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Mude:

Mude

12.7.09

O fascínio da Loucura é contagiante.

Mas não qualquer loucura. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical das correntes opressoras. Ao abandono puro e simples do rebanho. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À intensa loucura dos amantes da liberdade absoluta.


Quando eu digo que a Loucura está a quase 360º da sanidade, é isso mesmo: 360 graus. Uma está bem pertinho da outra. O que está bem longe da Loucura — e também da sanidade — é a normalidade.


Talvez eu deva explicar que essa minha concepção de Loucura não nasceu ao acaso, nem é fruto de uma simples rebeldia adolescente. Ela se deve à deliciosa educação libertária que me deram minha Mãe e minha vó Vitalina, além de ser baseada na minha formação filosófica na USP — e na leitura muito séria e consistente de toda a obra de Ronald Laing. Portanto, eu sou apenas um poeta louco e não mereço nenhum respeito; mas o que eu digo, sim.

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10.7.09

Sabe por que o carro de boi se chama carro de boi? É porque touro não aceita canga. Quem quer um boi para puxar o seu carro, deve procurar um boi. Aliás, seria uma enorme perda de energia pretender colocar um touro a puxar carro de boi. Seria contraditório. Mas eu tinha uma namorada paranaense que não pensava bem assim. Um dia, estávamos na fazenda do pai dela em Londrina, eu lhe fiz a seguinte pergunta:
— Você acha melhor que eu seja um touro indomável, correndo livre pelos campos da vida, ou prefere ao teu lado um boi manso, amarrado no pasto, comendo capim?
Ela olhou-me de alto a baixo, parecendo avaliar os meus pedaços, e então, num gesto possessivo, indelicado, respondeu-me: Prefiro um boi manso, amarrado no pasto, comendo capim — desde que seja meu...

Senti-me retalhado, todo transformado em picanhas num balcão de açougue. Naquele momento, minha vida estava em jogo. E só me restou dizer adeus.

Porque, para mim, é impossível ser feliz sem liberdade.

Sei que você sabe disso. E sei também que, no fundo no fundo, você — meu amor atual — você me quer livre como sou: um touro indomável, correndo delicioso pelos prados da vida.



Veja mais diferenças entre touro e boi nos comentários.

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9.7.09

Sem sono, sem fome, sem culpa, e sem dor.

Sem ciúmes, sem pressa, sem apego e sem pressões. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha — e sensível. Sem medo e sem controle, sem ódio e sem juízo. Sentindo-me íntimo da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no incerto, no instável, no insólito... Amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia.

Passageiro numa bela viagem sem destino, percorrendo caminhos não trilhados. Ficando cada vez mais contente, encantado e fascinado com os novos horizontes que se abrem. Adorando as surpresas todas no momento em que acontecem, e vivendo a primavera em qualquer das estações.

Quebrando barreiras, de modo irreversível.

Ultrapassando limites.

Buscando (e encontrando!) a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgado por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgado, mas condenado — jamais!

Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a doçura de todas as coisas... Vivendo as maiores e melhores paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me cobrisse de beijos, flores e estrelas.

Inundado de carinho e gratidão.

Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções.

Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na praia que eu prefiro, óleo de amêndoas doces, dúzias de rosas brancas e vermelhas, duas ou três taças de vinho transbordantes, muita liberdade, alegria, saúde, poesia, gostosura... e tempo livre para viver tudo isso?


O que mais posso eu querer da vida?!


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8.7.09


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7.7.09

59 segundos de cada minuto da minha vida — eu os dedico ao meu maior amor. Que se chama Liberdade.


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6.7.09

Quando você
deixa de amar alguém
e continua com esse alguém,
não é apenas esse amor que diminui:
é tua própria capacidade de amar que apodrece.

Definitivamente.


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5.7.09

O poeta, o artista, o filósofo; o trapezista, o escritor e o maluco; o aventureiro, o amante, o palhaço — eu e você — nossa função agora é subir à tona, saltar barreiras, desbravar caminhos, quebrar ícones da moral, defender a liberdade, amar demais, criar conceitos, mudar o mundo, viver a mil...

O professor, o artista e o poeta; a bailarina, o cantor e o libertário; o estudante, o anarquista e o profeta: todos os que já deixamos o rebanho e saltamos profundo — nós somos a vanguarda da História. Vivemos arriscando a Vida, só para salvá-la.
E somos loucos — simplesmente porque não podemos ser outra coisa.


