18.9.08

pecados poeticos

Minha formação religiosa foi determinada basicamente por um conselho, dado com amor por Dona Iracy, minha mãe, quando eu estava de saída para a cerimônia da primeira comunhão e lhe falei sobre o medo que eu tinha de confessar meus pecados — aqueles mortais, veniais, fatais, sexuais, etc. e tais. Ela então me disse, piscando um olho: "Conte só os menores. Os grandes eu já os confessei por você!" Dessa forma carinhosa, minha mãe acabou salvando-me a alma do inferno cristão, só para depois jogá-la, também com amor e ternura, na socrática fogueira da poesia!

Mas hoje eu não cometo mais pecados.
A menos que sejam gostosos e se tornem inevitáveis...


Eu me lembro das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse — do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. Eu me lembro do conselho que me deu: que eu nunca deixe de ser Eu. E me lembro do dia em que eu nasci: era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias e esperas, de poesia e de romance... Era uma casinha de madeira e primaveras, ao lado de uma bela roseira branca — no finzinho de uma rua principal. Era hora de metáforas, era hora de loucuras. Como toda musa entusiasmada era fora deflorada por um louco delicado que se chamava Luiz. Era outra vez madrugada e ela sozinha outra vez. Foi então que essa Mulher se decidiu me dar a Luz.

Era o começo de duas histórias de Amor.

2 comentários:

Edson Marques disse...

Estamos em novembro de 2012. E todos os domingos, exatamente ao meio-dia, eu ligo para minha Mãe, para conversarmos um pouco. Sobre a vida. A minha, a dela e a dos nossos respectivos outros amores. Ela continua extremamente saudável. Ainda come ovo frito e carne de porco com virado de feijão. E couve. Mesmo que seja tarde da noite...

E outra coisa fundamental na minha Mãe: ela nunca perde a calma.
NUNCA!

Eu amo a minha Mãe!

Amanhã, como sempre, ligarei para ela, como faço todos os domingos. Aliás, este é o meu único compromisso...

Edson Marques disse...

Já estamos agora em março de 2015. E eu continuo ligando para Ela, todos os domingos, ao meio-dia em ponto.

Meu único compromisso inadiável.

É a Vida!

Hoje é domingo...