24.1.17

colonia de deusinhos

Dizem que havia uma colônia de vermezinhos graciosos no fundo de um lodaçal. De vez em quando, alguns subiam à superfície e nunca mais voltavam. Isso deixava perplexos aqueles que permaneciam. O que será que tem lá em cima, que tipo de perigos pode haver? — eles se perguntavam. Até que certo dia um deles acordou, pôs as duas mãos no coração e prometeu sinceramente aos seus irmãos: Vou subir e depois volto para contar a vocês como é o mundo lá em cima. Preparou-se bem, leu Osho e Henry Miller, armou-se de inocência e de coragem, aguou suas plantinhas, atualizou o Facebook, despediu-se dos amores, desfez as malas — e subiu. Ele tinha mesmo a intenção de voltar. Mas, assim que chegou à superfície, viu Luz, transformou-se numa libélula, abriu as DUAS asas — entusiasmou-se! — e voou alegremente para o azul anil do céu profundo... E agora já não pode mais voltar. Morreria se voltasse...

Certas promessas jamais serão cumpridas.

23.1.17

jogo de xadrez

Quando você arrisca num determinado projeto, seja ele comercial ou amoroso, você calcula antecipadamente a probabilidade de vitória — ou joga a esmo, simplesmente?

22.1.17

somos diferentes

Éramos diferentes.

Eu gastava tudo — eles poupavam.
Eu tomava vinho — eles bebiam cerveja.
Eu amava livremente — eles se envolviam com ciumentos.
Eu era um poeta louco — eles eram respeitáveis.
Eu criava conceitos — eles adoravam as coisas.

Enquanto eu fazia amor, eles faziam filhos.
Enquanto eu fechava os olhos, eles vigiavam.
Enquanto eu estudava e dançava, eles cuidavam da prole e do cônjuge.
Enquanto eu viajava sem destino, eles faziam seus planos e desenhavam seus mapas.
Enquanto eu saltava profundo, eles viam novela.

Tudo tem seu preço.

Por isso hoje eu vivo aqui, sozinho — e não tenho nada além de amores.

Mas eles ainda se amontoam, brigando por inventários e calculando seus haveres...

Não seria justo, portanto, que Deus nos desse agora as mesmas dores.

Somos diferentes.

E não tenho culpa se além de loucura Deus me deu Razão — e continua dando.

21.1.17

meus dias

Eu sonho tão alto que o próprio barulho me acorda.

Já me acordo com Deus perto.

E me desperto dançando e perguntando se há no mundo melhor coisa que ser feliz e ser saudável. Vejo estrelas no meu teto, repito a oração como se reza, e me espreguiço felino, suave, amoroso, sorrindo — e gostoso!

Mas me levanto só depois que gargalho. Se por acaso não acho motivos pra gargalhar, também não os acharei pra levantar...

Enquanto isso, faço contas complicadas de cabeça, abraço a Vênus de Milo que eu tenho no peito, calculo logaritmos a olho, traduzo algumas frases do latim, reconstruo mentalmente um ranchinho de sapé, imagino cúpulas geodésicas no quintal da minha Mãe, visualizo meus próximos prazeres — tudo sem destino e sem pudor.

Acordo já fazendo ginástica com meu cérebro, pois não quero teias de aranha nos meus neurônios. Quero distância do AD, e desconheço a depressão. Porque sinapses, só as brilhantes me excitam. Então, potencializo-as, a cada instante, com lógica e amor.

Acordo e me levanto, deslumbrado e respirando, já cheio de luz — iluminado, portanto, de novo — e de mim.

Meus dias começam sempre assim..

20.1.17

direito de crescer

O mais fundamental de todos os direitos humanos é o direito de crescer, de desenvolver-se. E para isso é preciso que tenhamos o direito de mudar. Aqui reside a melhor justificativa da existência da Liberdade. Cercear o crescimento, impedir a mudança, sufocar a ousadia — mesmo em nome do amor — é lamentável.

19.1.17

pessoas que dizem amar

Existem pessoas que dizem amar, mas na verdade cometem práticas totalitárias e ditatoriais contra o ser amado. Suprimem a liberdade do ser amado. Querem que o outro preste contas dos seus atos, e que faça um relatório até do que possa estar pensando. Exigem que o outro altere seus planos de vida, isole-se do mundo, renegue suas convicções, abandone os seus desejos, afaste-se dos amigos e destrua a própria personalidade.