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3.7.09


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2.7.09

A ousadia move o mundo.

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1.7.09

Meu bisavô, aos sessenta e dois anos de idade, na década de trinta do século passado, abandonou tudo e apareceu por aqui trazendo no colo uma adolescente chamada Loucura. Um despropósito, disseram todos.

Mas o verdadeiro rebelde não hesita entre viver e morrer. O velho Luiz Marques, afogado numa certa estabilidade massacrante, não havia desistido de procurar aquela coisa que atende pelo singelo nome de felicidade.

Gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, feito convite, descalça, vestidinho de chita, cabelos soltos, meio ressabiada... Os peitinhos despontando. Então o fazendeiro abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções.

Tudo por causa de Vitalina.

Por aquela menina delicada ele daria o mundo. Por ela, e pelo que então simbolizava aquele amor, ele abandonou mais de mil cabeças de gado e todas as certezas que lhe haviam dado como herança. Era um autêntico rebelde: acabou trocando o futuro garantido e certo, porém morno, por um presente delicioso e faiscante.

Jogou fora o velho baú de premissas usadas, quebrou as algemas — e caiu na Vida. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Porque, você sabe, não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o ser humano é a possibilidade aberta de uma nova vida.



Então o respeitável senhor Luiz Marques tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu! Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos.


Não fosse por isso, eu não estaria aqui, agora, à beira do mar azul do Guarujá, tomando um belo copo de vinho vermelho e contando essas coisas todas pra você.

Sou portanto bisneto da rebeldia.

Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade — e amante de todos os meus amores.

E existo, por incrível que pareça.

No céu da minha boca não há fogos de artifício.

Só estrelas..

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30.6.09

Livros que estou lendo.
Na ordem em que estão, e na desordem em questão:
Sexteto – Henry Miller;
Por Amor a Freud – Diane Chauvelot.
Hipnodrama e Psicodrama – Jacob Levi Moreno.
O Espelho Mágico – Gairarsa.
Biografia de Nietzsche – Daniel Halevy.
Memórias Sonhos Reflexões – Jung.
A Importância de Compreender – Lin Yutang.
Ócio Criativo – Domenico De Masi.
Grandezas e limitações do pensamento de Freud – Fromm.
A Anarquia da Fantasia – Werner Fassbinder.



O Manifesto do Surrealismo vai servir de inspiração para escrever o texto de amanhã. Muitos ficaram fora da foto, porque estão espalhados pela casa. Mas, cito três outros que estão aqui ao meu lado: "Picasso, o sábio e o louco", de Marie-Laure Bernadac; "Trópico de Câncer", de Henry Miller, e "As Paixões segundo Dali", de Dali/Pauwels. No banheiro está o Alan Watts, "Em meu próprio caminho" - rabiscadíssimo. Na cozinha, "O Eu Dividido", de Ronald Laing, e "Jesus: ensinamentos essenciais", de Anthony Duncan, que estive lendo hoje de manhã, na hora do café. Tem mais na sala, nos quartos, nos corredores.

A bonequinha nua sobre os livros é um presente de Rose, e o quadro ao fundo é uma releitura de Modigliani, feita por Joyce Ann. E, como disse Felipe Fanuel em seu generoso comentário, eu leio "a partir da boneca, a partir da pintura, ou seja, a partir da arte".


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29.6.09

Minha grande inspiração é Henry Miller. E foi Rimbaud quem mudou a visão de mundo de Henry Miller. E eu, influenciado por Henry, vou em busca de Rimbaud e encontro Baudelaire mudando a cabeça de Rimbaud — e este virando a cabeça de Verlaine para todos os lados. É um círculo maravilhoso... Depois ainda chegam Lorca, Neruda e Vitalina; Sartre, Osho e Cioran; todos pairando sobre mim como doce ameaça de vida. E todos me fazem virar a cabeça, deliciosamente.

Até mesmo essa
menina de azul me faz virar a cabeça.

Aqui na praia, quase sempre sinto-me Dâmocles, e a espada — suspensa sobre a minha cabeça por um fio de seda — brilha seu fio nesta tarde de sol infinito. O vento a balança, eu olho para os lados, encaro o desafio e começo a sorrir.

Tudo por um fio...

É neste momento — quando confio no risco — é neste exato instante-agora que a Vida chega. Porque, você sabe, a vida só chega no justo momento em que temos consciência de que ela está por um fio... ou dois!


