24.3.17

reparto tudo

Reparto tudo: reparto o beijo, o abraço, a lua, o chocolate, o pão e o queijo; reparto o amor e o vinho, as flores e as estrelas. Reparto e compartilho. Tudo. Às vezes, simultaneamente... Reparto, com muito mais ênfase ainda, a felicidade, a alegria e o prazer. Porque essa coisa de relação fechada possessiva é lamentável. É uma coisa que eu suponho ultrapassada — pelo menos nas sociedades mais desenvolvidas. Ou, melhor, naquela parte culturalmente mais desenvolvida das sociedades. Essa coisa (ciúme, posse, etc.) na verdade é um horroroso "negócio": Aquilo que nega o ócio. Nega o prazer, e nega o amor. Nega a liberdade.
Portanto, se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
E viva a Vida.
Ou não.

23.3.17

quando o bom faz mal

Um grande amor ou um bom emprego acabam complicando muito a vida de quem os consegue logo no início. Porque você vai ficar se agarrando a eles pro resto da vida — e perde a chance de conseguir outros iguais, ou até melhores. Perde a chance de vivenciar outras experiências, provavelmente maravilhosas. Mas, o que é pior: essa aparente estabilidade inicial te enche de medo. Medo de perder. Medo de não ser capaz de crescer, nem de superar uma perda. Então, só te resta encolher-se no teu próprio coração medroso e bobo, abraçado a um bom salário — ou deitadinho no colo desse amor minguante...

tudo se resolve

A seu tempo, tudo se resolve.

21.3.17

felicidade

Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito, e liberdade total. Muita alegria, bom humor inabalável e gostosura transbordante, além de amores infinitos. Ausência de pressa, de ciúmes e de ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. E completa ausência de apego. Basicamente isso.

Estou escrevendo algo mais a respeito, que vou publicar no meu livro Sermão da Cordilheira.

19.3.17

alcachofra

Tenho uma amiga imaginária cujos dois filhos de quase dez anos podem fazer xixi à vontade. Podem ter fome, raiva, medo e desespero. Podem ter coragem, sono e diarreia. Dor de cabeça, alegria, cócega e cansaço. Parece que podem ter de tudo, esses meninos. EXCETO TESÃO. Aliás, segundo ela, masturbação é uma doença — que precisa de tratamento psiquiátrico — e da qual os seres humanos devem ser rigorosamente afastados...

Então eu pergunto: como pode a amiga de um poeta libertário ter neurônios muçulmanos? Como pode a amiga de um poeta ter a sensibilidade de uma alcachofra?

17.3.17

16.3.17

it s just me

Ontem, no trânsito, dirigindo na avenida da praia, tive um insight: aquele "idiota" que ocupava o meu corpo não era Eu: era um "outro", que ali estava a caminho do trabalho alienado — numa desesperada pausa da própria vida. Estava indo vender o meu tempo para uma pessoa que possui uma estupidez monumental. Falar de negócios com alguém que nunca deve ter lido um poema de amor é um horror. Uma coisa que eu às vezes preciso suportar. Porém, logo mais, à noite, eu voltaria a ser Eu — e viveria como mereço e posso. Encheria uma taça com gelo picado e Absinto, colocaria talvez Jon Bon Jovi a dizer-me It's Just Me, chamaria os meus amores, um por um, e depois entraria delicadamente no Oceano Atlântico. E ficaria olhando a nova lua nova por toda a eternidade...

15.3.17

deus canhoto

Embora a gente saiba que o mundo não tem lado de dentro nem lado de fora, nem esquerda nem direita, nem parte de cima ou parte de baixo — eu hoje descobri algo muito interessante. Considerando a dança espiralada das galáxias, a frenética explosão das supernovas e a forma encantadora com que Deus criou a maçã; considerando o espírito de Einstein contido nos átomos que fazem o meu próprio coração; considerando a gargalhada amorosíssima que minha Mãe ontem me deu por telefone ao meio-dia; considerando tudo isso e olhando o mundo daqui onde estou, da perspectiva de um pezinho de lírio branco e ouvindo pássaros — eu descobri que Deus é canhoto. Vejam que coisa mais impressionante!

14.3.17

otimista racional

A produção de bons resultados não depende da esperança, mas sim de planejamento. Acreditar num sistema racional que se monta visando uma determinada conquista vai além da crença passiva de que as coisas aconteçam por acaso. Sou otimista porque creio na qualidade do meu pensamento. Creio na capacidade que tenho de analisar circunstâncias e, a partir delas, concluir com ciência e lógica. Ciência, lógica e amor. Ciência, lógica, amor e liberdade. Meu histórico é glorioso nesse aspecto. Claro que às vezes mergulho, mas sempre volto aqui, à tona. É onde enxugo as minhas asas para voar, de novo, ao Pico.