Existem pessoas que controlam o ser amado de uma forma irracional. Se pudessem, instalariam câmeras de vídeo no coração do ser "amado". Viram carcereiros. Desrespeitam a privacidade do ser amado. Vigiam, vergonhosamente. Jogam o jogo sujo do poder mesquinho, praticam chantagem emocional, agarram, prendem, oprimem, sufocam.

E chamam isso de amor... Que horror!

17.1.17

meus mamaos


Nenhum dos meus mamãos me compreende. Primogênito, solteiro e sem filhos, amante do vinho, da dança e da música — além de poeta libertário cheio de amores — pareço-lhes um louco. Aliás, a partir do momento em que disserem que me compreendem, estarão eles assumindo, implicitamente, que se foderam. E essa conclusão, sob todos os bons pontos de vista, é-lhes desesperadamente incômoda. Porque nossas razões ainda são mutuamente excludentes. Com a cambaleante e honrosa exceção de um deles (cuja relação até parece razoável, ainda que sem brilho), todos os meus mamãos se deram mal no casamento. Não dá nem pra disfarçar. Logo vemos na cara dos coitados: se foderam todos no grau máximo que a expressão comporta. Eu vivia lhes dizendo, e o demonstrava com minhas atitudes cotidianas: não confundam uma transa eventual com a constituição racional de uma família. Não pensem que todo orgasmo chocho tem necessariamente que gerar uma fruta — ou uma cria. Não se fodam em nome do amor. As relações são passageiras. Tudo se transforma. Não existe amor eterno, etc. etc. etc.

Eu lhes dizia — mas eles fizeram questão de não me ouvir...

16.1.17

solitude

Jamais experimente a Liberdade se você não for capaz de suportar a Solidão.

Eu diferencio claramente solidão de solitude: esta é voluntária e corajosa; aquela nos é imposta pelo Medo. Solidão é carência. Solitude é suficiência. A solitude tem beleza e esplendor: por isso, positiva. A solidão é humilhante, escura e melancólica: portanto, negativa. A primeira é saudável; a outra, uma doença. Solitude é coisa do indivíduo. In-divíduo. Inteiro. Único. Indivisível. Porém, a solidão vive sempre em busca de caras metades. Sempre pede companhia, implora companhia. Mas só companhia não resolve essa questão. Tanto, que existe solidão a dois e solidão a mais. Escrevi até um livro a respeito, com 400 páginas, cujo título é Solidão a mil — com o duplo louco sentido que o termo sugere. Mas o tema é complexo, e eu fico pensando...
O texto continua aqui.

14.1.17

contrabandista de ternuras

CONTRABANDISTA DE TERNURAS

Tenho fogo nas veias e meu espírito é santo. Sou movido a encanto. Mas não se assuste só porque sou livre. Claro que eu mereço tua desconfiança: meu domínio é o Desejo e meu tempo é o Agora. Sou um fornecedor de coragem. Um contrabandista de inocências e ternuras... No mercado poético dos múltiplos amores, vendo flores e estrelas a um preço irrecusável. Dou-me todo e quero luz. Às vezes me reparto, outras me duplico. Entretanto, não me troco, sou inteiro. Às vezes sou pouco, sou tudo, sou nada. Outras vezes, só poesia entusiasmada. Mas sempre no fundo sou Eu. Portanto, feche os olhos e caia em meus braços, que te levarei a um porto inseguro — e delicioso — onde os Deuses te beijarão.

13.1.17

deu certo

Se eu não mudasse, afundaria junto com as circunstâncias. Era preciso, portanto, que eu sumisse dali, que abandonasse tudo o que me envolvia. Tudo: o Pai, a Mãe, os irmãos, a família, os amigos, a escola, o dentista, o professor. O time, o futebol, as duas namoradas, minha vó, meus espetos de picanha e o cheirinho de carvão. Eu tinha que abandonar tudo, inclusive minhas idéias, especialmente as preconcebidas. Os cobertores azuis, a pátria, a religião, e até mesmo o meu querido cavalo Estrela. Eu tinha quinze anos. E tinha que abandonar tudo. Meus lençóis branquinhos de algodão, meu quarto, minha mesa, meus livros, meu baralho, meus recortes de jornal e meu jogo de xadrez. Eu tinha que abandonar TUDO — antes que chegassem a acomodação e a certeza do conforto absoluto. Eu precisava me desligar daquele passado, urgentemente. Eu precisava me salvar. Então, enchi meu peito de futuro e de coragem, de alegria e de relâmpagos — e mergulhei de cabeça na incerta e gloriosa correnteza da vida. Nas águas revoltas do coração do mundo líquido.