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28.6.09

Ontem fui à casa dela e encontrei seu pai, um homem simples, quieto e simpático, que tratou-me com respeito absoluto. Ele tem uma barbearia. E um jaleco branco, imaculado. Chama-se Nestor. Conversou comigo, sorriu pra mim, parecendo até agradecido nem sei por quê. Mas se ele soubesse dessas coisas proibidas que estamos fazendo, eu e sua filha — provavelmente me expulsaria de lá. Talvez até me matasse a navalhadas, num acesso inexplicável de fúria paternal.


Mas, no fundo, se ele soubesse, realmente, o que eu e Elaine estamos fazendo há mais de uma semana; se ele pudesse entender, mesmo, o tamanho do
amor puro que eu sinto por essa lolita; se soubesse o quanto sua filha é respeitada por mim, em todos os sentidos possíveis, ele certamente me agradeceria mil vezes por segundo — e de joelhos.


Se esse pobre homem soubesse, por exemplo, que a vida sensual da sua filha era um deserto antes de mim; que ela ainda não havia sido amada por ninguém de forma alguma, e que sou eu que a transformo de menina em mulher e de mulher em musa, delicadamente; se ele soubesse quem sou, realmente, e o que penso sobre a Vida, esse homem bom, honesto, responsável, religioso e trabalhador — esse homem cheio de fé e candura — me recomendaria a Deus, com louvor. E talvez até colocasse uma pequena estátua minha lá no oratório do seu quarto, entre Nossa Senhora Aparecida e São Jorge — só para venerar-me toda noite ao se deitar.



Santo Edson!


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26.6.09


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25.6.09

Só tem uma coisa pior do que morrer:
— É viver pouco.

Por isso não quero mais morrer na cama.
Quando chegar o meu dia (e eu saberei quando chegar o meu dia), vou contratar o filho de um marceneiro judeu para fazer minha cruz. Terá que ser de madeira nobre, e mandarei pintá-la de preto. O suporte dos meus pés será prateado, no meio do mastro. Quero lindos cravos de ouro, perfumados, e uma tarde calma no sermão das montanhas. Um crepúsculo cor de abóbora, certamente. Mas, antes de ser pregado, tomarei uma taça de vinho vermelho ao som de Vangelis. "Sauvage et beau". E chamarei meus últimos dez amores para que passem óleo de amêndoas no meu corpo entusiasmado. Quero brilhar nesse ato final. Terei colares de pedras preciosas no pescoço, e na cabeça, coruscando, uma escandalosa coroa de flores do campo.

Estarei nu — e excitado, naturalmente. Quero sentir meu sangue descendo pela palma das minhas mãos, gota por gota, vazando pelo buraco dos pregos. Vou encher de gargalhadas os ouvidos delicados que puderem me ouvir, vou gritar o teu nome de Deus em vão. E me lembrarei dos pecados todos que deixei de cometer por absoluta falta de tempo.

Quando enfim chegar minha hora, vou olhar para vocês, imaginar um aceno, fazer um poema, lamber os meus lábios, pedir mais um copo de vinho — e que o vinho seja esfregado em minha boca com esponja de algodão. Quero que minha mãe me olhe sorrindo e me abençoe aos pés da cruz, e que meus irmãos, e meus amigos, e meus amores — que todos eles dancem, e que todos eles gritem em coro:
Só o Prazer nos livra da loucura!
Será assim que vou deixá-los, meus amores.
(Será assim!)
— Um dia, talvez, quem sabe.
Daqui uns duzentos anos...


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24.6.09


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23.6.09


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22.6.09

Quando foi o teu último orgasmo?

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21.6.09


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20.6.09

Quando você diz uma verdade, ela se sustenta por si. Mas quando diz uma mentira, precisa de mais duas para suportá-la. Falar a verdade custa bem menos do que mentir. A energia que se gasta falando até as verdades mais doloridas, chocando espíritos despreparados para o sublime, (e agüentando as conseqüências) — essa energia acaba sendo muito menor do que aquela que se gastaria para suportar — nos dois principais sentidos — uma relação morna e desgastante, baseada na mentira, na dissimulação, na hipocrisia, e por isso mesmo quase sempre insuportável.
Sei que às vezes alguém pode querer manter uma relação, que parece importante — e precisa mentir para que ela não se quebre.
Tudo bem que assim seja...
Mas é preciso questionar até que ponto vale a pena manter uma relação que não permite a existência da verdade.
Fico pensando.
Quando pequeno, diziam-me que Deus escreve no livro da minha vida todas as coisas que eu fazia, e que, no dia do Juízo Final, tudo seria revelado. Nada seria mantido em segredo — mesmo aquelas coisas lindas que fiz no escuro do meu quarto, de portas fechadas e mãos deliciosas, cheias de creme. Só não me disseram que as páginas desse livro estão guardadas na minha própria cabeça. E que o Deus que escreve nelas sou Eu.
A tinta é indelével: nada vai se apagar.

