas eu e ela nunca nos encontramos, felizmente. Felizmente pra nós dois.




Estou ainda escrevendo um breve artigo sobre a Depressão, que pretendo depois publicar também aqui. Nele eu defendo basicamente que tais diagnósticos são em geral muito apressados, e feitos quase sempre por psiquiatras, que optam por solucionar sintomas em vez das possíveis causas. Sou, em princípio, um defensor da
Psicanálise e da Antipsiquiatria. Sei que esse é um tema delicado, além de complexo. Terei cuidado em não ferir sucetibilidades, posto que um dos sintomas da depressão é justamente considerar como ofensa gravíssima qualquer proposta de soluções alternativas. Com essa recusa irracional, o depressivo fica num mato sem cachorro. Acaba desprezando toda uma linha de terapias mais modernas, e mergulha cada vez mais na Psiquiatria, tornando sua depressão uma doença incurável. Há inclusive fortes interesses econômicos em jogo. Rivotril é a segunda droga mais vendida no Brasil. Esse ansiolítico, entre outras coisas, causa anorgasmia — mas parece que tal possivel efeito colateral não é um fator muito preocupante entre seus usuários. Aliás, meus estudos também me levam a inferir a existência de algumas conexões entre (falta de) vida sexual e depressão.


Eis o que diz o Dr. Douglas C. Smith, psiquiatra da Universidade de Indiana (USA): "As drogas nunca corrigem os desequilíbrios. Elas nunca melhoram a mente. Elas terminam por aleijar o cérebro e por abafar os sentimentos de várias formas."
(Dê um click no item Antipsiquiatria acima.)




Veja aqui: DEPRESSÃO NÃO É DOENÇA - artigo do psicólogo Carlos Lopes Pires.

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Sempre que eu falo em depressão perco meia dúzia de leitores. Para quem só tem doze, é um desfalque. Mas hoje estou lendo A sociedade do Sintoma, de Éric Laurent. É um excelente livro, e quero compartilhar ao menos duas páginas. Dê um click na imagem.



5 comentários:

Anônimo disse...

Oi Edson
Bom dia!
estava lendo esse texto e que bom que você nunca entrou em contato com a tristeza.Eu estou nesse momento em contato com ela,concordo com você que o diagnostico de depressão é feito muito superficial,acho que tem uma diferença entre tristeza e depressão e esses medicamentos não tratam a tristeza. fui indicada a tomar um antidepressivo ate começei mas parei porque sei que depende muito de mim sair desse processo,e o remédio citado por você nossa se livrar dele é muito dificíl.mesmo fazendo uso por dois meses.estou tentando outros meios de trata,entos como terapia,reik,vou fazer yoga.tudo para conseguir me equilibrar ter uma mente tranquila e um corpo saúdavél.
bjs Alessandra

Edson Marques disse...

Aproveito para te apresentar:

Algumas Perguntas.

Nem precisa respondê-las...
Mas pense um pouco nesse assunto!

Lisa libanesa disse...

Poeta...admito que ultimamente estou um tanto quanto 'apagada'...
mas é claro que voltarei ao meu anormal....prefiro mil vezes...

Obrigada...poeta.
.
Bejão....
;

Lisa libanesa disse...

Poeta...admito que ultimamente estou um tanto quanto 'apagada'...
mas é claro que voltarei ao meu anormal....prefiro mil vezes...

Obrigada...poeta.
.
Bejão....
;

Bárbara disse...

Amado poeta, a depressão pode ser curada com reflexão e liberdade. É necessário querer olhar o passado de um jeito mais leve e amigável com a gente mesmo. É ter coragem de olhar pra si e se pegar no colo, não se sentir solitário e sorrir. Só não tem cura pra gente teimosa e fechada. Uns bobos.
Beijos e abraço apertado!