Deu certo.

10.1.17

liberdade de exercer a iberdade

Não basta ter liberdade de pensamento. É preciso ter liberdade de exercer o que pensamos.

7.1.17

salvar o corpo

(...) Acontece que não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o ser humano livre é a possibilidade aberta de uma nova vida. Foi por isso que o meu bisavô deixou que a rebeldia lhe subisse à flor da pele. Num certo fim de ano ele tomou aquelas decisões que só os corajosos conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto — e partiu!

Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Então, abandonou TUDO, para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, abraçou algumas dúvidas gostosas, quebrou as algemas — e caiu na Vida.

Não fosse por isso, eu não teria nem nascido — e não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho branco e contando essas coisas pra você. Sou portanto bisneto da rebeldia. Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça. No céu da minha boca não há fogos de artifício...

Só estrelas!

6.1.17

democracia

Tem dias que eu falo de orgasmo, delírio, tesão e gostosura. Mas tem dias que é preciso falar de Política. Não devemos nos esquecer de que no Brasil, há pouco mais de vinte anos, qualquer soldado raso podia prender um poeta, por qualquer razão ou por nenhuma — e mandar matá-lo, se lhe desse na telha. Hoje, felizmente, qualquer poeta pode rir de um general..

A Democracia é a maior conquista da Humanidade.

5.1.17

jogo de xadrez

Quando você arrisca num determinado projeto, seja ele comercial ou amoroso, você calcula antecipadamente a probabilidade de vitória — como se fosse um jogo de xadrez — ou joga a esmo, simplesmente?

4.1.17

conexoes

Imagine um sistema (um cérebro) em que cada neurônio só pudesse conectar-se a um específico outro, exclusivamente, por toda sua existência. A partir daqui não me parece muito difícil concluir que, nessa hipótese, tal sistema ficaria empobrecido. Seria um desperdício de potencial.

Agora experimente pensar nas conexões amorosas que temos, cada ser humano com outro. Se nos recusássemos a (ou se fôssemos impedidos de) nos conectar com mais do que um específico outro, simultaneamente ou não, o que é que certamente aconteceria com o sistema?

3.1.17

jesus na cruz

Dizem que tem aí um arruaceiro que vive se metendo em belas encrencas. Anda sempre em companhias duvidosas e até já foi condenado pela Justiça. É contra o casamento e rejeita seriamente a hipocrisia. Os conservadores o detestam. Vive contestando a Autoridade. Dizem que ele costuma beijar uma adolescente em público, cujo nome é Madalena. Nunca trabalhou — mas festa é com ele mesmo. Dizem que é bonito, cabeludo e adora dançar... Corre até um boato que na semana passada, a pedido da própria mãe, chegou a transformar água em vinho branco. Deve ser um feiticeiro genial. Um poeta, um mago, talvez um deus! Dizem que ele trepa num caixote de madeira ali na praça, e fica falando coisas que ninguém entende, criando parábolas mirabolantes:
"Olhai os delírios do campo..."

Dia desses o viram balançando numa cruz.

2.1.17

produto do teu trigo

Sigo só o sinal que não aponta, e que partiu de dentro do meu próprio coração. Estou aqui, nesta ensolarada conjunção de fatores, escrevendo, olhando o mar, ouvindo corruíras, pardais e bem-te-vis, uma algazarra de sons por sobre as ondas, tomando café com amor, e pensando nessa mulher que me gerou, Iracy. Saudades me cobrem os olhos. Ela sabe fazer pão recheado com queijo branco. Ela mesma escolhe o trigo, prepara a massa com a magia das próprias mãos. Ainda de madrugada, ela fica fazendo o pão e cantando baixinho, como se fosse um mantra. Agora mesmo um tiziuzinho pousou ali no canto do terraço e ficou me olhando, cantou três vezes e foi-se embora. Mas deu tempo de dizer-lhe que vá contar à minha Mãe, lá em Itararé, que estou aqui, pensando nela. Você sabia que o tiziu sempre salta quando canta? Se não me engano, se for preto é macho e se for esverdeadinho é fêmea. Lindo pássaro. Canta saltitando. E fico pensando: Será que o salto precede o canto, ou será que o canto precede o salto? Não sei... Só sei, Mãe, é que o pão que me alimenta é um produto do teu trigo.

