9.4.11

gerado numa suruba

As empregadas me chamavam para almoçar, aos gritos, e eu ouvia algo assim como: "Apolo, teu banquete já está servido como mereces. Vem e toma do vinho, e que este se faça acompanhar de tempo e de cor". Duas ou três belas ninfas nuas me serviam, eunucos abanavam plumas alvíssimas por sobre minha cabeça, a música ao fundo era doce, grega e suave. Eu jamais iria saber que, em verdade, as ninfas eram duas empregadas gordinhas, o cheiro de sabão e de pano molhado empestava o ar daquela cozinha enegrecida de fuligem, as plumas eram a vassoura que espirrava água suja nos meus pés, e a música saía de um velho radinho de pilhas que havia em cima do forno. Se eu soubesse que o meu banquete era um prato de sopa fria de macarrão cortado, teria certamente desistido de ser Deus.

Mas não.

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