Não se vende o coração de um homem livre. Nem mesmo por amor.

Mude

31.3.11


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30.3.11

Há uma única urgência: — viver agora.
Uma só prioridade: — ser feliz.
E meu único compromisso é com a própria Natureza.
Por isso, foda-se quem for contra minha alegria.

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29.3.11


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28.3.11

A esperança é um armadilha.

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27.3.11


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Sem citar o autor — mas dizendo, hipocritamente, ter "esperanças de encontrá-lo."


Veja como Paulo Coelho adulterou criminosamente meu poema, sem minha autorização:

Alterou o título: de Mude para Mudança.

Suprimiu "o novo amor, a nova vida" — e acrescentou "a nova posição".

Logo após eu ter dito: "Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes", Paulo Coelho acrescentou uma frase meio bobinha: "Mesmo achando que a outra pessoa pode ficar assustada, sugira o que sempre sonhou fazer, na hora do sexo." Essa frase eu jamais colocaria nesse poema, pois, quando eu o escrevi, imaginei que seria lido também por crianças. Nesse caso, falar de sexo é uma estultice!

Quando eu disse: procure andar descalço alguns dias, ele acrescentou "— nem que seja em casa". (Eu jamais recomendaria isso!)

Quando, jogando com as palavras, escrevi "leia outros livros, viva outros romances", ele acrescentou uma besteira: "— nem que seja em sua imaginação". Aqui ele parece querer "guiar" o leitor, como se este fosse incapaz de fazer ilações...

Quando eu digo "Tire uma tarde inteira para (...) ouvir o canto dos passarinhos", ele acrescenta "ou o ruído dos carros". Eu jamais diria isso! Tirar uma tarde inteira para ouvir ruido dos carros?! Que horror!

Ele suprimiu estes versos:
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.


Suprimiu também estes:
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.


Suprimiu isto:
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.


Suprimiu também esta frase que é muito significativa para o tema do poema:
Lembre-se de que a vida é uma só.

Também retirou este verso, que eu, como autor, considero fundamental:
Veja o mundo de outras perspectivas.

Além disso, mudou alguns outros versos de lugar, mexeu em outras coisas, acrescentou palavras, suprimiu outras tantas. Intrometeu-se!

E ainda acrescentou "e você está vivo" no último verso.



Só me resta perguntar: — Com ordem de quem, Sr. Paulo Coelho?


Se, por acaso, não foi Paulo Coelho o autor de tais barbaridades, terá que provar que não. E apontar quem foi. Pois ele é o único que publica esta "versão" do poema Mude na internet e em suas colunas em jornais e revistas (no Brasil e no exterior) — além de já tê-la publicado em seu blog e no próprio site oficial, há anos!

Veja aqui o original do poema Mude, conforme publicado pela Pandabooks, e interpretado por Simone Spoladore no CD Filtro Solar, de Pedro Bial.

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26.3.11


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Só tem uma coisa pior do que morrer: — é viver pouco!

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25.3.11


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Não me proteja de mim.

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24.3.11


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23.3.11


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22.3.11


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21.3.11


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20.3.11

Março de 2001, Guarujá. Noite alta. Releio a belíssima biografia de James Joyce, escrita por Richard Ellmann. Joyce Ann lá fora no terraço vendo a lua, e Paritosh deitado aqui no chão, entretido com a história de Abraão puxando a faca para seu filho Isaac, contada de várias formas por Kierkegaard. Aliás, o Alcorão diz que foi Ismael, e não Isaac, o filho que Abraão levou à montanha de Morija para ser sacrificado.
Lembro-me de um grande amor que tive um dia, e que depois sumiu. Edna Mary Rangel. “Quase todos morrem...” — Vou à cozinha pensando em tomar um vinho, porém trago dois copos de leite.
Ofereço-lhe um, como se fosse uma flor.
— Paritosh, vou colocar um poema teu no livro Solidão a Mil?
Ele interrompe a leitura, atencioso para comigo.
— Qual?
— Aquele do amor que morre e do amor que acaba.
— Ah, mas já o escrevi há tanto tempo... Fosse hoje mudaria muita coisa. Ainda não te contei, mas estou escrevendo um ensaio com o seguinte tema: só amamos quem satisfaz algumas das nossas expectativas. O amor viceja na esperança: finda esta, morto aquele.
— Você acha que todo amor termina em morte ou sumiço? — pergunto.
— Sim, mas é melhor que seja por sumiço. Amor que morre é um horror, nunca morre de vez. Vai morrendo pouco a pouco: é um saco. Vai minguando, definhando, secando. Fica no meio da gente, ali no meio da sala, como visita indesejável, uma doença incurável, um catombinho. Um sintoma.
Começo a rir (seriamente) do que diz Paritosh.
“Tenho que abrir esta obra, fazer eco com ela.” — penso.
E ele continua, mais existencialista do que Sartre.
— Esse amor doente fica ali, na relação, meio desengonçado, perambulando, tossindo, enrolado num cobertorzinho. E você sabe qual o único aliado desse pobre diabo? O tédio. Só o tédio é que dá uma espécie de sobrevida ao amor que está morrendo.
— Mas o tédio não vem só depois que o amor morre? — resolvo provocar.
— Nada disso, meu caro: o tédio é o principal assistente do amor que agoniza. O tédio é o elemento central que tenta inutilmente prolongar a vida do desgraçado que falece.
— Bela teoria — tenho que concordar.
(...)
Continua.
Se quiser ler a página toda, dê um click aqui.