1.1.17

tres tipos

Eu quero que em 2017 você mantenha três tipos apenas de relacionamentos:

1.
Os que te dão prazer e alegria;
2.
Os que são necessários à tua sobrevivência;
3.
Aqueles que te trazem alguma sabedoria ou estimulam a criatividade.

E que todos os demais sejam considerados dispensáveis. Extremamente dispensáveis!

Afinal, se um determinado relacionamento não dá prazer nem alegria; não é necessário à nossa sobrevivência, e não traz sabedoria nem nos estimula a criatividade — mantê-lo pra quê?!

31.12.16

auditor jesus

Se eu não devo me esquecer jamais do bem que alguns me fazem, por que deveria eu esquecer do mal que outros já me fizeram? Seria injusto. Se for desse modo, a contabilidade não fecha. E Deus, implacável auditor, não gostará de ver um erro assim tão grave no meu balancete.

Eu às vezes contrario o Auditor e até me esqueço de certas maldades que alguns já me fizeram. Mas em seguida me lembro da Bíblia, Lucas 17-3, onde se pode ler que: Se teus irmãos fizerem uma maldade contra você, mas se arrependerem sinceramente, conceda-lhes o perdão. Antes, porém, dê-lhes uma porrada inesquecível. Entretanto, como o assunto é complexo, vou pensar mais um pouco a respeito. Afinal, tem coisas que nem sabemos se são um mal ou são um bem...

29.12.16

40

QUARENTA COISAS PRA FAZER EM 2017:

01. Tome mais água, mais vinho e mais sol.
02. Escolha melhor os teus próximos amores. Prefira os livres.
03. Viva com mais Entusiasmo, com mais Energia, e com mais Coragem.
04. Arranje sempre algum tempinho pra falar com Deus.
05. Faça atividades que estimulem o teu cérebro.
06. Leia mais livros do que leu em 2016.
07. Fique em silêncio alguns minutos todo dia. Pense. Reflita. Medite.
08. Procure dormir tranquilamente, para acordar de bom humor.
09. Faça exercícios físicos. Caminhe pelo menos 30 minutos por dia.
10. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
11. Não compare a tua vida com a de ninguém. Cada um tem sua história.
12. Seja um otimista racional.
13. Mantenha o controle absoluto dos teus estados de espírito.
14. Não se torne sério demais. Só os alegres vão pro Céu.
15. Só gaste tua preciosa energia com coisas gostosas.
16. Sonhe mais. Sem sonho não se cria nada.
17. Saiba que a inveja é um desesperado sinal de fracasso.
18. Jamais conclua apressadamente. Analise antes as premissas.
19. A vida é curta demais para ser tão pouca. Viva mais!
20. Faça as pazes com o teu passado para não estragar o teu presente.
21. Ninguém comanda a tua própria felicidade, a não ser você mesmo.
22. Já que a vida é uma escola — aproveite pra aprender.
23. Sorria mais. Encontre motivos para dar umas boas gargalhadas.
24. Não é preciso vencer todas as discussões. Aceite a discordância.
25. Entre mais em contato com teus amigos e com teus amores.
26. Nunca perca uma oportunidade de ajudar alguém.
27. Se não puder perdoar a todos, ao menos os compreenda.
28. Misture-se aos melhores.
29. Jogue fora tudo que não presta.
30. O que outros dizem a teu respeito nunca vai mudar a tua essência.
31. Não permita que um simples idiota comprometa o teu destino.
32. Faça sempre o que é correto, justo e verdadeiro.
33. Procure não trair jamais a tua própria natureza.
34. Deus cura todas as doenças — exceto o mau humor e a maldade.
35. Valorize a própria liberdade, acima de qualquer outra coisa.
36. Não importa como você esteja se sentindo: pratique uma boa ação.
37. O melhor ainda está por vir — em todos os sentidos.
38. Só o que está morto não muda.
39. Preencha o teu coração com alegria, esperança e gostosura.
40. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

TransCriação de Edson Marques sobre um texto da internet + partes do poema Mude.

28.12.16

galopando

Um dia eu vi que aquele nosso amor estava (se) (me) (lhe) (nos) cansando. Então, olhei direto nos olhos dela e lhe disse, delicado:
— Não posso mais condicionar o meu galope ao teu trote, meu amor...
E saí.
Galopando.

27.12.16

sem problemas

Em princípio, não existem problemas. Existem circunstâncias. E o modo como lidamos com elas é que pode transformá-las em problemas — ou, pelo contrário, torná-las um delicioso degrau para o sucesso.

26.12.16

acusado

Só me sinto verdadeiramente acusado quando minha própria consciência me acusa.

