3.11.14

natureza da paixao

Paixões que se dizem eternas são mentirosas. Enganam a vítima. São apenas pedras frias que trazem frustração e tristeza, e nas quais tropeçamos. Acabam se tornando insuportáveis. Ao contrário, as paixões verdadeiras, as deliciosas — as passageiras! — só nos dão prazer e alegria. Mas tem gente que pretende transformar as passageiras em duradouras. Apaixona-se em novembro, e já quer fazer planos para o Natal... É a consagração da insegurança. O abandono do Princípio da Incerteza. O medo do risco e da perda. Ora, se nossa primeira paixão já fosse eterna, teríamos uma só — pelo resto da vida... Já imaginou a chatice?

A natureza da Paixão é ser fugaz. Esticá-la no tempo é torná-la insossa e rarefeita.

Eu gosto de dizer que as paixões devem ter o brilho de um relâmpago — e a mesma duração. Relâmpagos não ficam acesos para sempre. Você vive um, e em seguida risca outro! Mas, não se preocupe: ninguém é obrigado a amar o risco e ser brilhante todo dia.

3 comentários:

Edson Marques disse...


Só a perda abre caminho para o Novo.
E o Novo é sempre fascinante...

http://mude.blogspot.com.br/2014/11/natureza-da-paixao.html

Edson Marques disse...

Assim como um pintor vai colocando cores diferentes, novos traços, novos riscos nos seus qua-dros, eu também vou colocando novas palavras, novos traços, novos sentidos, novos riscos na minha obra de arte romântica. Novas carícias nos meus amores livres. Salvador Dali às vezes demorava dois anos para terminar um quadro. Joyce demorou dezesseis anos para escrever Ulisses e quase outro tanto para Finnegans Wake. Ninguém precisa ter pressa para terminar uma obra prima.

Nádia Santos disse...

Ah Edson, vc é incrível.
Dá pra ter um meio termo? rsrrsr
Bjuss doces