Se quiser saber quem é Paritosh, aqui.

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19.3.11

Descubra novos horizontes.
Abrace forte a gostosura da Surpresa...
Desperte as aventuras deliciosas que hoje dormem no teu peito.
Se você não encontrar razões para ser livre — invente-as.
Seja criativo...
Mude.
Só o que está morto não muda!

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Da vida só temos agora o resto. Aproveite.

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18.3.11


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Hoje tive um pesadelo: sonhei que eu tinha me casado.

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17.3.11

Eu não me encanto com quem se vangloria de ser bom. Acabo confiando só nos loucos, nesses que são loucos pra viver e pra dançar, loucos para amar ou escrever, loucos para serem salvos ou se perderem mais ainda. São loucos por metáforas. Livres, fascinantes, criativos, desgovernados, querendo tudo e nada ao mesmo tempo, esses loucos explodem de alegria, e nunca desanimam nem dizem coisas tediosas. Loucos que nos excitam, nos elevam, nos inspiram, e queimam feito velas coloridas fabulosas acesas por relâmpagos em meio a flores e estrelas. São passageiros, como eu, como você. Duram pouco, como Jack Kerouac. Mas brilham – e isso faz toda a diferença.

Texto que escrevi de madrugada, inspirado no Sermão da Montanha e em Jack Kerouac. Entre flores e estrelas, café preto, pássaros cantando e o amor de minha Mãe.

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16.3.11


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Gravei pra você:    www.bit.ly/Edson50
Coloquei as Quatro Estações como fundo — e o Amor à Vida como fundamento.
Meia hora de conversa sobre amor, loucura e liberdade. Só entre se você tiver tempo.

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15.3.11

Viver é a mais bela das urgências.

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14.3.11


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13.3.11


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12.3.11

Eu não tenho o mínimo respeito por plagiadores!

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11.3.11


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Se a vida se encurta por nossa causa, temos que reagir. Sêneca dizia que a vida não é curta: nós é que a tornamos — e a desperdiçamos em afazeres inúteis, supérfluos. Se você aproveitasse o tempo enorme que perde no trânsito, no trabalho alienado, na educação dos filhos, nas reprimendas aos escravos, nas conversas hipócritas, na fila do banco, no ônibus, no metrô, no avião, na internet; se aproveitasse o tempo que perde vendo tv, ou em papos furados ao telefone, agendas ridículas, reuniões absurdas, salamaleques, sermões, orações, noites de autógrafo; se você não precisasse gastar um tempo enorme corrigindo as barbaridades que comete contra si mesmo; se não precisasse ficar se explicando a toda hora para o patrão, para a patroa, para os pais, para os filhos, para os namorados e para a consciência; se não gastasse eternidades tentando encontrar uma saída nesse buraco em que se meteu por descuido; se fosse um pouco mais esperto, um pouquinho mais inteligente; enfim, se você usasse o cérebro e fosse livre de verdade — e independente! — a vida não seria tão curta...

Noventa e quatro anos de prazer absoluto bastariam.

Por isso é que.

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10.3.11


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É disso, é só disso que trato no meu blog e nos meus livros:
Da Gramática da Liberdade.
Se você não gosta dessas coisas, nunca será meu leitor.
Minha literatura propõe uma prática de Liberdade.
Le livre de la Liberté!
Eu só falo de amor.
De amor livre.

E só falo de Amor Livre porque não reconheço nenhum outro tipo de amor.

