31.12.12

fome

Já é dia 31, último do ano 2012. Acabei de jantar, nesta quase madrugada. Uma comida que eu mesmo fiz, amorosamente, logo após ter escrito um texto complexo para um dos meus projetos. E fico aqui pensando: nunca passei fome, em toda minha vida. Considero isto uma bênção. Tive a sorte de poder, junto com meu pai, aos 16 anos, abrir um restaurante que ainda hoje existe, e onde eu comia picanhas e filés no almoço e no jantar. Porém, comunista que sou desde que nasci, preocupo-me com os famintos. Pois a fome é sempre dolorida. Nesse sentido, quero aqui elogiar o Governo Alkmin — de quem sou adversário político — no que se refere ao Restaurante Bom Prato. É uma coisa altamente elogiável. E hoje, apesar das dezenas de convites que já recebi para a ceia do Réveillon, eu gostaria mesmo é de jantar num restaurante desses. Junto com o povo. Pagando R$ 1,00 pela refeição. E é o que vou fazer.

Porém, não foi possível. Descobri que os restaurantes Bom Prato, mantidos basicamente pelo Governo do Estado de SP, embora elogiáveis no propósito, só funcionam para o almoço. Acho (sem ironia neste meu julgamento) que o PSDB considera que os pobres não costumam jantar...

13 comentários:

Edson Marques disse...

Sinceramente.
http://mude.blogspot.com.br/2012/12/fome.html

Edson Marques disse...

Com uma exceção que agora me lembro. Foi quando, em janero do ano passado, fiquei 27 dias na casa da minha Mãe. Sim, passei fome — não por falta de comida — mas por duas razões (que cito em detalhes no meu livro Não Estou à Venda!). O importante é que baixei o meu peso de 78kg para 73,8kg. Que considero o ideal para minha altura de 1,80m.

Essa, portanto, foi a única vez na minha vida em que passei fome... Eu não jantei praticamente nenhum dia. Na última noite em que lá fiquei, por ter sido tão inusitado o meu jantar, fiz até uma foto do meu pratinho de macarrão. Foto que para mim, hoje, tem um simbolismo inesquecível. Contudo, durante 26 dias, almocei ao lado da minha Mãe, deliciosamente. Ela, à cabeceira da mesa, e eu sempre à sua esquerda. Religiosamente. Sempre!
Inesquecivelmente!
Tenho saudades desses 26 almoços ao lado dela. Tanto, que poderia neste próximo janeiro repeti-los...

Vou pensar.

sonia k. disse...

Bom dia! Não consegui sonhar com Deus, mas acordei ótima.
Se eu fosse você iria almoçar muitos dias com sua mãe.
Que me dera poder almoçar, jantar, sentar ao lado pra conversar com a minha mãe.
Tivemos 58 anos de convivência diária e constante (Jesus a levou aos 94 anos pra falar um pouco com Ele), deixando uma saudade deeesse tamanho pra sempre em meu coração.

V. já sabe, pois noto, mas colo de mãe é o melhor do mundo. E a compreensão dela com a gente, mesmo não entendendo nada é impagável.

E eu adoraria a experiência de fazer a ceia com os moradores de rua sentados à mesa do Bom Prato. Quando tenho oportunidade e converso com alguns por aqui, sempre trago muito mais deles do que acho que deixo de mim. Não por sensibilidade comunista, até porque - me perdoe - acho comunismo de intelectual que vive bem, tema para discussão tão somente - mas por sentimento humano mesmo.

Feliz dia 31 e felizes todos os dias!

Edson Marques disse...

O livro a que me refiro no segundo comentário acima é o Teoria do Acaso, e não aquele...

Edson Marques disse...

Sonia,

Eu te desejo sonhos com Deus!

Concordo quanto às delícias de um colo de Mãe. Sabe, uma confissão: além da questão da ameaça fatal à minha liberdade, uma das razões pelas quais nunca quis ter filho, foi o receio de que fosse verdade um mito que corre por aí: de que as pessoas, após terem filhos, preferem estes à própria mãe. Não quis, e jamais quererei correr esse risco!

Que preconceito é este, Sonia? Quer dizer que para ser comunista não se pode nem ser intelectual e nem rico? Tem que ser pobre e... burro?!... rs!

Flores!

sonia k. disse...

Mãe é mãe. Filhos são filhos. Netos são netos. Todos amores diferentes e que não se sobrepõem nem se desmerecem.
Acho que a perda de um filho é a maior dor que se possa sentir, afinal é um pedaço da gente que se descola pra sempre. Mas todas as perdas são muito doloridas e sofridas. Com o tempo se tornam doces lembranças e uma grande saudade.

Não sou preconceituosa em nenhum aspecto. V. radicalizou o que eu disse. O que não aceito é o que assisti por muitos anos. Um bando de barbados sentados à mesa com Chevas Reagal ou Royal Salute sendo consumidos, discutindo a pobreza que nem de longe tinham real conhecimento ou vivência. E nunca vi encontrarem solução palpável ou colocarem em ação o que pudesse pelo menos colaborar pra minorizar o problema.
E v. sabe que acontece muito disso. Os sistemas, nas bases de suas criações, são todos quase perfeitos. Vão se deteriorando na vivência e nos seres que se incumbem de colocá-los na prática.
Acho que lhe falei há pouco tempo que o verdadeiro Socialista pregaram na cruz.
Pelo menos é o que nos restou da história.

