19.10.11

alguns me odeiam

Como escritor, tenho que primeiro ser odiado... Depois, posso até vir a ser amado — um dia, talvez, quem sabe. Mas agora, agora eu devo ser odiado por aquilo que digo. Pelas palavras instigantes que atiro no peito coração de alguns leitores, petardos de lógica a ferir-lhes os amados e obscuros preconceitos. Tenho mesmo é que ser odiado pelas verdades que lhes atiro nas fuças, como flechas de razão, incandescentes. O que eu digo é por demais sério — e por demais profundo — para que me amem por dizê-lo. Tenho que ser odiado por defender a idéia absurda de que a liberdade é possível.

Que me odeiem, então, meus amores. Delicadamente.

Retificação: Embora eu saiba que muitas pessoas não toleram a existência da liberdade, vou talvez modificar o texto acima. Por uma simples e boa razão: meus leitores são todos, por princípio, amantes da liberdade. Fervorosos amantes da liberdade. Ou, logicamente, nem seriam meus leitores. Além do mais, com duas exceções conhecidas — ambas na minha família — ninguém detesta o que eu escrevo. Logo, assim como está, esse texto perde um pouco o seu sentido principal.

Um comentário:

sonia kahawach disse...

Delicadamente lhe pergunto se registrou seriamente, dito por alguém muito confiável, que é absurda a questão da liberdade ser impossível? Será que só os muito normais acham possível?
E não se preocupe, pois agride da forma mais delicada atirando suas flechas incandescentes no peito dos que o leem. Tão leves que se tornam masoquistas com todo o prazer que isto possa causar. Carinhos