23.9.11

seios

O AMOR É UM ALIMENTO

Ao sugar o seio da minha mãe, eu não apenas mamava: eu já calculava a área total do mamilo, a vazão do leite por segundo, a temperatura da sua pele em contato com meus lábios, a posição mais adequada da minha língua, o movimento sensual da minha boca, a intensidade da sucção, o tempo perfeito da própria saciedade, o pulso do coração, a respiração poética do espírito santo, e o prazer que era sentido por mim, e por ela. Tudo isso excitava o meu neo-córtex cerebral, onde as emoções mais profundas se colocam de uma vez por todas. Mas, confesso, antes do leite, antes do cálcio, antes das vitaminas — eu precisava mesmo era do amor que ela me dava. Este foi o meu primeiro e mais querido alimento: o amor.

Desde criança, portanto, eu me alimento de mulher e liberdade, de loucura e matemática, de risco e paixão, de amor e poesia. Acontece que depois, pouco a pouco, fui trocando o leite por vinho branco. E agora vivo sempre em busca de novos seios.

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