Muitas mulheres marcam deliciosamente a minha vida. Todas são especiais; nove são musas. Mas uma delas se destaca... Uma mulher que jamais quebrou as lanças da minha ousadia, e nunca pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Uma mulher que me apóia com entusiasmo, incentiva os meus saltos profundos e me aplaude em todas as conquistas.
Ela compreende os meus gestos, mesmo quando parados no ar. Ela me aceita como sou, inteiramente. E me faz acreditar, cada vez mais, que o verdadeiro amor é a união gostosa de duas espontaneidades, a fusão poética de dois devaneios.
Essa mulher é minha mãe. Ela hoje está doente e mais de mil quilômetros nos separam. Mil quilômetros e uma crueldade impressionante: não posso nem falar com ela para dizer-lhe a minha dor. Não me deixam nem sequer telefonar pra ela.
Então, só me resta chorar por ela. E me lembrar das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse. Do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. E me lembrar do dia em que eu nasci.
Era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias, era hora de metáforas e loucuras. Era uma casinha de madeira e Primavera ao lado de uma bela roseira branca no finzinho de uma rua principal. Como toda mulher inocente, minha mãe havia sido deflorada por um delicado Inspírito Santo. Era madrugada e ela estava sozinha outra vez. Foi então que a Mulher me deu a Luz.
Era o começo de uma história de Amor.
______________________________________________
Essa crueldade impressionante nada mais é que a tentativa maldosa de alguns outros filhos de minha mãe, no sentido de, pela primeira vez na história, colocá-la contra mim. Trocaram o telefone dela e não me deram o novo número só para que ela pudesse talvez dizer: "O Edson não tem ligado mais pra mim..." /// Coitadinha da minha Mãe: longe de mim, e rodeada de gente capaz de agir com "tanta" sensibilidade! /// Mas isso tudo já foi de certo modo resolvido. E já voltei a falar com ela. Religiosamente, todo domingo ao meio-dia.
E os injustos arrependidos ficam agora sorrindo amarelo...
______________________________________________
Essa CENSURA ridícula e maldosa durou até 12/12/2007. Foi quando meus amigos da Telecom me deram o novo número. Até hoje não consigo entender por que fizeram isso comigo. Alguns dos carrascos já começaram a se desculpar. Mas não é preciso. Jamais esquecerei. Essas pessoas já tomaram tantas decisões erradas em suas vidas, que esta foi apenas mais uma. /// Impedir alguém de fazer aquilo que a Lei perminte é crime. /// Entretanto, acabo só me lembrando de Sócrates: "Quando um asno te dá um coice, não adianta fazer um B.O."
Mas tudo isso também serviu para que eu criasse um poema...:
24.12.2007
______________________________________________
Atualizando a expressão dos meus sentimentos:
Ter um irmão como eu não deve ser fácil: há vinte anos que não perco a calma, não reclamo da Vida, dou valor secundário às coisas secundárias, e sou um poeta zen, feliz. Isso talvez possa causar um certo desconforto espiritual naqueles que se supõem iguais por terem nascido, supostamente, da mesma Mãe. Mal sabem eles que a Mãe de um primogênito é sempre diferente da Mãe dos demais filhos. Tudo muda. E talvez essa injusta medida tomada por eles, no caso da censura ao telefone, foi só uma vã tentativa de arrastar-me para o mundo escuro dos conceitos mal elaborados. Jamais conseguirão.
Eu sempre os compreendi.
E agora, com a ajuda do Tempo, já começo a perdoá-los.
Bom ressaltar ainda que, EXCETO ESSA RIDÍCULA CENSURA AO TELEFONE, nada tenho a reclamar dos meus irmãos. Nossa convivência sempre foi amorosíssima, em todos os sentidos, em todas as circunstâncias.
Edson.
09.01.2008.