11.5.11

rotinas

Também tenho certas rotinas. Todos os dias eu acordo naturalmente. Abro a janela do meu peito, sorrio, gargalho, saúdo-me, estico-me, alongo-me, beijo-me. Amo-me, loucamente. Celebro-me! Dou uma espreguiçada orgástica, felina, demorada, inspiro fundamente muitas vezes, leio algo leve, tipo Lorca ou blog Mude, excito meus neurônios, faço alguns planos, desfaço muitos outros — e então me levanto, em todos os sentidos. Arrumo a cama zen que me abraçou a noite toda e beijo a foto de quem me deu a vida. Dez minutos de pilates, mil e quatro socos poéticos no ar, e me torno Bruce Lee. Nem me lembro da palavra pressa. Vejo se sobrou na pia alguma louça ou copo da noite anterior, e lavo-os, devagarzinho. Arrumo as flores, rego as plantas, rasgo alguns papéis, falo sozinho, canto, giro e danço. Viro uma festa. Depois, com ajuda de Beethoven, jogo o lixo, meditando, como fosse um jogo. Faço café com amor e água benta, quase fervida na chaleira que ganhei de minha mãe. Aprendo uma palavra nova numa língua diferente, e então sento-me aqui, ao lado do segundo pé de lírio, pra te contar os meus sonhos. Te contar a minha história.
Mais tarde, vou ver o mar azul do meu jardim — e caio no mundo...
É a vida!

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