21.6.12

a fervura da agua

Hoje eu vi uma cena impressionante: Joana fazia o café quando seu filho lhe perguntou:
— Mamãe, quanto tempo demora pra ferver a água?
— Uns dez minutos — ela respondeu, dando o assunto por encerrado.
E o menino ficou ali, sentadinho ao lado da mesa, imerso em dúvidas e olhando para a fumaça que saía pelo bico da chaleira, enquanto a mãe se afastava para abrir a geladeira. Como se pegar um pote de manteiga fosse mais importante do que dar uma aula de lógica ao filho... E eu fiquei pensando que deveria existir um "Curso de Mãe". Obrigatório. A nenhuma mulher seria concedido o direito de ter filho se não passasse, com louvor, nos exames desse curso. Enquanto não souber a diferença entre vitaminas hidro e lipossolúveis, por exemplo — não tira o diploma. Enquanto não ler e entender o livro A Nova Criança, não tira o diploma. Enquanto não conhecer um pouco de Freud nem ser capaz de falar em duas línguas com o filho — não será aprovada. Nesse caso, a possibilidade de ter um filho será zero. Absolutamente zero!

Eu sei que o que proponho é algo ideal. Nem tudo são flores na vida das pessoas. Nem todos têm chance de preparar-se, de refinar-se. O sistema acaba atropelando quase todo mundo. O tempo é escasso. As pressões são infinitas... Eu compreendo. A inteligência emocional é coisa rara. /// Essa história continua. Mas o texto ficou longo demais, e ainda não decidi se vou publicá-lo todo aqui. Eis mais um pedaço:

Entretanto, se passar nas provas, ela, além de boa mãe, ficará inclusive mais esperta para escolher o marido... Mas, voltando à fervura, eu não interferi nessa questão porque não sou o pai de Pedro. Sou apenas o tio. Aliás, o pai (meu cunhado) talvez nem mesmo saiba por que emprestou os espermatozóides para gerar essa amável criança, há cerca de sete anos. Esse pessoal parece que faz filho como se estivesse fazendo amor — com "a" minúsculo. Sem projeto algum. Sem responsabilidade alguma. Sem planos para o destino do fruto. Mas essa é outra história. Quero voltar à pergunta do Pedrinho, e às lições que dela podemos tirar.

Coloquei-me, então, mentalmente, no lugar da atarefada Joana. Ao ouvir a pergunta do filho, eu largaria tudo que estivesse fazendo e me sentaria ao lado dele. Desligaria o fogo, pegaria nas mãozinhas dele, olharia bem no fundo dos olhinhos dele, e lhe diria, sorrindo:
— Filho, o tempo de fervura da água é variável. Depende de uma série de fatores...

4 comentários:

Edson Marques disse...

A história continuou. Tomei o café, mas Pedrinho... coitadinho do Pedrinho!
http://mude.blogspot.com.br/2012/06/fervura-da-agua.html
Volto mais tarde.

Edson Marques disse...

Já escrevi mais um pouco:


Entretanto, se passar nas provas, ela, além de boa mãe, ficará inclusive mais esperta para escolher o marido... Mas, voltando à fervura, eu não interferi nessa questão porque não sou o pai de Pedro. Sou apenas o tio. Aliás, o pai (meu irmão) talvez nem mesmo saiba por que emprestou os espermatozóides para gerar essa pobre criança, há cerca de sete anos. Esse pessoal parece que faz filho como se estivesse fazendo amor — com “a” minúsculo. Sem projeto algum. Sem responsabilidade alguma. Sem planos para o destino do fruto. Mas essa é outra história. Quero voltar à pergunta do Pedrinho, e às lições que dela podemos tirar.
Coloquei-me, então, mentalmente, no lugar da Joana. Ao ouvir a pergunta do filho, eu largaria tudo que estivesse fazendo e me sentaria ao lado dele. Desligaria o fogo, pegaria nas mãozinhas dele, olharia bem no fundo dos olhinhos dele, com alegria, e lhe diria, sorrindo:

(...)

Isa E. disse...

Eu ainda não sou mãe, mas dói pensar nesse descaso...E no abandono da ausência de respostas.

Marisete Zanon disse...

Acho que você é uma enciclopédia ambulante,mas infelizmente ou felizmente nem todos são iguais. Tudo aqui me parece a ferro e fogo, imposto por um ditador...rss...Apague o comentário se quiser, mas estou fazendo meu comentário. Os textos são ótimos, só não gostei do autoritarismo e você nos pede para inventar uma maneira DE SER LIVRE (?). Com todo respeito!
um abraço.