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Fuja das pessoas perigosamente normais.

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9.3.11


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8.3.11


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7.3.11



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6.3.11


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A esperança é um armadilha.

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5.3.11

Como disse Zorba, o Buda, cada um procura (ou constrói) o seu próprio paraíso: alguns consideram paraíso um copo de pinga; outros, uma igreja evangélica ou uma carreira de sucesso; outros ainda, um saldo bancário ou relações fechadas de amor eterno. Mas eu, como poeta que sou, tenho assim meu paraíso: uma bela tarde ensolarada, uma brisa delicada me tocando as duas faces, gostosuras preenchendo meus olhares, tempo livre, e ao meu lado um amor apaixonado que eu agora esteja amando. E mais duas ou três mulheres-roses dispostas a beijar-me os pés. É assim meu paraíso: entre vinhos e mulheres, entre flores e estrelas, delícias, liberdades. E muita paz no coração.

Por falar em paraíso e mulheres-roses, Marina hoje beijou-me os pés. Beijos cândidos, lúbricos, a língua dançante, cobra vermelha entre os meus dedos loucos, explodindo-os de alegria na praia da Enseada. Agora sei o que sentia Jesus quando chegava a prometer até o céu às mulheres que Lhe beijavam os pés. Agora eu sei... E pergunto: por que demoraste tanto, Jesus, para mostrar-me agora essa mulher-Marina e seus lábios doces? Por que demoraste tanto, Jesus, a mostrar-me essa mulher-Menina?

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Se a gente não se cuida, o amor acaba em casamento.
“Acaba” — nos dois principais sentidos do verbo.
É fatal.

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4.3.11

Quando eu falo em Saltar no belo escuro azul profundo da Vida — tem gente que pensa que é um salto para baixo... Mas eu me refiro a um salto para cima. O salto mais profundo e mais gostoso é aquele que damos pra cima!

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3.3.11


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2.3.11


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Prêmio Cervantes/Brasil.
Conto.

A ORELHA

Quando ganhei o Prêmio Cervantes, ela não foi comigo, porque não suportaria me ver tão amado pelas outras na cerimônia. Dora me dizia que seu ciúme esmagava-lhe a própria alma. Aquele câncer chamado ciúme aumentava-me as dores e as penas, amputava-me as asas, me amarrava, prendia. E um poeta de asas cortadas vai ficando gelado.
Minha vida virou uma verdadeira prisão.
Só me expressava escrevendo.

Sempre acreditei que as circunstâncias fazem os homens na mesma medida em que os homens fazem as circunstâncias. Mas, os acontecimentos daquela tarde levaram-me a concluir que há um certo predomínio das circunstâncias sobre os homens. No fundo, aquela foi uma tarde que esperei por muito tempo, planejando-a, tentando moldar-lhe os menores detalhes, e querendo, desesperadamente, fosse ela, quando acontecesse, da mesma forma que construída pela imaginação. Elaborei fantasias as mais ridículas, chorei às vezes até não mais poder, engasgando-me com soluços que pareciam pedregulhos. Não raro perdia-me naquele resto de realidade que a vida me dava de presente, e por dentro sugava-me estranha vontade de mudar com violência o que sempre havia conseguido aceitar.
Aquela espera foi se transformando em mais uma tortura.
Porque não passava de uma espera passiva e de certo modo desnecessária. Passei a ter pesadelos horríveis, em que duas mãos crispadas e sujas tentavam sufocar-me. Acordavam-me então os companheiros de infortúnio, por força dos meus gritos de pavor. Isso era constante. Faltava-me a fome, abandonei os projetos de fuga, os amigos se afastaram.

Permeando toda essa situação de tempo e de lugar, a desfocada lembrança, imagens que a memória me trazia com insistência. Assim como Abraão, o patriarca do povo judeu que levou seu povo ao Canaã, meu pai também ouvia vozes, e nos levou ao Paraná.

