30.4.12

andre e a promessa

André era um menino de sete anos que eu conheci certa vez num sítio em Pedra Branca, SP. Ele tartamudeava e era extremamente tímido, talvez por isso mesmo. Filho único de um casal de caipiras, quase mudos, muito pobres. André queria falar. Quando lhe perguntávamos alguma coisa ele tentava responder, mas só saíam palavras trêmulas, ininteligíveis. O que ele saiba bem era reproduzir o som das galinhas, do porco, do cavalo e dos passarinhos. Ele imitava bem os animais e as aves. O jacu, o bem-te-vi, a sabiá... Então, olhando nos olhos dele — como se olhasse nos olhos do seu irmão — eu lhe prometi, numa tarde de domingo em Pedra Branca, eu lhe prometi que lhe daria um rádio. Para que pudesse ouvir vozes humanas e aprendesse também a reproduzi-las. Um rádio de pilhas, porque lá no ranchinho deles não tinha luz elétrica. Mas até hoje eu não voltei a Pedra Branca. Tenho que cumprir logo essa promessa. Deus não esquece nunca das promessas que a gente faz.

E você, tem promessas em aberto — ainda não cumpridas?

3 comentários:

Edson Marques disse...

Quanto tempo será que André ficou esperando seu radinho de pilha? Quantas tardes de domingo será que André não ficou esperando o retorno daquele carro preto, brilhante, com um rádio de pilhas, embrulhado em papel de presente no banco de trás?

http://mude.blogspot.com.br/2012/04/andre-e-promessa.html

Agora talvez um rádio não baste. Melhor um tratamento fonoaudiológico no hospital da cidade. Espero que Deus compreenda...

É a vida.

Eliane Accioly disse...

Compreendo você. A gente sofre quando sente promessas não cumpridas. Deus perdoa. Grande abraço

Dilly Monnete' disse...

Espero que um dia você consiga voltar , meu caro .
Também sei o quanto doem essas promessas não cumpridas , porque já estive de ambos os lados - o de quem promete e o de quem espera .
Mas é como diz o ditado: Deus escreve certo por linhas tortas .
Obrigada pela visita ao meu blog , és sempre bem-vindo (:
Beijos ;*