11.3.14

flores ingratas

As flores são mesmo ingratas: a gente as ganha para que sejam eternas, mas então elas desistem no meio do caminho. Murcham, secam, e depois morrem, assim sem mais, nem menos, "como se entre nós nunca tivesse havido... Vênus". E morrem talvez por desespero — talvez até por amor não respondido — antes que a gente mesmo as abandone, amorosamente, ao seu próprio perfume imortal que se acabou. As flores — quando colhidas — são mesmo ingratas...

Por isso, jamais eu colho essas flores que encontro nos jardins da minha vida. Quando vejo algumas, lindas, ofereço-as aos meus amores, delicadamente, mas deixo-as onde estão: no próprio caule da plantinha inocente que lhes deu origem. E então eu fico assim — distribuindo flores, todo dia, o dia todo...

3 comentários:

Edson Marques disse...


O poema do Leminski (sobre cuja ideia me inspirei para o texto de hoje) tem que ser lido às avessas...

Já fui visitar a minha Mãe, dei-lhe flores e carinhos, e já estou ouvindo passarinhos! Acho que agora farei um café. Depois, Vila Madalena, outra vez...
É a vida!

http://mude.blogspot.com.br/2014/03/flores-ingratas.html


Edson Marques disse...


http://www.youtube.com/watch?v=YNQParqv5RQ

Vi esse filme de madrugada. Miss Marple... (parte 11/15).


Edson Marques disse...


Não penso que te possuo, meu Amor — nem quero te pertencer. Não quero ser o dono exclusivo dos teus olhos, nem os meus eu te darei. Só quero mesmo é a luz tão amorosa e tão brilhante que nasce todo dia no teu doce olhar diamante. Até porque o que nos liga neste mundo é uma coisa muito boa e tão profunda, que se chama liberdade.