Serei condenado pelas verdades que tive medo de dizer, mas serei absolvido pelas verdades que eu gritei.

A hipocrisia me jogaria no abismo do inferno — mas a espontaneidade me salva.

Por isso é que eu digo: — Deus vê tudo o que você faz. Porque Deus está lá, onde está teu coração. Se você agir certo, será recompensado por teus atos. Não é preciso contar pra ninguém: Deus está vendo. Mas, se agir errado, se você for injusto, cruel, insensível, hipócrita, ciumento — o Deus que te habita com certeza vai te foder. Mais cedo ou mais tarde, Ele vai te foder!
Desse Deus nada se oculta.
— Absolutamente nada.

Não adianta fazer nada escondido: — Deus tá vendo!

Essa é a metáfora mais criativa da mitologia cristã: Deus é Você, e nada do que faz pode ser feito sem que você mesmo saiba. E quem registra tudo no teu livro é você — que é Deus! Se contrariar a tua própria natureza, você mesmo é que vai registrar esse pecado no teu livro. Se disser uma mentira, não é preciso que os outros a descubram: — já está registrado.

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19.6.09

Esta tarde, enquanto tomávamos vinho nos braços eternos de um grande amor, deitados eu e ela, a menina de amarelo, ali no chão da sala, entre as esperanças derramadas no meu colo por Godot, tive um duplo insight. Incorporei o insuperável Samuel Beckett — e comecei a falar... Por isso, com base nele e no seu personagem Malone, quero agora dizer o seguinte:

O tempo que temos aqui na Terra é sempre muito curto para que o percamos com outras coisas além de nós.

Não se vive de verdade à espera de um Godot: é preciso que o busquemos dentro do próprio peito, bem no fundo desse Sonho delicioso que agora sonhamos.

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18.6.09

A liberdade cura quase todas as doenças.
Experimente — se preciso.

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17.6.09


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16.6.09

Eu queria montar um negócio no ramo de calçados. Mais precisamente, queria ser engraxate. Queria muito uma caixinha daquelas de madeira para exercer a profissão, que me parecia fascinante e lucrativa. Então, breganhei um relógio Mondaine por uma caixinha já pronta, comprei umas latinhas de graxa, arranjei uns paninhos velhos, duas ou três escovinhas de dente já usadas, um escova grande, marron, duas tirinhas de casimira azul de uma velha calça rasgada, juntei-me a dois amiguinhos que já engraxavam — e saí para vencer na vida. Eu tinha quase sete anos. Mas não consegui vencer na vida. Pelo menos não naquele dia, pois meu pai foi me buscar no Mercado, repreendeu-me com vigor, porém delicado, deu minha "empresa" de presente a um menino pobre — e pediu-me que eu tentasse outra profissão.

Segundo ele, engraxate já tinha demais...

Foi talvez por isso que eu virei poeta.


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15.6.09

Meu pai nunca foi de bater, brigar, e em seguida dar um abraço e dizer que me amava, que era o melhor pai do mundo, que só queria o meu bem, essas bobagens todas. Sou-lhe grato por ter sido afirmativo, mesmo nos atos de violência. Não era hipócrita em circunstância alguma. Mesmo quando teve amantes, tudo foi às claras. Deixava para mim a exclusiva decisão de julgar se ele era ou não convincente. Nunca me tentou impor seus preconceitos, nem me convencer de que ele era um bom pai. Tinha dificuldades em demonstrar amor.

Queria apenas que eu fosse diferente de todos, inclusive dele.
Sempre achou que eu era predestinado — a quê, não sei. Nos meus aniversários, ele sempre me dava como presente assinaturas de jornais, às vezes rádios bonitos, enciclopédias, livros, essas coisas. Meu pai nunca me mandou ir à missa, mas se eu não fosse à escola apanhava de cinta.

