26.5.14

eramos dois

ÉRAMOS DOIS

Éramos dois
como se fôssemos mais,
e éramos tantos
como se dois
apenas.

Então,
a porta do meu peito
se abriu
como um sorriso terno
que beijava o sol
daquela tarde:

As dobradiças não rangeram,
não havia perfume
de amores antigos,
nem se crisparam as mãos.

E o sorriso da porta
cresceu
de forma tranquila
e se fez palavra.

Naquela tarde
não houve sombras
na minha espera.

Edson Marques

5 comentários:

Edson Marques disse...


ÉRAMOS DOIS

Éramos dois
como se fôssemos mais,
e éramos tantos
como se dois
apenas.

Então,
a porta do meu peito
se abriu
como um sorriso terno
que beijava o sol
daquela tarde:

As dobradiças não rangeram,
não havia cheiro
de coisas antigas,
nem se crisparam as mãos.

E o sorriso da porta
cresceu
de forma tranqüila
e se fez palavra.

Naquela tarde
não houve sombras
na minha espera.

Edson Marques



http://mude.blogspot.com.br/2014/05/eramos-dois.html

Acordando agora, duplamente...

Edson Marques disse...


A versão original, publicada no meu livro Solidão a Mil, era assim:

Éramos dois como se fôssemos mais, e éramos tanto como se dois apenas. Então, a porta do meu peito se abriu como um sorriso delicioso que beijava o sol daquela tarde: as dobradiças não rangeram, não havia perfume de coisas antigas, não se crisparam as mãos. E o sorriso da porta cresceu de forma tranquila — e se fez palavra. Naquela tarde não houve sombras na minha espera.



Mudei.
Versifiquei.

Flores...

Edson Marques disse...


Ninguém mais controla aquele que Deus liberta.

Anônimo disse...

sou uma, na solidão do viver e se perder à cada momento.
não solidão de seres, a solidão de uma nação que pede socorro e dela faço parte.imposta solidão pois esperam somente que partamos.
cruel e dominadora, obstinada e crente em impunidade eterna.
sonhas delira, afasta te, sem dizer porquê.
minha porta range e pouco sorri,
mesmo com muitos sorrisos que entram.
nem todo poeta pode tocar na ferida.

Edson Marques disse...


Talvez nem haja ferida.
Nem metáfora dela...

Pense nisso!