5.3.15

salvar o corpo

(...) Acontece que não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o ser humano livre é a possibilidade aberta de uma nova vida. Foi por isso que o meu bisavô deixou que a rebeldia lhe subisse à flor da pele. Num certo fim de ano ele tomou aquelas decisões que só os corajosos conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto — e partiu!

Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Então, abandonou TUDO, para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, abraçou algumas dúvidas gostosas, quebrou as algemas — e caiu na Vida.

Não fosse por isso, eu não teria nem nascido — e não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho branco e contando essas coisas pra você. Sou portanto bisneto da rebeldia. Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça. No céu da minha boca não há fogos de artifício...

Só estrelas!

2 comentários:

Edson Marques disse...


Página 5 do meu livro Manual da Separação.

http://mude.blogspot.com.br/2015/03/salvar-o-corpo.html

Flores e estrelas...

Edson Marques disse...

A felicidade só existe na OUTRA VIDA. Dito assim, pode até chocar. Mas é verdade. Precisamos apenas conceituar os termos "felicidade" e "outra vida". Felicidade você (não) sabe o que é. Mas "outra vida" é aquela que você está deixando de viver. Aquela que você hoje troca por qualquer coisa. Por bugigangas e quinquilharias. Por compromissos absurdos, relações opressivas — e erros de avaliação. E por pressa. Muita pressa...