Todo salto profundo é pra cima.

13.3.17

todos os caminhos

Todos os caminhos levam a Roma, sim. Mas alguns são muito mais gostosos do que outros.

12.3.17

soul um poeta

Eu não nasci para satisfazer as expectativas de ninguém. Nem mesmo as minhas — que aliás nem tenho. Sou apenas um poeta, meio louco, totalmente livre, amoroso e sensual. Gosto de viver abraçado às coisas alegres dançantes do mundo... Tudo sem pressa e sem pressões. Tomando sol e vinho branco ao lado de dentro dos meus amores. Parece pouco — mas é tudo. Afinal, eu sou assim. E não quero ser mais do que soul...

11.3.17

tv

A tv é hoje a maior mantenedora de casamentos do Brasil. Se as pessoas não ligassem tanto a tv, acabariam conversando. E teriam que discutir aquelas questões realmente importantes de suas vidas, mas que, por comodismo e falta de coragem, estão suspensas. Pois, se as discutissem — se separariam, provavelmente. Ou se matariam...

10.3.17

clitoris do teclado

Eu adoro ficar aqui — teclando no clitóris do teclado.
Com os meus dez dedos amorosos...
Todos excitados.

9.3.17

meu dia

Jamais corro atrás do meu dia. Procuro incentivá-lo — para que ele me alcance.

8.3.17

mulheres

MULHERES

Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo. Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma. O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.

Eu as respeito e as venero — com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais. Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas. Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras. Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral. Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia. Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.

Toda mulher é silenciosa por dentro. A existência pura se manifesta em cada detalhe. Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa. E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente. Sem ciúmes. Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias. Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas — e até as mentirosas. As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas. Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes. As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas. As inteligentes — e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as maduras, as solteiras, as casadas, as separadas. As bem-amadas, e as abandonadas. As livres, e as indecisas. E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um êxtase cósmico, poético e sublime.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas, todo dia. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas. E eu lhes faria poesias de amor. Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência. Entusiasmado, como se cada uma fosse a única. Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.

Todas as noites, eu passaria cremes e encantos no seu corpo. Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e, de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio. Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.

Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a geografia...    Não!

Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem — e como nunca foram amadas.


Só isso, definitivamente. Nada mais, nada mais!

6.3.17

tristeza x alegria

Toda tristeza tem um interesse muito grande em justificar-se e perdurar. Por isso, toda tristeza procura, desesperadamente, afastar a alegria. O inverso também pode ser verdadeiro. A nós nos resta optar pelo lado que melhor nos pareça.

4.3.17

eu amo todos os meus amores

Eu amo os meus amores.

Marina adora fazer amor à tarde, no crepúsculo cor de abóbora da praia de Pitangueiras. Rose prefere os elevadores vazios nas madrugadas silenciosas. Janaína, lençóis negros de cetim ao som de Jon Bon Jovi. Fabiane sempre fica nua quando descemos a Serra em noites de lua cheia. Daniela dança como ninguém. Luísa sempre chega de surpresa, com saias floridas e uma garrafa de vinho. Fátima tem o corpo mais perfeito que já vi em toda minha vida. Adriana conhece Paganini na ponta da língua e me conta histórias bonitas. Danielle sabe fazer pudim gelado e adora o risco de saltar profundo. Joyce Ann, inteligentíssima, tem a delicadeza de Vênus — e incentiva todos os meus amores.

Elaine é aquela cujo nome é outro e mora aqui mesmo no meu prédio. Vanessa é aquela maravilha que de vez em quando vem. P tem o erotismo inocente dos treze anos; R, a experiência deliciosa dos anos que não passam. Alessandra parece ter nascido na ilha de Lesbos: adora fazer amor a três. Ana é sensual até debaixo dágua, e vive lendo Henry Miller. Andressa é a maior expressão de que a natureza pode ser perfeita, em todos os sentidos. Beatriz é a nova doce musa que agora já desponta, exuberante. Todas são lindas e amáveis — e nenhuma delas me suprime a liberdade. Tem ainda Juliana, a filha belíssima da costureira, e que me tira medidas demoradas. Tem a amiguinha da Juliana, que eu conheci ontem... E tem você, por todas as razões que nem preciso dizer. Ah, tem também Carol, aquela menina das meias brancas que a mamãe lava com sabonete Dove, e que estuda no colégio ali da esquina.

Agora você talvez entenda o porquê de eu não escolher uma só. Escolher uma delas — e desprezar todas as outras — seria uma ofensa. Sufocar vários corações em nome apenas da moral é lamentável. Seria um absurdo. Uma traição à Vida. Uma ofensa desnecessária ao Amor e à Liberdade. Além de ser uma ofensa, seria um desperdício imperdoável.