25.12.16

24.12.16

autentica finesse

Algumas pessoas cometem atos grosseiros, e depois se justificam dizendo que essa delegância se deve ao fato de elas serem "autênticas"... Ora, talvez não saibam que é possível ser autêntico sem perder a classe, sem perder a finesse. Aliás, uma pessoa realmente polida é sempre autenticamente refinada.

23.12.16

viver de luz

Há um véu de verdade que me cobre de poesia — e me revela. Eu não procuro esconder aquilo que eu acho, nem mais busco o que já posso ter perdido... Não dissimulo aquilo que penso, não sufoco o que preciso gritar. Eu não seguro o incerto amor que se move em meu coração. É preciso vestir-se de véu para que se viva de Luz.

21.12.16

feliz natal

O presente de Natal que eu quero te dar
não pode ser comprado:
Não tem nas lojas, nos mercados, nas feirinhas, nos balcões.
Não é feito de plástico, não é eletrônico, nem precisa de manual.
O presente de Natal que eu quero te dar
já está dentro do teu próprio coração.

Basta que você agora o desperte para a vida:
É o amor pela liberdade absoluta.
É a admiração extrema pela Arte de Viver.
A defesa inabalável da ideia de justiça, de verdade e de prazer.
A coragem de sonhar transformações.
A busca cotidiana por tudo que é sublime,
e o doce desejo de sugar o açúcar de todas as coisas.
Feliz Natal !

caminho da filosofia

O caminho da filosofia não é partir do conhecido para o desconhecido, mas sim do conhecido no desconhecido para o desconhecido em si mesmo.

Fernando Pessoa.

20.12.16

relacoes ditas amorosas

Eu não acho feias as relações que deram certo. Eu acho até bonito quando vejo um casal de idosos se dando as mãos, solidários no tempo que passou. Eu acho bonito quando vejo um casal que se respeita nas suas mútuas limitações. Nenhum deles espera do outro mais do que aquilo que o outro está disposto mesmo a dar. São humanos. Eu os compreendo. Eles se ajudam, reciprocamente. Merecem esse tipo de conforto. Só querem ser normais. Afinal, nem todos nasceram para para o desbunde libertário e para as aventuras românticas que a vida livre proporciona. Nem todos nasceram pra saltar profundo...

O que eu lamento, muito, são esses casais que NÃO deram certo. Vivem se estapeando, emocionalmente. Se detestam. Já não transam há meses — e dizem que se amam. E ainda dormem na mesma cama... Ciumentos, quase sempre. Possessivos. Ficam juntos não por amor, nem por amizade, mas porque são covardes. São medíocres. Horrorosos. Lamentáveis.

18.12.16

distorcendo

Exceto quando recebo a coisa pura e já perfeita, eu sempre distorço o que me dizem — para melhor. Interpreto na hora aquilo que ouço ou vejo, filtro as impurezas e bobagens e entrego ao meu cérebro um produto agora limpo, refinado, carregado de poesia e gostosura. Faço tradução poética simultânea das COISAS que chegam até mim, modifico as construções verbais, ponho lógica e amor onde couberem, redesenho mentalmente quase tudo — e só então as ofereço aos meus sentidos mais profundos. Só então. Delicadamente.

17.12.16

15.12.16

dois caminhos

A vida tem dois caminhos:


Ou você segue o caminho da Tristeza,
arma-se de medo, de ciúmes e de falsas alegrias,
arma-se de angústia, fecha os olhos, se acomoda,
e segue o rebanho dos que não sabem;
obedece a regras injustas, não reage, não questiona,
não se aprimora, não lê, não significa,
nem percebe o absurdo em que se mete.
Vende a própria natureza
por duas ou três moedas de aço,
troca a inocência pela responsabilidade apressada,
torna-se respeitável aos olhos da sociedade,
cumpre horários, nunca tem tempo,
preocupa-se com coisas banais.
Comerciante das próprias emoções — já não brinca,
vive correndo, ama com pressa,
esquece-se da lua,
e se torna uma pessoa média, mediana, medíocre,
pequena, cansada e normal...


Ou você escolhe o caminho da Ousadia,
compreende, se aprofunda, vai mais longe, realiza,
respeita o ser humano que existe em você mesmo,
resgata a própria vida e o sorriso,
rompe de vez com o passado agonizante,
procura defender a verdade, a justiça e a poesia,
acorda e assopra o fogo da alma que dormia,
ultrapassa os limites que sufocam,
cavalga o cavalo negro, cego e alado
das paixões gostosas e sublimes,
enche o peito de coragem, corações e relâmpagos,
acende de novo esse vulcão que é o teu corpo,
deixa a própria cabeça plena de agora,
de ternura e de vertigem,
e parte em busca de Aventura, de Amor e Liberdade.