Órfão desde cedo, foi jogador, comerciante, alcoólatra, racional em demasia e delegado de polícia — não necessariamente nesta ordem. Porém, sempre foi respeitável e honesto. No dia em que mudei-me para São Paulo ele chorou escondido. E morreu do coração aos 49. Às vezes sinto saudades dele...


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14.6.09

O cabelo dela ainda me acena do abajur, preto e longo. Às vezes um fio de cabelo dura mais do que um fascínio. Não que eu seja volúvel: o tempo é que é fatal.

É sempre assim.

No primeiro dia, beijo-lhe os pés delicados, chupo-lhe os dedos, um por um, sinto todos os perfumes, percorro-lhe os vãos, os meandros, as curvas, minha língua coleando seus caminhos de amor. Êxtase total. Porém, depois de uma semana, ou duas, antes de fazer isso já lhe passo um pano quente para retirar areias finas. Passo cremes, faço massagens, repito operações. Ainda existe amor nos caminhos que percorro — e tanto. Mas, depois de um mês, ou dois, já me esforço muito para lembrar que ela tem pés. E se tento beijá-los, às vezes me distraio. Há pedregulhos nos vãos dos seus dedos, o perfume parece que se foi. Minha língua se transforma então em cascavel inexplicável que foge apavorada de um deserto sem fim.

Um ano depois, ou dois, tudo tem gosto de areia...

Acho que é o tempo.
E o vento.


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13.6.09


Não sei o que seria de mim se eu parasse de melhorar.

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12.6.09


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11.6.09

Nas questões do Amor, há quem prefira relâmpagos e há quem prefira luzes menos fortes, menos brilhantes. Quem prefere relâmpagos procura pessoas relâmpagos. E quem gosta de luz meio mortinha, também vai achar alguém que gosta de luz meio mortinha. Pois, como dizia minha vó Vitalina, não existe panela sem tampa.

Não acho errado quem troca a aventura e a liberdade pela segurança. Tem gente que não gosta de grandes emoções. É uma questão de preferência. Tem gosto pra tudo. Respeitemos as diferenças!

Relâmpagos brilham muito e duram pouco: é da sua natureza. Mas, até mesmo a luz meio mortinha — um dia também se apaga. Às vezes dura mais, às vezes dura menos, mas também se apaga...

É fatal.

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10.6.09

Eu já estaria totalmente morto se fosse apenas "normal". Já teria sido assassinado pelas regras e pelas dores dessa horrorosa banalidade cotidiana. Ou teria cometido o mais estranho suicídio possível — se eu fosse comum... Porque a monotonia é uma corda sem graça que as pessoas carregam no próprio pescoço, como se fosse uma correntinha de ouro falso, metáfora de grilhões desesperados. Esse estranho e bobo suicídio gradativo, cotidiano, é o mais fatal, porque permite, diariamente, contraditoriamente, a simulação refinada e estúpida de uma "vida" absurda que já não há.

E vocês nem percebem o cadafalso em que se metem...


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Mude










DesaFiat
O caso Clarice Lispector...



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Mulheres

Ana Maria Braga - Mais Você - Mude.

Mude original - por Camila Bossolan

Video MUDE com música de Tom Petty

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial

Karl Marx

Viva Hugo Chávez!
Leia matéria do LE MONDE Diplomatique.


2009

Este é um blog experimental — no mais amplo sentido que essa palavra possa ter. Aqui não defendo posições conservadoras. Também não busco ser compreendido, nem pretendo apenas te agradar. Eu quero, primordialmente, te fazer pensar.
Contra ou a favor ao que proponho — não importa.
Mas, pensar.

Atualizado diariamente

Liberdata@gmail.com

Mude
Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo sabor,
o novo prazer, o novo amor.
(...)
Tente.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
(...)
Só o que está morto não muda !
Edson Marques


Leia o poema todo no final desta coluna.


Manual da Separação


Sou apenas um poeta

Mas estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida.