3.3.17

meu pai

Ele às vezes abria duas caçulinhas da Antarctica, me dava uma e, enquanto tomava a outra, olhava-me nos olhos e dizia, amorosamente:
— Você pode me desobedecer, mas só longe de mim.
E eu sentia que isso era uma permissão explícita para que eu vivesse criativamente a liberdade. Esta é a melhor lição que meu Pai me deu.

2.3.17

paraiso

Cada um de nós escolhe o seu próprio paraíso a conquistar. Se no teu existe a Ferrari vermelha ou a bolsa Prada, não vejo problema algum. Assim como acho perfeitamente natural a luta cotidiana por um pedaço de pão ou pela conquista de uma bicicleta nova. Só espero é que você não faça dessa luta um inferno interminável. Deixe as coisas fluírem com leveza e gostosura.

1.3.17

tormentos

Eliminar da nossa vida aqueles que nos causam tormentos é uma obrigação inadiável.

28.2.17

emocoes polidas

Um diamante bruto não tem a beleza de um diamante polido. Com tuas emoções acontece certamente a mesma coisa. Elas são como pedras preciosas. Você pode mostrá-las ainda brutas, grosseiras e apressadas — ou pode refiná-las antes.

Você decide.

27.2.17

jardim

Um jardim se faz de silêncios, poesia e pássaros cantando.

As flores são só coadjuvantes.

25.2.17

carnaval

Às vezes, referindo-me ao Carnaval, eu digo que sou contra "alegria com hora marcada" — mas preciso fazer uma ressalva. Carnaval é coisa de amadores, sim. Daqueles que só tiram a fantasia nesses quatro dias, e depois voltam a vestir suas armaduras da normalidade. Porém, como qualquer festa em que haja música e dança, sexo e alegria, o carnaval merece o nosso respeito, se não o nosso apoio. Embora seja alegria com hora marcada, defendo esse momento de festa. Mesmo porque alegria com hora marcada é bem melhor do que alegria nenhuma. Além do mais, especialmente no Brasil, o carnaval torna-se a Sagração da Sensualidade. O elogio da Safadeza Bacante. A veneração do desbunde. A consagração do amor livre. Um belo tributo dionisíaco à dança. A glorificação do Corpo. Portanto, viva o Carnaval... Viva o Bacanal!

23.2.17

eu preciso

Eu detesto relações ordinárias. O que é comum tem um poder impressionante de jamais me impressionar. Eu preciso é de êxtase. Eu preciso de alegria, de sonhos, de encantos profundos. Eu preciso de companhias brilhantes. De pessoas que vibrem a todo momento, como se a todo momento fizessem amor. Como se aqui fosse o céu... Porque aqui é o Céu.

22.2.17

amor no pico

Nossa obrigação moral é deixar o grande amor no Pico. Se ele terá condições de permanecer aqui — isso já não depende mais de nós.

21.2.17

alexandre

Alexandre, o Grande, com menos de 40 anos já tinha conquistado o Mundo.
Mas, com menos de 50 já estava morto...
Será que adianta?

Reformulando, para que seja melhor compreendido. Claro que tem gente que morre antes dos 50 sem ter conquistado coisa alguma. Mas não é esse o foco do meu texto. Eu aqui me refiro ao desapego como algo superior à ganância. Nesse aspecto eu me lembro de Diógenes preferindo o sol à sombra de Alexandre. Eu me lembro de Jesus e Henry Miller. Eu me lembro de mim (que fico escrevendo ensaios e contando histórias em vez de construir uma casa) e também de você (que encontra tempo para ler poesias, em vez de seguir o rebanho dos que se estressam).

19.2.17

todos os prazeres

Todos os prazeres que tenho vivido nos últimos anos se devem ao meu irrestrito Amor pela Liberdade. Se devem à minha vontade absoluta de ser livre, e à extrema capacidade que tenho de satisfazê-la. Contudo, se eu não tivesse reagido a tempo, com vigorosa determinação, hoje provavelmente estaria casado com aquela tonta que me queria escravo. Ou estaria morto — o que é quase a mesma coisa. Queria, aquela infeliz, colocar grades no meu crepúsculo, e abri-las só quando ele fosse berrante, se a cor fosse correta, e se tivesse plumagem. Caso contrário, a chave da prisão continuaria em seu poder, pendurada numa correntinha de ouro, no pescoço da desgraçada. Ela dizia me amar, mas queria mesmo era ser a minha dona. Naquilo que nós dois concordávamos, ela dizia que eu estava cem por cento certo. E naquilo que discordávamos, ela garantia que eu estava cem por cento errado! Como se vê, ela não tinha o menor respeito, nem por mim — nem pela Lei das Probabilidades.

