23.11.13

orelha link

Quando ganhei o Prêmio Cervantes (em 1993), ela não foi comigo, porque não suportaria me ver tão amado pelas outras na cerimônia. Dora me dizia que seu ciúme esmagava-lhe a própria alma. Aquele câncer chamado ciúme aumentava-me as dores e as penas, amputava-me as asas, me prendia, me amarrava, sufocava. E um poeta de asas cortadas vai ficando gelado.
Minha vida virou uma verdadeira prisão.
Só me expressava escrevendo.

3 comentários:

Edson Marques disse...

Baseado em fatos reais, exceto a prisão e a orelha.

Ganhei realmente o Cervantes Brasil. Dora existiu de verdade, sendo que ficamos casados por quase cinco anos.

É a vida!

Link do texto completo (exceto a cena da orelha):
http://mude.blogspot.com.br/2011/03/orelha.html

Unknown disse...

Edson, obrigado por mostrar que a vida é sempre uma delícia, que há uma caminho lindo e louco, doido para ser trilhado. Não deixe de vir a Fortaleza. As praias daqui são ótimas, sem falar nas sereias. Aqui se pode sonhar. Um forte abraço! Anderson R. Santiago

Edson Marques disse...

Todo louco pensa que é sábio e Deus. Todo sábio pensa que é Deus e louco. E todo Deus pensa que é louco e sábio... Temos que organizar essa bagunça. No fundo, eu acho que a alegoria da Santíssima Trindade pode significar exatamente isto: o Pai é Deus, o Filho é Louco, e o Espírito Santo, Sábio.