1.10.14

flores gratissimas

As flores são mesmo ingratas: a gente as ganha para que sejam eternas, mas então elas desistem no meio do caminho. Murcham, secam, e depois morrem, assim sem mais, nem menos, "como se entre nós nunca tivesse havido... Vênus". E morrem talvez por desespero — talvez até por amor não respondido — antes que a gente mesmo as abandone, amorosamente, ao seu próprio perfume imortal que se acabou. As flores — quando colhidas — são mesmo ingratas...

Por isso, jamais eu colho essas flores que encontro nos jardins da minha vida. Quando vejo algumas, lindas, ofereço-as aos meus amores, delicadamente, mas deixo-as onde estão: no próprio caule da plantinha inocente que lhes deu origem. E então eu fico assim — distribuindo flores, todo dia, o dia todo...

Um comentário:

Edson Marques disse...


J.A. : UMDVS!


http://mude.blogspot.com.br/2014/10/flores-gratissimas.html

O poema do Leminski (sobre cuja ideia me inspirei para o texto de hoje) tem que ser lido às avessas...

Já fui visitar a minha Mãe, dei-lhe flores e carinhos, e já estou ouvindo passarinhos! Acho que agora farei um café. Depois, saltar profundo, como sempre...

É a vida!