27.2.12

formiguinha

Hoje de manhã, ao abrir a torneira da pia para lavar o rosto, vi que uma formiguinha foi atingida por uma enorme gota d’água — e se afogou. Fechei imediatamente a torneira, e tentei salvá-la com um pedacinho de papel dobrado. Mas ela estava imóvel, e não reagiu. Ainda assim, com muito cuidado, fiz com que se colasse ao papel e coloquei-a na borda da pia. Larguei tudo, inclinei-me e passei a soprar delicados jatos de ar quente naquele corpinho inerte. Mas ela não reagia, a coitadinha. Fiquei ali, olhando para o nada e refletindo sobre a vida e sobre a morte... Após dezenas de tentativas, invoquei o que de mais puro vive no meu coração, e soprei novamente sobre ela o meu espírito. Ela então se mexe um pouquinho. Sopro de novo — e eis que se levanta e anda! Ofereço-lhe o meu dedo indicador, e ela sobe por ele e dança em minhas mãos!

Você pode achar que perdi meu tempo. Você pode achar até que estou ficando louco. Você pode achar um monte de outras coisas sobre mim, mas realmente não me importo. Porque esta certeza agora me basta: hoje de manhã eu salvei a vida de uma bela formiguinha.

Um comentário:

Edson Marques disse...

Em 27 de fevereiro de 2012 eu ainda não sabia que, quase um ano depois, em São Paulo, eu iria salvar uma barata.

Como eu agora digo: o Acaso pode ser quântico.

É a vida!