31.1.14

se mata pra viver

Tem gente que se mata por aquilo que chama de vida. Despreza a liberdade e assume relações opressivas. Por isso, usa relógio de pulso, agenda, telefone, celular, e até barbantinho no dedo. Ama o despertador de plástico e o cartão de ponto como se amasse dois deuses simultâneos. Toma ônibus, avião, táxi, metrô, balsa, moto, bike, lotação, elevador. E ainda sobe escadas, inclusive rolantes. Tudo com pressa. Trabalha, trabalha, trabalha, se ferra, se humilha, suporta, bajula, atende, digita, preenche. Rasteja, engole, se agita, se afasta, se agride, se ofende, se junta e separa de novo. Adoece, empacota, vomita, remenda, cozinha, lava e passa. Se prende, se amarra, se enrola, se curva, se apaga! Obedece, obedece, obedece. Se anula...
Mas — incrivelmente — ainda sobrevive!

5 comentários:

Edson Marques disse...

Já comi duas laranjas e uma banana. Pão de forma com manteiga Aviação e geleia de abacaxi. Um copo de leite. Daqui a pouco um café com Deus e açúcar. Mais tarde, visita a uma nova obra em Moema.

É a vida...




Mas tem gente que se mata pra viver.
Deve ser um horror!

http://mude.blogspot.com.br/2014/01/se-mata-pra-viver.html

Edson Marques disse...

Quem tem Deus no coração não precisa ter cuidados especiais com suas atitudes, pois elas todas serão benditas.

Edson Marques disse...

Aquilo que é dito por quem tem Deus no coração não reflete o que pensa o proprietário do coração, mas sim seu habitante.


Acabei de escrever isso no Facebook, em resposta ao meu ex-professor de português, Samuel Barbosa.

Edson Marques disse...

De nada adianta liberar os instintos sem lhes dar um sentido. Por isso, escrevo. Mas, assim como Teseu, antes de uma grande jornada (literária, poética, romântica, amorosa, tanto faz), procuro tornar os Deuses favoráveis ao que pretendo. Antes de qualquer aventura, portanto, eles me abençoam e derramam flores recém-colhidas na minha cabeça aberta e gloriosa. Não quero, porém, que me digam para onde devo ir, porque toda aventura tem que ser original. Só peço é que não me tranquem os caminhos que eu escolho.
Então me jogo de cabeça no meio Delas...

Afinal, sou eu mesmo o melhor fruto das minhas próprias inquietações.

Helena disse...

Mas o melhor, ainda, seria viver ao invés de apenas sobreviver.