O chuvisqueiro enviesado continuava martelando-me as costas com suavidade quando senti sua voz me chamando, baixinho:
— Chegamos...
A fronteira ficara para trás, mas nosso estado continuava precário. Eu não entendia por que era prometida aquela terra. A quem? Essa dúvida me angustiava, talvez porque promessas foram o fundamento daquele meu tempo, um tempo escasso, sem solução, em que nada havia que não fosse provisório.
Era sempre um tempo de passagem.
Ele vinha em mangas de camisa, xadrez, que a chuva enegrecia e colava-lhe ao corpo. Havia me coberto com seu paletó, aquele mesmo azul-marinho do casamento. De vez em quando, acariciava-me o rosto, com gestos puros que ainda hoje moram no meu peito, inesquecíveis, demorados. Abri um pouco os olhos, vi luzes da cidade brilhando em conta-gotas, um colírio. A botina esquerda apertava-me o pé, ainda nova, quase uma comemoração, um presente prometido quando ajudei na última colheita do feijão das águas. Levantei-me sobre o braço, encolhido, sentindo cheiro de terra e um pouco de esperança. Meu pai incentivou a marcha do Estrela com o chicote, virou-se para meu lado e, quando nossos olhos se encontraram, tentou profetizar:
— Agora as coisas vão melhorar, se Deus quiser...
Passei a mão torta pela testa, afastando o cabelo escorregado, num gesto de quem não pode acreditar.
— Você vai entrar na escola...
Estrela era o nome do meu cavalo, já dado em promessa a um santo, não sei qual. A charrete era azul, desbotada, velhinha, o nosso meio de transporte. Em cima dela, sonhava com lugares novos — mas tudo era igual. Embaixo do banco, nossas roupas, poucas, amassadas no saco de farinha, as panelas barulhentas, a espingarda.

E o retrato da mãe, — pensei, — onde estará?...
Constatei que, apesar da pouca idade, já conseguia ter passado e memória. Meu passado se resumia na desesperada lembrança que eu tinha de minha mãe. Atirei-lhe uma pedra na testa. Lembrança meio confusa. O sangue desceu-lhe por sobre os olhos, que suas mãos procuraram em vão escondê-los dos meus, para poupar-me talvez o susto pela pontaria, que a partir de então seria sempre certeira. Se chorou, não me lembro. Estava com ela pertinho do poço, o balde descendo no rodar cadenciado da manivela já gasta. Roupas na tina marrom, de barril, a menor — azuis, brancas e vermelhas, se não me engano. Um lenço escondendo-lhe os cabelos que nunca soube o verdadeiro comprimento, escuro, emoldurava-lhe o rosto cheio de gotinhas, não sei se de orvalho, não sei se de suor. Dedos pálidos, enrugados, cheirando a rosas.

Voltei a ouvir o trote cadenciado do Estrela, que às vezes chutava pedregulhos. O braço começou a doer. O chuvisqueiro continuava, fraco, como véu feito de riscos frente às luzes.

Dá-me pouco pão e ainda me castiga - devo ter pensado, quando saltei do carrinho de lata, aquele verde, espantando uma galinha, e joguei-lhe com força uma pedra no meio da testa: o sangue desceu-lhe por sobre os olhos que suas mãos procuraram tampá-los dos meus. Em vão: o susto permanece até hoje, e talvez seja a causa primeira desse processo caótico de espera.

A charrete balançava-se num ritmo redondo, as rodas giravam produzindo um barulho meio surdo: fi-res-to-ne... fi-res-to-ne... — era a marca do pneu, e minha mãe soletrava assim. Ela sabia ler. Eu gostava dela. Picada por cobra, morrera havia três meses, sem tempo, segundo meu pai, de chegar à Santa Casa. Disse-me que tinha ela os olhos cansados. E que inchou. E que nunca mais eu a veria.

Lembro-me agora dos mosquitinhos que caíam no meu prato de sopa de macarrão cortado, lá no sítio, no banco de madeira ao fim da tarde, a fome infantil enorme, o futuro meio ausente, o mormaço, o medo, a hora das aves marias voando na minha cabeça. Outra coisa de que me lembro era o bolo de fubá. Seco, feito sem manteiga, esfarelava na boca, mas como era gostoso com café preto, lá no morro da melancia. O riozinho tortuoso, onde me dava banho com sabão de cinzas, o rio maior, que tinha peixe e que era fundo, um perigo. Minha mãe sempre me parecia a melhor mãe do mundo. Queixava-se constantemente de dor de estômago, principalmente à noite, ao irem para cama, ela e meu pai, quando então eu aguçava meus ouvidos para captar seus diálogos. E a conversa, às vezes ríspida, girava sobre caminhos diferentes na vida deles, mais filhos ou menos filhos, pobreza, injustiça, lavouras...
Coitada da minha mãe: vivia sempre disfarçando com sorrisos lentos a vagarosa dor da vida.

