6.7.11

ciumentos

O ciumento só terá razão no fim da vida, quando olhar para trás e concluir que poderia ter tido dezenas de relações maravilhosas, livres e amorosas — e não apenas essa meia dúzia de relações dolorosas, cambaleantes e opressivas, fundadas na despersonalização do sujeito e no ódio à liberdade.

Eu não quero provocar os ciumentos: quero é mostrar-lhes a liberdade que eles perdem.

O ciúme é uma coisa muito triste. Produto secundário de um coração inseguro — e que teme amar de verdade. Demonstração de um certo sentimento inexplicável de inferioridade latente. Deselegante ao extremo. E o que é pior: causa mais dor em quem o sente do que na vítima propriamente. O ciumento não é necessariamente um maldoso, mas é sempre um sofredor. Suspeita de tudo e de todos. Vive procurando fantasmas quando poderia estar dançando. Sofre muito quando descobre ter razão no que supõe — mas sofre mais ainda quando fica em dúvida sobre a fidelidade requerida. Como todo gesto autoritário irracional, o ciúme acaba interrompendo o fluxo do amor, estraçalha a poesia do romance, e suspende a vida por momentos infinitos. Restringe. Chega a sufocar — tanto o autor quanto a vítima. Pense no que acabo de dizer. E se quiser ler o texto todo, dê um click aqui.

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