Seguem alguns textos meus que me são fundamentais:

01. EU TE AMO
02. Eu não te amo...
03. Algumas Perguntas
04. Frases escritas no almoço
05. Sete Personagens à Procura de Mim
06. Separem-se no Pico
07. Abençoado pelos Espíritos Santos
08. Fiquei sete anos sem fazer amor...
09. MUDE não é de Clarice Lispector!
10. Vídeo Mude - flash
11. Elogios e Críticas
12.
Paritosh Keval
13. Meu conceito de Loucura
14. Nas horas vagas eu trabalho...
15. O Amor é eterno - as relações são passageiras.
16. O Provocador Abujamra
17. Minha mãe e eu
18. Joyce Ann.
19. Minha Vó Vitalina
20. Sou Bisneto da Rebeldia
21. As portas escancaradas do mundo
22. Solidariedade a Evo Morales!
23. Meu pai também era louco...
24. Tio Benedito Marques
25. Minha Mãe também se casou...
26. Projeto Cultural Revolucionário
27. Lúcifer - o iluminador
28. Dê-me a honra de ser a sua Página Inicial.
29. O maior amante do mundo
30. Desafiat
31. Mundançar
32. Patricia e Suzana
33. Meu orkut
34. Sem tesão não há solução
35. Tudo que aqui escrevo é real
37. Aventura Inesquecível
38. O Pão da Minha Mãe
39. Se eu pudesse começar de novo...
40. Uma sinopse — por Lima Coelho
41. O Livro de Jó
42. Se não for agora, quando?
43. As idéias do Outro
44. Minha primeira noite..
45. O Professor
46. Mude no Submarino
47. Meu livro Manual da Separação
48. Mude em espanhol
49. Separem-se no Pico, outra vez!
50. Mude no jornal A Tribuna
51. Mulheres
52. Meu pai
53. A Lady e a Barraqueira
54. Abujamra e o prefácio do livro Mude.
55. Projeto Cultural Revolucionário
56. Meus professores
57. Vitalina Botticelli
58. Minha Mãe
59. Sem fome Sem sono Sem pressa Sem dor
60. O dia em que Mona Lisa chorou
61. Feliz 2008
62. Sou Bisneto da Rebeldia
63. Cachoeiras de São Francisco
64. Em nome da Vertigem
65. O Poeta e o Filósofo
66. Poema MUDE em italiano
67. Vídeo Mude
68. Presente de Aniversário
69. Diana e seus peitinhos...
70. Comercial da Fiat - MUDE
71. Video Mude em flash
72. Dicionário de Português
73. Divino Jantar
74. Kira
75. Prêmio Cervantes Ibéria
76. I celebrate myself
77. Abujamra interpreta Mude
78. Os seios de minha Mãe
79. Meu mais recente amor eterno
80. Além de Loucura, Deus me deu Razão
81. Ontem salvei uma vida

Viva Cuba!



.. Jean Gabin - Je sais.


Veja aqui quem ilumina o blog Mude.
Por país – por cidade.
Desde 25/09/2007.



Temos que ser infiéis
às nossas convicções...
Ou não mudaremos nunca.



Daqui você sai diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu teatro eu coloco um monte de pregos instigantes e palavras que te ferem...

Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva. Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.



Nas horas vagas eu trabalho...


Livro MUDE à venda em todo o Brasil - nas Livrarias:




Às vezes altero textos antigos e os republico
aqui - só para que novos leitores os conheçam,
e também para que você teste sua memória...



Compre o CD FILTRO SOLAR pelo Submarino

LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

A Hering também publicou meu poema Mude

Vivo tentando derrubar minhas próprias convicções.
Só para ver até que ponto elas resistem.


Novo vídeo MUDE no YouTube

Meu Louco Bisavô

Salmão Poético ao Molho de Alegria

Veja o Comercial "Mude" - Fiat
Após entrar, dê um click em O Semelhante


Sete Personagens à Procura de Mim

Estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida.


Mulheres

O Professor

meu orkut



Minha literatura é feita de excessos.
Eu falo de Amor e Liberdade.
Só escrevo para loucos brilhantes
e jovens de espírito.
Se você não for nem uma coisa,
nem outra,
não vai gostar do que eu digo.


Mude

Meu livro "Manual da Separacao"
pode ser encontrado, entre outras livrarias,
na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935

Vídeo Mude - em flash

Poema MUDE - Autor: Edson Marques
Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude

Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!

Edson Marques.


Change
Only what is dead does not change
- and you are alive.
Versão em inglês feita por Paulo Coelho.




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Dizem que ela se chamava Eloá.
Também dizem que ela se chamava Elooh.
Mas, para mim, ela será sempre Elo-oh!

Lembrem-se, meninas, o ciumento inculto é o ser mais perigoso que existe na face da Terra.
Fujam dele, desesperadamente!


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Meus anos podem ser poucos,
e podem ser breves
- mas são todos loucos.


Edson Marques





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