— E o retrato da mãe, pai?...
Demorou para me responder, sem olhar-me nos olhos, com voz fraquinha, meio rouca, desanimada:
— Tá no bolso, na carteira...
Interessante: parece-me que nossas frases, mesmo aquelas mais decididas, eram sempre reticentes, pastosas, doloridas. Lembrei-me de minha irmã, com suas perninhas frágeis, e que morrera como se não tivesse tempo para viver. Passava o dia todo deitada num velho berço improvisado, olhando nuvens de sorvete no céu do Paraná. No retrato, ela estava ao lado de minha mãe, e isso me causava um certo ciúme. Morrera sem tempo de deixar saudades, mas, diziam-me, estava morando com deus, cercada de anjos. E com muita saúde. Um vestidinho dela ainda era guardado, de bolinhas vermelhas, com alguns buracos pequenos que pareciam enfeites. Quando crescer, vou tirar um retrato bem grande... — confessou-me o Cartier-Bresson que havia no meu peito. Um retrato onde aparecesse, além de mim, só o infinito azul do céu. Voltei-me à posição inicial, ajeitei o paletó por sobre o corpo, fechei os olhos com força, engoli fosfenos em seco, senti a barriga roncar outra vez.

Era fome, mas fiquei com vergonha de falar.

E foi assim que entramos na terra prometida, eu e meu pai — sacolejando ilusões numa charrete azul puxada por estrelas e ternuras.

Acontece que essas lembranças, com precisão fotográfica, perturbam-me. Se houve épocas em que cheguei a questionar até a validade das carícias, a necessidade do contato físico amoroso, isso se deveu à ausência dos carinhos que sempre me negou, quer pela distância, quer pela mentira. Passei a ter impressão de que a notícia de sua vinda começava a prejudicar irremediavelmente aquela situação de equilíbrio emocional entre o mundo desgraçado em que vivia e o conjunto instável das minhas aspirações.

Terei sido eu o primeiro a criar a necessidade dessa distância que passou a existir entre nós, ou preciso mesmo dessa geografia de excessos para manter apagadas minhas concepções mais antigas com relação ao que posso gostar?

Ninguém tem culpa de ser o que é, e nem pode, por si mesmo, ser de outra forma. Alguns precisam de ajuda, mas nem todos se permitem essa humildade. Muitos talvez não tenham conserto, e outros não têm consciência. Todos quase sempre se enganam, às vezes na qualidade da promessa, outras vezes no tamanho das expectativas. Chorar em ombros amigos foi coisa que nunca soube nem pude fazer. Não que me faltasse a vontade: faltavam-me ombros amigos, e meus olhos não tinham mais lágrimas.

Minha vida é uma porta que se abre à história mas se fecha aos meus amores. Meu contraído corpo de réptil me envergonha, me atrapalha e desespera. Os ódios que suponho sentir me enrijecem, e não me deixam sequer perceber o cheiro das coisas livres. Esses anos todos aqui dentro mudaram-me radicalmente. Mas não sei se fui modificado mais pelos anos que se passaram, ou se pela cadeia propriamente. Ou se por ambas as coisas. Aqui, a gente vai percebendo o reverso da medalha. E percebendo de uma forma diferente, pois as perspectivas vão se tornando caóticas, o leque de opções vai se fechando, as oportunidades, diminuindo.

A gente passa a não mais saber de que lado ficou a verdade.

Em certos momentos, começamos a ver que todo realismo tende a ser conservador. Porque o sonho é sempre mais importante do que a realidade que o suporta. A tarde surgiu bonita, apesar de que o sol de inverno, esmaecido, quase nem sombras fazia no pátio da nossa espera. A calma daquelas coisas dormidas me afastava da razão, o nó na garganta entorpecia a fala mole. Sentado no primeiro banco, logo à entrada do portão principal, esperava minha mãe. Meus dedos tamborilavam na madeira, como se a tarja negra da sujeira das unhas executasse um balé de prisioneiros. Na verdade, esses dedos queriam chorar a iminência do inevitável. O corpo todo tremia.
Procurava não olhar em coisas que tivessem olhos de retribuição, ao mesmo tempo em que mastigava a liberdade da minha língua, e mordia os lábios ressequidos por falta de vitaminas. Triste o papel que teria de representar por força daquilo que agora chamo de determinismo absoluto. Senti dores no estômago. Como a ansiedade não me deixou novamente almoçar, talvez fosse fome.

Muita gente passando, abraços, sorrisos, fogo acendendo cigarros, saudades e paixões. Não será ela uma dessas que passaram? Não, o guarda iria trazê-la até mim, não seria capaz de reconhecê-la, suas feições já não devem ser as mesmas.

