7.12.12

cartilha

Meu livro nada mais é que uma cartilha, que pretende ajudar quem já é livre a ter sucesso. Mas um sucesso relativo, é bom dizer. Porque eu o ajudo a libertar-se ainda mais. Faço com que ame a liberdade acima de todas as coisas. Se for corajoso, salta comigo — e dançamos juntos no espaço infinito que criamos ao saltar. Mas, se não for tão corajoso, se já estiver abraçado com firmeza ao poste enorme das crenças insensatas, pelo menos fica sabendo que na hora certa não se salta: tem que ser na hora incerta. E não importa a idade que tenha: acaba sabendo quanto tempo de vida já perdeu — e que ainda pode saltar antes que morra. O exemplo é meu bisavô, que só saltou aos 62 anos de idade. Mas se o leitor é do tipo que não salta de jeito nenhum, que prefere até morrer antes mesmo de morrer, tudo bem: dou-lhe uma dose mortal de compreensão. Como se vê, meu livro é uma cartilha... Mas só serve pra quem já sabe ler.

Por falar em meu bisavô, ele gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, feito convite, descalça, vestidinho de chita, cabelos soltos negros, meio ressabiada... Então o fazendeiro corajoso abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas sempre se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções (...) Continua.

9 comentários:

Edson Marques disse...

Coisas da vida.

http://mude.blogspot.com.br/2012/12/cartilha.html

Suzi disse...

Bom dia, Edson! Palavras tão profundas quanto o salto que nos propõe. Palavras que me fazem lembrar outras que de tempos para cá estão presentes em mim: “descondicionamento”, exercício, desapego, experimento. Difícil, mas a coisa boa é que estou quebrando todas as pontes. O pouco que já tenho colhido diz que sim – minha carta agora é “o ceifador, morte”, justa como luva - não é fácil, é diferente para cada um, mas que sim, vale toda a pena. Agradeço ter te conhecido.

Suzi disse...

MUDO a palavra "colhido" pela palavra "vivido".

sonia kahawach disse...

Ser cartilha é lindo, mas engloba uma responsabilidade maior que a beleza.
Tenha um lindo dia.

Edson Marques disse...

Suzi,

Descondicionamento.
Boa palavra.
Vou utilizá-la logo mais, depois de definir o conceito.

Flores...

Edson Marques disse...

Sonia,

Foi um risco chamar esse meu livro de "cartilha". Bem sei. Mas agora é tarde para fugir dessa "responsabilidade"...

Flores!

Edson Marques disse...

Nunca é tarde demais para tornar-se um rebelde.

Suzi disse...

Falando em "palavra", tem uma outra que esta em moda, e estou adorando decifrá-la: inconvencional.

VIDA E LIBERDADE disse...

A rebeldia nasce conosco,só espera a hora certa de se revelar ...mas algumas pessoas morrem com ela sem saber da gostosura que é ...

boa madrugada , poeta....

quente...muito quente...


beijos

Lisa