4.6.11

livro de poesia

Ontem à noite, protegido pela deusa Volúpia, amei um belo livro adolescente de poesia. Estendi um lençol azul celeste em minha cama, coloquei dois travesseiros dos mais finos, e deitei-me ao lado dele. Acendi um abajur à cabeceira, e o livro-meu-amor ficou iluminado de prazer. Comecei abrindo-o com a própria doçura dos meus olhos excitados, deflorando-o com meus dedos delicados, todos ávidos de alegria e de romance, de mistérios e de letras. Fomos então nos amando em nossa língua, folha por folha, livres, deliciosos e encantados, eu e meu amor — esse livro de poesia escandalosamente adolescente. Percorrendo as trilhas da loucura, nos perdemos numa floresta de pêlos e sussurros, de palavras e emoções. E porque nos apaixonamos de verdade pelos versos um do outro, nossa relação de amor se eternizou: na página quinze, ele dormiu nos meus braços... E eu sonhei.

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