6.7.14

desesperando godot

Ontem à tarde, enquanto tomávamos vinho branco nos braços eternos de um amor passageiro, deitados eu e ela, a morena menina de lírio amarelo, ali no chão da sala, entre as esperanças derramadas no meu colo por Godot, tive um duplo insight: incorporei o insuperável Samuel Beckett — e comecei a falar... Por isso, com base nele e no seu personagem Malone, quero dizer o seguinte: O tempo que temos aqui na Terra é muito curto para que o percamos com outras coisas além de nós. Porque, vocês sabem, não se vive de verdade à espera de um Godot: é preciso que o busquemos dentro do nosso próprio peito, urgentemente, bem no fundo desse sonho delicioso e livre que agora sonhamos.