Espero que tenha me compreendido.
Carinhos pelo dia afora.

Rosângela Cunha disse...

Meu poeta sempre tão lindo!!!

Edson Marques disse...

Sonia,

Volto ao caso dos filhos. Sua perda "é a maior dor da mãe", como você disse. Porque são "partes" da mãe. Porém, do meu ponto de vista, do meu exclusivo (e privilegiado, porque racional) ponto de vista, a mãe também é um pedaço do filho. Só que muito maior.
É isso que eu penso.

Quanto a ser comunista e ficar discutindo o Sistema ao lado de Royal Salute, isso eu nunca fiz. Não gosto de whisky. Mas tomando Stoli, sim... rs! Aliás, eu acho que todo mundo que só tem dinheiro para tomar pinga ruim deveria ser comunista. E também deveria ser comunista todos que acreditam na mensagem de Jesus.

Refutar o comunismo alegando que os sistemas implantados em alguns países (URSS, Albânia, China, etc.) eram péssimos — isso não satisfaz ao filósofo que sou. Nem ao poeta. E eu acho que é possível, sim, discutir a pobreza sem tê-la conhecido. Assim como se pode discutir a morte, sem ter morrido... Basta ter o dom de fazer abstrações... rs! Mas, um dia poderemos discutir a respeito, amigavelmente, sem pressa, ao lado de um bom vinho francês, ou de um Cabernet Sauvignon qualquer, de boa cepa... rs!

Enfim, em certos casos, defendo até mesmo o Capitalismo. Segundo Marx, depois dele é que deverá vir o Socialismo.

(Sei que você sabe dessas coisas, mas repito-as aqui para que outros leitores se sintam tentados a participar.)

Flores!

Edson Marques disse...

Rosângela,

Você, com teus textos e atos, também dignifica a Poesia.
E muito!


Flores...

Cris Henriques disse...

Edson,

Os teus textos fazem-nos reflectir, como tal sugiro que não mudes. No entanto, se tiver que acontecer, Assim seja! Mas que seja eventualmente para melhor.
Feliz 2013!
Lancei um desafio no blog, convido-te a participar com muito gosto.
Obrigada!
Segue o link:

http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.pt/2012/12/presentes-de-natal.html

Beijos,

Cris Henriques

Edson Marques disse...

Só ontem eu descobri que os restaurantes Bom Prato, mantidos basicamente pelo Governo do Estado de SP, só funcionam para o almoço. Acho (sem ironia neste meu julgamento) que o PSDB considera que os pobres não precisam jantar.

Farei uma reclamação formal, via Poder Judiciário.

sonia k. disse...

Como o PT está precisando se redimir, quem sabe sua reclamação para o jantar possa ser atendida, não é?
De qualquer forma, depois de tantos fatos, apelar para o Poder Judiciário é sempre uma ideia...
Só falei de Partidos aqui respondendo o que falou, pois hoje sou totalmente avessa a política, políticos e tudo que se reporta a tais. O tempo me fez desacreditar de pessoas, de partidos, de intenções, de falácias, de atuações pós poder instalado e anarquia quase integralizada.
Tenha lindos dias em 2013.

Edson Marques disse...

Sonia,

Durante um bom tempo de 1979, uma sexta-feira por mês, à noite, Lula comparecia às reuniões que fazíamos na UBE (União Brasileira de Escritores), na Rua 24 de Maio, em SP. Formávamos um grupo de intelectuais. Eu, ainda estudante de filosofia na USP, seguramente não era um intelectual, strictu sensu, mas os demais, não sei por que cargas dágua, achavam que eu fosse. Lula gostava de mim, talvez porque supunha que eu fosse alguém importante... (Essas coisas eu conto em detalhes num volume ainda não publicado do meu livro Teoria do Acaso). Eu, marxista como era, queria porque queria trazer aquele líder sindical para a "esquerda real" — o que certamente o PT, na proposta do Lula (sem quase nenhuma formação teórica, apesar do intenso apoio do José Álvaro Moisés) não seria jamais.

Não consegui demover o Lula da ideia de fundar o PT. E hoje, depois de tudo, podemos concluir que ele estava certo, e eu, errado.

É a vida.

Depois disso, nunca mais me encontrei com Lula. Mas votei nele em todas as eleições em que se candidatou. Gosto do PT, mas nunca me filiei ao Partido. E nunca (naquela época) namorei as meninas do PT: não raspavam os pelos das axilas... rs!

/// Pedaços da minha breve biografia. ///

Votei no Haddad, e acho que será um bom prefeito de SP. Futuro governador do Estado, suponho.

Quanto a ser o PT (segundo a maioria dos juízes do STF) o único partido composto por corruptos no Brasil — discordo.

É a vida.