15.7.11

ponto final

Minha descendência não está assegurada. Aliás, muito pelo contrário: acabo-me em mim — para sempre. Não continuo, não me prolongo, não me estico, nem me desdobro: quando eu me for, daqui uns oitenta anos, irei inteiro — e todo. Não deixarei uma gota sequer do meu sangue perdida, vagando por aí. De mim nada ficará, exceto as palavras que falo, os livros que escrevo, e todos os amigos e amores maravilhosos que eu amo tanto. Só deixarei a minha história e minhas histórias: só isso. Filhos, netos, bisnetos: jamais. Não nasci pra ser reprodutor da espécie. Meu papel é outro.

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