É uma simples questão de escolha.



Qual é o teu caminho?

14.12.16

filosofia

A pior notícia para a direita brasileira (e para os conservadores em geral) é a volta da Filosofia e da Sociologia ao currículo do ensino médio.

13.12.16

porteira de arame

Hoje eu sonhei que no meio do caminho havia uma enorme porteira de arame farpado — que ninguém abria. Então eu abri. Para que todos passassem.

12.12.16

poema bendito

Para expressar o que hoje ao teu lado senti
tem que ser a palavra que ainda não há.

Tem que ser o gesto amoroso
que ainda não feito,
e o poema bendito que eu nunca escrevi.



Talvez por isso mesmo eu não consiga dizer o que preciso. O que você merece. Inventarei depois a palavra, deixarei por uns tempos esse meu gesto suspenso no ar, e o poema mais tarde virá. Só posso dizer que esta noite o Atlântico transbordou de alegria, e sinto Afrodite beijando-me os pés outra vez. É quase madrugada e eu me transformo em Lua só para me despedir de você, aqui — no sopé da tua pequena montanha — brilhando no mar. Esta noite, portanto, velarei o teu sono à distância, menina.. Vou te cobrir com tua luz — e nada mais.

11.12.16

texto e contexto

Certas teorias da Física são fantásticas. Por exemplo: Quanto maior for um Buraco Negro, menor ele tem que ser. E para que fique gigantesco, tem que se tornar minúsculo. Eis uma contradição aparente, pois, neste caso — como em muitos outros — o texto não explica o contexto. A teoria dos buracos negros segue, rigorosamente, uma das leis da Física, e as relações entre texto e contexto devem ser analisadas no campo da Linguística. Ainda não sei aonde quero chegar quando escrevo sobre isso nesta ensolarada manhã de domingo. Talvez eu tente fazer uma analogia com as declarações de amor. Com as sentenças formais declaratórias de um sentimento chamado amor. Acontece que já são 11h34, e eu quero agora ouvir as deliciosas badaladas da minha sina. Logo depois vou falar com minha Mãe, como faço todos os domingos.

10.12.16

sonho lucido

Sonho lúcido é uma expressão que não denomina bem essa categoria de sonho. Prefiro chamá-lo de sonho consciente. Hoje tive um. É a terceira vez nesta semana. Mesmo assim, eu gostaria de ter tido muito mais. Preciso descobrir as razões que lhe dão origem. Outro ponto a considerar é que talvez eu tenha tido outros nesse período, mas só me lembro de três. Embora não concorde totalmente com a expressão, continuarei me referindo a eles como sonhos lúcidos. Não posso contar-lhes o tema recorrente nos meus, mas particularmente já escrevo a respeito. É uma coisa extremamente agradável. Uma delícia!

Eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge

8.12.16

oxigenio

Ainda continuo pensando no Oxigênio como a partícula primordial da Vida. E quando eu digo que faço café com água benta, isso quer dizer, metaforicamente talvez, que assopro moléculas de espírito no espaço intratômico do Oxigênio hidrogenado. E é com essa mesma água benta que vou aguar os pezinhos de lírio. Só depois disso é que faço meu café. E dele não é a cafeína o que mais me interessa, mas sim a glicose e o Oxigênio grávido de Espírito que ele contém.

7.12.16

infieis

Temos que ser infiéis às nossas convicções — ou não mudaremos nunca!

6.12.16

sem lixo no cerebro

Quero que você agora se apaixone pela raiz de cada coisa. Quero que você abandone as verdades recebidas por herança ou por contágio, e passe a pensar com independência e gostosura. Se você chegou até aqui (não só neste blog, mas na vida!), é porque deve ter aí na cavidade do teu crânio uma parte do sistema nervoso central chamada encéfalo — que abrange o cérebro, o cerebelo, pedúnculos e mais coisas que eu nem sei. Essa máquina sensível requer cuidadosa manutenção. Precisa de carinho, de tempo, de alegria, de leitura, lógica, dedicação, entusiasmo — e muita liberdade.

Não permita, portanto, que joguem lixo e preconceitos no teu cérebro. Não permita que te enrolem os neurônios...