Comecei a montar o desesperante cavalo da angústia.

Parecia-me que apenas eu estava sozinho. A espera da mãe que supunha morta misturava-se à promessa de escola que meu pai fizera, e que nunca se concretizara. E foi nesse momento, aguardando mais uma promessa, que levantei a cabeça. Não gostava muito de mulheres será que dela iria gostar? Será que aquele encontro seria um renascimento, pelo fato de que ambos iríamos nos re-conhecer? Terá sido ela, realmente, culpada disso tudo? Será que não teve razões em fazer o que fez? Não consigo me lembrar das cores do vestido, não consigo. Frente a frente, depois de tantos anos. Tentei iludir-me, colocar um pouco de sentimento no olhar, dissimular talvez uma paixão que não sentia. Ela estava com falsos cabelos loiros, muito maquiada. Lembrei-me do lenço de bolinhas azuis à beira do poço. Demoramo-nos olhando nos olhos. Brinquei de novo no meu carrinho de lata. Estendeu-me suas mãos e murmurou algo como você está muito bonito, um homem feito... senti muito a tua falta.
Suas mãos estavam quentes.
Aquele momento me parece ainda indescritível.
(Talvez um dia possa contar tudo).
O perfume que ela usava, forte, doce, barato, chegava a excitar-me. Idéias estranhas passaram-me pela cabeça. Ela chorou, e eu senti o gosto salgado das suas lágrimas. Acho que por momentos desisti da vingança para amá-la totalmente. Tomei-a nos braços para um beijo de amor - de amor e despedida. Tive medo, e vontade de dizer a todos que aquela necessidade de ficcionar um delírio não passava de uma ilusão grotesca.
E a iminência do inevitável voltou a me assustar.
Algo fez-me mudar de idéia.
A lembrança do retrato em que eu estava ausente. O bolo de fubá, o abraço que ela me dava - não sei. No pátio não havia mais ninguém. Fez-se um silêncio absoluto, um silêncio gelado. Tomei-a de novo nos braços para um beijo de amor e despedida. Soava uma campainha, dizendo que a visita chegara ao fim.
Seria agora - ou nunca mais!

(...)

A história continua.

Mas agora vou fechar as aspas que esqueci de abrir antes de acreditar nas circunstâncias. Claro que esta é apenas uma bela história inventada que o destino escreveu certa vez em meu nome. Era só mais uma peça que a vida me pregava. Em verdade, jamais trocaria minha mãe por um prêmio que me levasse à Espanha. A orelha dela foi feita para o beijo, não para a mordida.

Acontece que entre ficção e biografia existe um prêmio!

Então, volto ao presente e me questiono. Se meu amor é diferente a cada instante, como poderei te amar a mesma todo dia? Como repetir outra vez o meu risco brilhante na tua escuridão incendiada?


Ontem comprei flores para recordar o nosso amor; hoje, um frango assado faz lembrar-me de você. Ontem, chorei ao rever as nossas fotos; hoje, tomo vinho num corpo de cristal e já não sei se me arrependo. Ontem, fiquei sozinho no meu quarto; hoje, uma deusa nova me espera em nossa cama, e me sorri. Ontem, chorei demais a tua ausência; hoje — nem sequer me lembro de você. Parece ser verdade: Quem ama só se realiza ao superar a própria memória do seu amor.

Então.

Há uma pequena prisão dentro de uma grande prisão.
Por isso, o pior é quando estamos na menor.
Mas vocês não percebem que.

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1.3.11


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Mude
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Meu livro-poema MUDE - 96 páginas - Ed. Pandabooks. À venda na Siciliano, FNac, Cultura, Saraiva, Submarino, Americanas, Extra, Casas Bahia, Ponto Frio, Livraria da Travessa, Livraria da Folha. /// Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. /// Com prefácio do querido Antonio Abujamra.

Os meus livros Solidão a Mil e Manual da Separação foram reeditados: o primeiro com 300 páginas e o outro com 202 páginas. Click nas imagens acima para ler os capítulos iniciais em PDF. /// Ou click aqui para acessar uma página especial com mais detalhes.

Este é um blog experimental, no mais amplo sentido que a palavra possa ter. Aqui só quero mesmo é te fazer pensar.
Contra ou a favor ao que proponho — não importa.
Mas, pensar.


