25.1.13

dora cervantes

Quando ganhei o Prêmio Cervantes, ela não foi comigo, porque não suportaria me ver tão amado pelas outras na cerimônia. Dora me dizia que seu ciúme esmagava-lhe a própria alma. Aquele câncer chamado ciúme aumentava-me as dores e as penas, amputava-me as asas, me amarrava, me prendia. E um poeta de asas cortadas vai ficando gelado.
Minha vida virou uma verdadeira prisão.
Só me expressava escrevendo...

7 comentários:

Edson Marques disse...

Baseado em fatos reais. Eu realmente ganhei o Prêmio Cervantes Ibéria 1993 (com 30 dias na Espanha), e Dora era mesmo um dos meus amores. O texto publicado no link — Orelha — foi o vencedor na categoria Contos. Depois trago mais detalhes a respeito de tudo isso. Vou agora fazer um café com água benta, aguar os pezinhos de lírio (também com água benta) — e dar banana aos azulões...
É a vida!

http://mude.blogspot.com.br/2013/01/dora-cervantes.html

Suzi disse...

Edson, boa tarde, boa noite...!
O mesmo a todos.

Intrínseco com o aparecimento do ser humano. Os sentimentos. Todos.

Deus fez o kit completo.

Minha escolha deixar numa prateleira bem alta estórias da minha história que me feriram. O que tive que aprender com elas, aprendi e ponto. Se não aprendi nada, azar o meu. Vou me estrepar seguidas vezes.

Se eu as revivo, as repiso, sofro outra vez, ou... Se a cura veio, não vão significar mais nada. Mais um motivo para nem lembrar-me delas.

Isto diz de mim, não de poetas, filósofos, humanos nas palavras, com estes não! Têm que nos contar, recontar, sofrer e “re-sofrer”.

A vida mansa, a vida autômata - com seu cotidiano bem previsível - sem novidades, sem alguma agrura, sem alegrias depois do antes, vão produzir o quê? Tédio.

Vocês, mais que nós outros, naturalmente carregam a intensidade no sentir, a sensibilidade no ar que respiram. Imagino que, o que possa ser triste, será mais triste. O quer for sublime e alegre, nem dizer... Some-se a essa condição duras passagens e perdas...

Lendo você, apenas torço que não sofras enquanto nos conte de você... A platéia é rotativa, dinâmica e renovada a cada instante – como você bem disse e eu agora entendi.

Edson, meu carinho, e dizer-te que fiquei muito feliz, conheci outro Edson na tua literatura hoje. Adorei. Falta ler mais duas vezes. Reler.

“Quanto mais EDSON melhor!”

Beijo.

Edson Marques disse...

Suzi,

Que belo comentário!
Adorei!

Com uma ressalva (que suponho valha para todos os escritores do mundo): quando um determinado personagem "sofre", isso não nos dá o direito de concluir que o autor também sofra.

Parece-me óbvio, mas preciso dizer... rs!

Aliás, nessa minha história o personagem está numa prisão (nunca estive, exceto no DOPS), a mãe o abandonou (a minha jamais!) e ele arranca a orelha da própria mãe a dentadas — coisa que nunca me passou pela cabeça. Aliás de novo: quando minha Mãe leu esse texto quase morreu de rir...

Um segredo que agora posso revelar: essa história saiu num antigo jornal de São Paulo, chamado Notícias Populares. Li a manchete numa banca e resolvi fazer uma ficção em cima dela. Como qualquer escritor, suponho. Deu certo: ganhei um Prêmio com ela!

Quanto à Dora, ela realmente existiu, e eu a amei de verdade! Mas não era tão ciumenta assim. Se fosse, o poeta teria fugido na primeira madrugada... rs!


Flores!

sonia k. disse...

Eu havia conhecido Dora em outros escritos seus, inclusive comentando sobre o prêmio Cervantes que recebeu.
Falou dos ciúmes dela e de sua consciência em não comparecer ao evento pra não sofrer. Podia ser ciumenta, mas era inteligente.

Acabo de assistir uma discussão feia aqui motivada por ciúmes - que sempre são exagerados e se mesclam com insegurança e infantilidade.
Imagine que besteira uma garota linda, de 17 anos, se doendo por bisbilhotar o facebook do namorado e ligar falando "bicho" e ouvir mil "bichos" de volta. Ele tentando explicar que se quisesse estaria com outras e não fixamente com ela há 4 anos! Mas como explicar qualquer coisa quando o sentimento se instala e idiotiza as pessoas, não é?
Lembrei-me muito de você e suas colocações quanto a esse sentimento de posse que a maioria das pessoas tem.

Seu conto comentado ainda não tive o prazer de ler, mas suponho que seja um misto de agressão e ternura, junto com boa dose de realismo dentro da ficção.
Realmente, querido, se inspirar no Notícias Populares e escrever um conto que chegou à premiação, é coisa só de gente como você mesmo.

E quanto ao escritor não sofrer com seus personagens, acho que às vezes colocam suas próprias dores ali, ou atuam com perfeição, para conseguirem motivar o leitor. Acho que se transmite alegria, tristeza, agressividade, felicidade, sempre sentindo um pouco também, até pra se conseguir repassar com mais realidade.
Já ouvi dizer que os poetas são tristes por natureza e por isso conseguem colocar nas palavras os sentimentos mais profundos. Não concordo plenamente com isto, mas são conceitos que se ouve.

Não entendi a colocação da Suzi, feliz por ter conhecido outro Edson na literatura de hoje. Via-o com mais ou com menos sensibilidade e intensidade?

Desejo sincero de que nunca sejam presas de gritos de posse mal colocados. Ao primeiro grito corram mesmo.

Carinhos e carinhos nessa tarde que já vai passando pra noite.

Suzi disse...

Sei...

Suzi disse...

Sonia... olá
boa noite!

O comentário acima é direto e reto para o Edson.

Agora eu te explico o que ficou de dúvida em sua cabecinha.

É que adorei ler algo, que não fosse o evangelho, algo de ficção muito bem escrito.

Acredita, senti até pena de não ser um livro bem grossão, que pudese levar para uma rede, embaixo de minhas queridas árvores, e ficarmos lá, só nós dois, eu e Edson...

Amei o ritmo que ele tem de conta.

Ah! E os pássaros também... azulões aqui têm de monte!

Beijo grande e saibas, outro escritor amigo, disse as mesmas palavras que você disse acima, de como se sente. Tal e qual.

Suzi disse...

Amei o ritmo que ele tem de CONTAR E ENCANTAR.