26.1.14

desesperando godot

Ontem à tarde, enquanto tomávamos vinho branco nos braços eternos de um amor passageiro, deitados eu e ela, a morena menina de lírio amarelo, ali no chão da sala, entre as esperanças derramadas no meu colo por Godot, tive um duplo insight: incorporei o insuperável Samuel Beckett — e comecei a falar... Por isso, com base nele e no seu personagem Malone, quero dizer o seguinte: O tempo que temos aqui na Terra é muito curto para que o percamos com outras coisas além de nós. Porque, vocês sabem, não se vive de verdade à espera de um Godot: é preciso que o busquemos dentro do nosso próprio peito, urgentemente, bem no fundo desse sonho delicioso e livre que agora sonhamos.

5 comentários:

Edson Marques disse...

Hoje em SP. Daqui a pouco vou ao Mosteiro de São Bento e depois almoçar por aí...

Mais tarde, sol.

É a vida.

Edson Marques disse...

Os amores passageiros deixam saudades. Os eternos, a gente esquece...

Edson Marques disse...

Se por acaso e por desastre eu vivo um dia de rotina, espremo à noite o meu coração como quem torce roupa, e não sai nada — nem uma palavra, nem uma gota, nem um pingo, nenhuma emoção. Tudo fica meio cinzento e meu corpo meio cansado só consegue dormir.

Mas quando eu vivo um dia de aventuras, vivo também uma noite de prazer escandaloso. As palavras caem delicadas no meu colo, excitantes, graciosas, uma tempestade de desejos e de mel se forma no meu peito, um livro todo escreveria se quisesse. Deus me abraça com doçura, o vinho branco cai do céu na minha boca, o universo inteiro entra em foco, meus amores se tornam girassóis, e a Vida me convida pra dançar...

E tudo que eu toco vira música.

Edson Marques disse...

Com as aventuras, minhas energias se acumulam.
No tédio — se dissipam...

sonia k. disse...

A vida é uma grande aventura a ser vivida em cada segundo toda sua plenitude.