Essa pessoa a que me refiro no texto acima é uma personagem do meu livro Solidão a Mil — mas pode ser real também. Existem pessoas assim. No fundo, são autoritários que se cobrem com um manto grosseiro de justificativas absurdas: dizem que têm "personalidade forte"... Ora, quem tem personalidade forte, mesmo, nunca reage dessa forma autoritária. Quem tem personalidade forte, realmente, aceita argumentos eventualmente contrários, e se dispõe a discuti-los. Aliás, aceita até mesmo questionar os próprios. Em nome da Lógica, do bom senso — e da elegância.

17.2.17

poesia e liberdade

Só tenho poesia e liberdade, meu amor. Portanto, se você quer exclusividade, procure no Google.

16.2.17

borboleta

A transformação mais maravilhosa não é a da lagarta em borboleta, mas sim a da própria borboleta em borboleta livre.

15.2.17

rosa de amsterdam

Eu quero mesmo é retirar o vermelho de uma rosa de Amsterdam — e pintar com ele as minhas tardes como esta. Eu quero é retirar um pouquinho do azul que me trazem os olhos loucos deste Amor, e depois tingir com esse tanto as minhas noites de luar.

Eu só quero o lado lúdico da coisa, e o lado lúbrico dos dias. Se são úteis, não quero me aproveitar nunca dessa santa e vã utilidade.

No fundo, aqui e agora, eu só quero VIDA — nada mais.

Nada menos.

14.2.17

profundo da vida

Só quem salta inteiro no belo azul profundo da Vida é que pode brilhar de verdade.

12.2.17

viver no meu canto

Algumas pessoas querem que eu seja como Caio, Clarice, ou Cazuza. Querem que eu primeiro morra — para então ficar famoso. Mas que ideia ridícula! Nem pensar... Recuso a sugestão. Prefiro viver assim, quieto no meu canto e minha dança, pleno de alegria e liberdade, tomando vinho branco ou colorido, entre pássaros cantantes, lírios quase brancos, e amores transversais. Afinal, a vida é melhor que a fama. Muito melhor.

11.2.17

amores anteriores

Meus amores anteriores é que me fizeram assim. Com sua paixão infinita, com seus beijos delicados, suas mãos escandalosas, com seus cremes e carícias, seus afagos e ternuras — todos eles me fizeram melhor. Com sua compreensão racional e carinhosa, com seu respeito absoluto à Liberdade, todos me ensinaram coisas novas, belas e profundas. Todos me deram energia, me amaram com doçura e de verdade, me esculpiram. Conforme meu desejo e meu destino, prepararam o meu corpo e minha alma — só pra te encontrar. Agora cabe a você completar esta obra de arte romântica...

10.2.17

vida curta

Se a vida se encurta por nossa causa, temos que reagir. Sêneca dizia que a vida não é curta: nós é que a tornamos — e a desperdiçamos quase sempre em afazeres inúteis, supérfluos, banais, secundários, desprezíveis.

Se você aproveitasse o tempo enorme que perde no trânsito, no trabalho alienado, na educação dos filhos, nas reprimendas aos escravos, nas conversas hipócritas, na fila do banco, no ônibus, no metrô, no avião, na internet; se aproveitasse o tempo que perde vendo tv, ou em papos furados ao telefone; em agendas ridículas, reuniões absurdas, conflitos de família, salamaleques, sermões e orações; se você não precisasse gastar um tempo enorme corrigindo as barbaridades que comete contra si mesmo; se não precisasse ficar se explicando a toda hora para o patrão, para a patroa, para os pais, para os filhos, para os namorados — e para a consciência...

Se não gastasse eternidades tentando encontrar uma saída nesse buraco em que se meteu por descuido; se fosse um pouco mais esperto, um pouquinho mais inteligente; enfim, se você usasse o cérebro e fosse livre de verdade — e independente — a vida não seria tão curta...

Cento e vinte anos de prazer absoluto bastariam!

9.2.17

minha proposta

Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear razões, quebrar paradigmas, romper limites e derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: só faço perguntas. Eu quero é mexer no coração da tua cabeça, carinhosamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados. Passar um pente fino nos caracóis da tradição. Quero questionar tuas verdades mais queridas. Chacoalhar tuas convicções inabaláveis. Não vim, portanto, te propor sossego — nem venho te trazer a paz cansada... Eu te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo. Um salto escandalosamente profundo em direção à Vida.

8.2.17

rolling stones

Rolling Stones

As pedras rolantes são polidas pela própria natureza.

Pedra que não rola fica bruta. Cria musgo. Portanto, seja natural. Deixe-se rolar, livremente. Não estacione. Siga o curso sinuoso das águas vivas. Seja fluente na correnteza da vida. A felicidade é líquida. O verbo é um fluxo. A palavra amor é vibrante. Quem não muda não fala. Quem não muda não dança. Mude. Grite. Dance. Voe.