6.6.11

depressivos

Eu escrevo para amantes e sensatos, ciumentos e malucos, depressivos e poetas... Tento a todos incendiá-los com meu verbo ensolarado, invento-lhes metáforas alegres, e dou-lhes chaves delicadas com que abram suas portas. Certos dias dou-lhes minha luz e minha mão, mas em outros inundo-os de profunda escuridão. Alguns dias dou-lhes um tijolo e um pouco de cimento, em outros só lhes trago marretas freudianas. Também acabo revelando certas senhas que resolveriam com amor os seus enigmas — e talvez por isso mesmo é que fogem de mim, apavorados. Resolver-se é uma loucura.

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