20.4.12

joyce ann

Mais duas coisas sobre ela. Aos treze anos, veio correndo até mim e pediu-me quinze reais. Foi a única vez que me pediu dinheiro. Pra quê, perguntei. Pra comprar um passarinho tão lindinho... Fui lá ver. Mas esse preço é com gaiola e tudo? Não. Ela ia comprar a avezinha para soltá-la da gaiola, ali na praça. Segunda coisa. Ontem à tarde ela estava em frente a uma vitrine no Guarujá, olhando um vestido branco. Eis que passa ao seu lado uma menina mancando, com a perna direita bastante queimada. Ela pergunta o que aconteceu. Queimadura de óleo fervente, disse a menina. Está doendo muito, mas não tem mais pomada e não posso comprar outra. Sabe o que Joyce Ann então fez? Abraçou a menina demoradamente, e deu-lhe o dinheiro todo com que compraria o vestido. E depois, à noite, pediu-me que a levasse à humilde casa da menina. Levar umas compras, um tubinho de Sulfadiazina de prata 1%, e doze claras de ovos.

Tem como não amar alguém assim?


E as pessoas me perguntam por que então me separei de Joyce Ann, se ela é realmente assim. Ora, porque eu prego exatamente isto: as relações de amor devem sempre acabar no pico — e por consenso. Depois do pico não existe mais nada, exceto talvez uma ribanceira. Eu e ela nos separamos no Pico porque o Pico é o melhor lugar possível para se deixar um grande amor. Ou vocês acham que eu deveria abandoná-la no sopé da montanha?

6 comentários:

Edson Marques disse...

Baseado em fatos reais.
Extremamente reais.
Deliciosamente reais!

http://mude.blogspot.com.br/2012/04/joyce-ann.html

É a vida - em todos os sentidos!

Edson Marques disse...

E as pessoas me perguntam por que então me separei de Joyce Ann, se ela é realmente tudo isso. Ora, porque eu prego exatamente isto: as relações devem acabar no pico. Depois do pico não existe mais nada – exceto uma ribanceira. Abandonei Joyce Ann no Pico porque o Pico é o melhor lugar possível para se deixar um grande amor. Ou vocês acham que eu deveria abandoná-la no sopé da montanha?

Hoje, 20 de abril de 2012, estou em SP. Continuando o texto acima. Às 14h14, logo após ter conversado com ela, que acabou de me ligar (do Guarujá) para me perguntar algumas coisas sobre a nova empresa. Amo essa menina — mas jamais nos casaremos de novo! Para nos pouparmos mutuamente de uma queda... rs!

Cláudia Borges disse...

Jamais a deixaria!!! Porque o amor é isso. Ele se alterna, não existe um pico e um sopé de montanha, mas vários, assim como nós alternamos, mudamos, ou tudo, até a felicidade no seu pico máximo seria um grande tédio se não houvesse um sopé de uma montanha....mas o medo do sopé faz a gente perder também este pico, e perdemos um grande amor por não saber amar simplesmente porque Edson é Edson e ela é ela...como disse um dia Montaigne.

Edson Marques disse...

Cláudia, em verdade eu nunca a deixei: Joyce Ann continua comigo. Nos amamos, profundamente. Ainda que ela hoje tenha outro namorado... Mas sabemos que ele, no processo, é secundário... rs!

Flores!

Gabriel disse...

Se todas as pessoas pensassem e agissem como você , Edson...as separações dolorosas e mal resolvidas , deixariam de existir .
Como dá para perceber, é tão fácil ser feliz e viver bem!!!É tão bom amar alguém que também sabe amar!!!
Mas as pessoas normais, não suportam isso,preferem sofrer...são perversas consigo mesmas...
Amar é muito bom e ainda mais sendo amada e tendo essa certeza!


Lindo poeta...só você existe!!!

Lisa

Edson Marques disse...

Oi, Lisa!

Viver feliz é fácil.
Basta ser feliz... rs!

Mas, como você deixa implícito no teu comentário, as pessoas comuns nunca serão felizes!

Flores...