Mulheres
MEU JEITO DE ESCREVER
.Solidão a Mil.
Navegar é preciso. Viver é necessário.
Te amo quando aplaudo teus desejos de voar.


Comercial da Fiat para TV - feito pela Leo Burnett - Poema Mude

O processo Mude - Clarice Lispector

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações elaboradas sobre aspectos da realidade — comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, visão do mundo, e capacidade intelectual de quem as propõe.

Algumas Perguntas

Amo a Liberdade como se não pudesse amar outra coisa. Eu defendo o Amor Livre, pois o contrário seria defender o amor preso. Afinal, sou bisneto da rebeldia... Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. No céu da minha boca não há fogos de artifício: só estrelas.

Google Art Project !

Paulo Coelho publicou-me no Twitter e Facebook (em inglês), além de publicar o poema Mude em suas colunas, em mais de dez jornais do Brasil e do exterior — sem citar-me como autor. /// Click aqui.


Change. But start slowly, because direction is more important than speed.
Apesar de Paulo Coelho ter dito que essa frase é dele, não é. Sou o autor. Confira: são exatamente os versos iniciais do poema Mude.


Daqui você sai diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu blog eu coloco um monte de pregos instigantes e palavras que te ferem de algum modo, deliciosas...

Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva. Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.



Mude no CD Filtro Solar - Pedro Bial faixa 4 - Simone Spoladore


Video com o Poema Mude - em versão minimalista interessante.


O que penso do ciúme...

"Tu te tornas eternamente responsável...?"

Veja aqui minha biografia zen

SOLIDÃO X SOLITUDE



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Meus projetos em Arquitetura

"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarisse Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso." — Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude
Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo sabor,
o novo prazer, o novo amor.
(...)
Tente.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
(...)
Só o que está morto não muda !
Edson Marques


Leia o poema todo no final desta coluna.

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial
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Manual da Separação


Sou apenas um poeta

Mas estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida.


Livro MUDE à venda em todo o Brasil. Click na imagem abaixo:



Eis o primeiro video do poema Mude, com música de Tom Petty


Aqui o famoso Comercial da Fiat - veiculado na Globo e SBT.

DesaFiat
Veja aqui o espantoso caso em que o filho de Clarice Lispector vendeu um poema de Edson Marques para a Fiat, por quarenta mil dólares. Isso foi há dez anos. E ele ainda não devolveu o dinheiro.


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Mataram a formiguinha
Breve análise psicológica do assassininho.


Dilma Rousseff

Virgem Maria - uma história

Infinito Jantar Feminino

A vida tem dois caminhos




Luz no fim do túnel...

Dia Internacional do Homem

Não estou à venda!

MUDE - em inglês: versão NÃO autorizada - feita por Paulo Coelho
No Twitter Paulo Coelho também cita o Mude / Change

O Professor

Baixe aqui um áudio gravado por mim
Trinta minutos de provocações poéticas sobre como viver a vida.

Para ouvir, use Windows Media Player.


As 50 questões em PowerPoint - texto.

Toninho Garcia falando de MUDE


Acione o botão acima e ouça algumas propostas

Gravação caseira feita por mim em 1997.

Originais do livro Solidão à Mil
Aqui você poderá ler meus textos mais longos.


Sou apenas um poeta

Escolha este blog como sua Página Inicial.

Já estamos quase no fim do ano que vem...

www.EdsonMarques.com

Ana Maria Braga declama o poema Mude.
E pela segunda vez no Mais Você...

Mude original - por Camila Bossolan

Video MUDE com música de Tom Petty

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial



Meus projetos em Construção Civil

Obra Parada!

Viver a Vida



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Seguem alguns textos meus que me são fundamentais:

