24.1.13

beto marques

João é um sujeito que anda na linha do trem. Adora ser normal. Guardou suas asas no armário do Medo. Mas, como chefe de família, é competente. E foi esse papel secundário que escolheu para mostrar que é um grande homem... Pois, como aventureiro, ele teria de ser fantástico para merecer elogios, posto que sobre ele cairiam certamente a ira divina e a reprovação social por deixar o tradicional e "seguro" caminho dos trilhos. Como chefe de família, entretanto, não lhe serão cobrados comportamentos extraordinários: basta que seja um bom marido e um bom pai. Basta que tenha um emprego fixo e um plano de saúde. Que use coleiras e não faça loucuras. E que não se extravie de forma alguma, nem chegue tarde em casa sem dar boas explicações... Como se pode notar — muito mais fácil do que ser livre.

Considero importante ler os comentários de hoje. Eles podem complementar ou justificar o texto acima.

8 comentários:

Edson Marques disse...

O texto de hoje foi publicado originalmente em 11.12.2008. Inspirado numa conversa que tive em Sorocaba com meu irmão Beto, sobre os vários modos bons de se viver a vida. Eu então lhe sugeri que vendesse uma das casas, comprasse um carro conversível, e fosse coçar o saco na Bahia por uns tempos. Ou em Santorini, tanto faz. Mas ele me disse não! Ele me disse que eu estava completamente errado, e que tínhamos que pensar no futuro — como se essa coisa chamada futuro realmente existisse. Quando vi que ele não conseguiria mesmo pensar com lógica, encerramos o assunto, tomamos o último gole, e eu voltei para o Guarujá, onde escrevi o texto acima.

E Beto continuou lá, cuidado rigorosamente do seu futuro...

Porém, acabou morrendo EXATAMENTE quatro anos depois, em 11.12.2012 — sem que o futuro lhe tenha chegado... Sem comprar o carro conversível, sem coçar o saco na Bahia, e sem conhecer Santorini.

Mas deixou várias casas, todas elas muito sólidas.

O link para o post de hoje é este:
http://mude.blogspot.com.br/2013/01/beto-marques.html

É a vida.
Ou não.

Edson Marques disse...

Minha vida é baseada em fatos reais!

PNJA.

Suzi disse...

Belo dia Edson!
O mesmo a todos.

Edson, Edson, Edson...

Você revolve a terra esturricada e pobre de nossas certezas... Areja tudo! Expõe à germinação até sementes, ocultamente fossilizadas, que vêm à superfície. Derrama outras.

Se farão? Talvez... Só isso que fazes, não considerando o depois, já é notável.

Cada qual que cuide de sua terra, sua lavoura e não idealize colheitas. Surpreenda-se com o que virá. É bem melhor assim.

Ou alguém aqui quer o Edson servindo fatias quentinhas de bolo de milho de sua própria lavoura?

Que plantemos a nossa. Quanto a mim, estou te aproveitando da melhor maneira possível. Mas te digo, carrego uma peneirona embaixo do braço. Prefiro.

Peneiro o Edson. Rs...

Certezas. Pensando com menos pressa, penso que não existe coisa mais anti-Edson do que certezas. Mesmo as dele.

Parece que faz um ano que não te vejo. Estranho...

Ainda bem que você voltou... Rs.

Vou comer agora uma gorda fatia de bolo de milho, e oferecê-la a você! Nem sei se gosta... enfim...

Beijo.

Ah! Com o indefectível café da terra, fresquinho, de perfume torturante...


sonia k. disse...

Triste a história do João. Não foi o mais fácil fazer o certinho dentro dos padrões estabelecidos. Mas, dentro de sua alma e compreensão, talvez mais confortável. Levei muito uma vida de João e de Beto. Não vou deixar casas sólidas, mas lutei muito por dar tranquilidade aos que me cercavam. E lamento profundamente não ter ido conhecer Santorini e fotografá-la a cores rs, não ter gozado de 15 dias em Paris com tudo pago, não ter parado de esperar o futuro. Hoje sei que o futuro é algo inatingível. Pelo menos o futuro que não se veja como o hoje. De repente, uma pedra no caminho e se rola ribanceira abaixo. Nesse rolar, às vezes, não resta nem vida pra se viver.
Descrença? Não creio. Só constatação.
Passa-se uma vida construindo castelo para outros. E se esquece que a vida é só uma grande surpresa. Hoje sim...amanhã quem sabe?

Então neste hoje, vamos comer o bolo quentinho de milho (delícia!) da Suzi, sentar gostosamente na varanda frente à lavoura e trocar palavras que acalentem a alma. Sem certezas, sem pressa. Só sentindo o quanto a vida pode ser deliciosamente degustada no agora.

Muito carinho a vocês que amo de coração.

Edson Marques disse...

Suzi,

Fiquei aqui pensando se eu passo ou não pelos buraquinhos da tua peneira... rs!

Bolo de milho: comeria o teu, mas sem muito entusiasmo. Esse tipo de bolo era o ÚNICO que eu não gostava dentre aqueles que minha Mãe fazia...

Podia ser de fubá?!

Flores...

Edson Marques disse...

Sonia,

Pois, é: o João (que era o Beto, meu irmão) foi-se sem esperar o futuro. O futuro que ele tanto amava. Os castelos ficaram todos para uso do Futuro... rs!

Mas, cá pra nós: ele morreu de desgosto. Um casamento "perfeito demais" para ser verdade sufocou-lhe a alma, o coração e a vida!

Flores...

Suzi disse...

Edson,

Tisgrili, viu!!! Rs... e mais rs...

Odeio bolo de milho... Cortava o coração de minha mãe recusar até o simples provar.

Um amigo gourmet, presenteou-me e "obrigou-me" a provar, gostei, acho que estava azul de fome. Veio com aquela conversinha, se não comer como vai saber... Foi esse o bolo que comi.

Amo bolo de fubá. Sim, lógico que pode. Um bem levinho e fofo, sem ser esfarelento.

Rs... Pensei que tava marcando ponto!

Sobre a "peneira"... fique pensando...

Beijos.

Edson Marques disse...

Suzi,
Seu eu passar pela "peneira", ainda comeremos um bolo de fubá juntos. E também não gosto daqueles esfarelentos... rs!
Flores!