21.8.13

deu certo

Se eu não mudasse, afundaria junto com as circunstâncias. Era preciso, portanto, que eu sumisse dali, que abandonasse tudo o que me envolvia. Tudo: o pai, a mãe, os irmãos, a família, os amigos, a escola, o dentista, o professor. O time, o futebol, as namoradas, minha vó, meus espetos de picanha. Eu tinha que abandonar tudo, inclusive minhas idéias, especialmente as preconcebidas. Os cobertores azuis, a pátria, a religião, e até mesmo o meu querido cavalo Estrela. Eu tinha quinze anos. E tinha que abandonar tudo. Meus lençóis de cetim, meu quarto, minha cama, meus livros, meu baralho, meus recortes de jornal e meu jogo de xadrez. Eu tinha que abandonar tudo — antes que chegasse a acomodação. Eu precisava me desligar daquele passado, urgentemente. Então, como não tinha presente, enchi meu peito de futuro e de coragem, de alegria e de relâmpagos — e mergulhei de cabeça na incerta e gloriosa correnteza da vida. Nas águas revoltas do coração do mundo.

Deu certo.

3 comentários:

Edson Marques disse...

Poderia ter sido diferente? Sim. Mas acho que não teria sido tão bom.

É a vida.

http://mude.blogspot.com.br/2013/08/deu-certo.html

Fernanda Miranda disse...

Muitas vezes o melhor caminho é mesmo esse, deixar tudo o que passou de lado, largar tudo aquilo a que nos acostumamos e correr atrás do que poderá vir :)

Francisco Dalsenter disse...

Verdade poeta. Se não mudamos, afundamos junto com as circunstâncias.
Por isso pulei de cabeça no abismo de todas as incertezas do mundo.
Estou adorando, pois antes de pular me certifiquei de retirar todas as correntes que me prendiam aos que ficaram. O salto deve ser solitário!

Um grande abraço!
Francisco Dalsenter