01. EU TE AMO
02. Eu não te amo...
03. Algumas Perguntas
04. Sem medo e sem pressa
05. Sete Personagens à Procura de Mim
06. Separem-se no Pico
07. Abençoado pelos Espíritos Santos
08. Fiquei sete anos sem fazer amor...
09. Edna Mary Rangel
10. Vídeo Mude - flash
11. Elogios e Críticas
12.
Paritosh Keval
13. Meu conceito de Loucura
14. Nas horas vagas eu trabalho...
15. O Amor é eterno - as relações são passageiras.
16. O Provocador Abujamra
17. Minha mãe e eu
18. Joyce Ann.
19. Minha Vó Vitalina
20. Sou Bisneto da Rebeldia
21. As portas escancaradas do mundo
22. A vida está por um fio
23. Meu pai também era louco...
24. Tio Benedito Marques
25. Minha Mãe também se casou...
26. Projeto Cultural Revolucionário
27. Lúcifer - o iluminador
28. Dê-me a honra de ser a sua Página Inicial.
29. O maior amante do mundo
30. Desafiat
31. Mundançar
32. Patricia e Suzana
33. U-Net - uma idéia futurista
34. Sem tesão não há solução
35. Tudo que aqui escrevo é real
37. Aventura Inesquecível
38. O Pão da Minha Mãe
39. Se eu pudesse começar de novo...
40. Uma sinopse — por Lima Coelho
41. O Livro de Jó
42. Se não for agora, quando?
43. As idéias do Outro
44. Minha primeira noite..
45. O Professor
46. Mude no Submarino
47. Meu livro Manual da Separação
48. Mude em espanhol
49. Separem-se no Pico, outra vez!
50. Mude no jornal A Tribuna
51. Mulheres
52. Meu pai
53. A Lady e a Barraqueira
54. Abujamra e o prefácio do livro Mude.
55. Projeto Cultural Revolucionário
56. Meus professores
57. Vitalina Botticelli
58. Minha Mãe
59. Sem fome Sem sono Sem pressa Sem dor
60. O dia em que Mona Lisa chorou
61. Feliz 2008
62. Sou Bisneto da Rebeldia
63. Cachoeiras de São Francisco
64. Em nome da Vertigem
65. O Poeta e o Filósofo
66. Poema MUDE em italiano
67. Vídeo Mude
68. Presente de Aniversário
69. Diana e seus peitinhos...
70. Comercial da Fiat - MUDE
71. Video Mude em flash
72. Dicionário de Português
73. Divino Jantar
74. Kira
75. Prêmio Cervantes Ibéria 1993
76. I celebrate myself
77. Abujamra interpreta Mude
78. Os seios de minha Mãe
79. Meu mais recente amor eterno
80. Além de Loucura, Deus me deu Razão
81. Ontem salvei uma vida
82. Posso estar certo
83. Éramos diferentes...
84. Desmandamentos.
85. Uma ideia para o Metrô SP
86. Muro de Berlim
87. Ordem de Prisão contra mim
88. Tristeza e depressão
89. Nenhum dos meus mamãos me compreende
90. Paulo Coelho plagia Edson Marques
91. A vida é um jogo
92. Só os inteligentes se salvam
93. Eu, Jesus e Henry Miller
94. Tudo por um livro do Edson!
95. Teoria do Acaso
96. Um bruto com coração
97. Ciúme versus Amor
100. Paulo Marinho - uma homenagem

Nossa equipe está buscando e denunciando plágios de textos de Edson Marques, especialmente do poema Mude, por causa do julgamento do processo contra os herdeiros de Clarice Lispector.
— Você acha correto publicar um texto alheio sem citar o autor?
Publicar sem citar a fonte é Plágio. E plágio é uma coisa ridícula...



.. Jean Gabin - Je sais.


Veja aqui quem ilumina o blog Mude.
Por país – por cidade.
Desde 25/09/2007.


Às vezes altero textos antigos e os republico
aqui - só para que novos leitores os conheçam,
e também para que você teste sua memória...


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

A Hering também publicou meu poema Mude



Minha literatura é feita de excessos.
Eu falo de Amor e Liberdade.
Só escrevo para loucos brilhantes
e jovens de espírito.
Se você não for nem uma coisa,
nem outra,
não vai gostar do que eu digo.


Mude

Meu livro "Manual da Separacao"
pode ser encontrado, entre outras livrarias,
na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935

Vídeo Mude - em flash

Poema MUDE - Autor: Edson Marques
Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude

Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!

Edson Marques.


Change
Only what is dead does not change
- and you are alive.
Versão em inglês feita por Paulo Coelho, adulterada, e sem minha autorização.


Bibliotecários


Video MUDE - Fiat

O "Manual da Separação" pode ser encontrado, entre outras livrarias, na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
E também na Realejo Livros - Santos - (13) 3289.4935





O livro Mude está à venda nas livrarias
Cultura
Fnac
Saraiva
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Siciliano
e no Submarino



São Paulo 11-3088.8444




Todos os textos daqui foram escritos por mim. Inclusive, é claro, o poema Mude — que muita gente acha que é da Clarice Lispector.



Foto feita por Suzana. Parati, 1999.


Meus anos podem ser poucos, e podem ser breves
- mas são todos loucos.


Edson Marques



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Reaja Mude Viva Dance
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