Não se vende o coração de um homem livre. Nem mesmo por amor.

Mude

31.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

30.12.10

Ainda vou tornar-me um morador de lua. Toda noite, poeticamente, sem pressa alguma, varrerei a poeira das estrelas com um cintilante buquê de rosas vermelhas e depois dormirei sonhando no meio-fio de uma navalha louca.
Abraçado a Baudelaire.
E coberto com um lençolzinho de cetim azul-celeste, é claro...

Eis o que nos diz ele:
“E se, algumas vezes, nos degraus de um palácio, na relva verde de um fosso, ou na solidão do teu quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, às ondas, à estrela, aos pássaros, ao relógio, pergunte a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira e rola, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte-lhes que horas são; e o vento, as ondas, a estrela, os pássaros, o relógio, hão de responder: É hora de embriagar-se!

Para não seres mais um escravo martirizado do Tempo, embriaga-te; embriaga-te sem tréguas. Com vinho, poesia, virtude, ou mulher — tanto faz!"

Charles Baudelaire.
Versão minha, especialmente o final.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

29.12.10

Livros que estou lendo desde 24.12.2010

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

É preciso que eu hoje faça uma ressalva. Tenho dito que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é uma proposta retórica. Não estou pregando que você deva realmente abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa banal, comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça... Seria o caos. E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos.

Saltar profundo não é pra todo mundo.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

28.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

27.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

26.12.10

Eu fotografo o pôr do sol trezentas e sessenta vezes, e ninguém diz que estou "explorando o crepúsculo". Eu fotografo uma natureza viva ou morta centenas de vezes; eu fotografo um copo de leite, uma rosa branca, um girassol; eu fotografo uma criança, um leopardo, uma curva de Niemeyer, uma velha desdentada, uma Ferrari amarela, uma vaca holandesa, um cavalo — quantas vezes quiser — e ninguém me critica por isso. Ninguém me diz "você está explorando o sorriso da criança", nem me diz que estou "explorando o cavalo negro". Porém, se eu fotografar um corpo de mulher nua — ainda que a foto seja belíssima — muitas pessoas provavelmente dirão que estou "explorando o sexo frágil", ou coisa parecida.

Ora, essa crítica não tem fundamento.
É tão absurda, que me sinto no coração da Idade Média...


E fico me perguntando: Por que é que certas pessoas podem ver beleza no corpo nu de um leopardo mas não conseguem ver beleza no corpo nu de uma mulher? Por que um pescoço pode ser mostrado livremente, mas um seio é um pecado? Por que tanta hipocrisia? Afinal, onde reside o belo? Onde e quando a beleza pura não será ameaçada? Quanto moralismo essa crítica insensata não contém? Quem decide o que pode ser visto ou mostrado? Onde está a liberdade de escolha e de expressão?

Será que deverei simplesmente fechar os meus olhos e destruir minha Nikon?

Ou terei que chamar Platão para falar por mim?

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

25.12.10

Eu acho que a vida gosta de me viver!

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .





EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

24.12.10


Por onde será que anda hoje esse meu primeiro grande amor?

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Sou amante da Liberdade Absoluta.
E não sou contra quem não é — desde que não queira suprimir a minha!

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Algumas pessoas, que geralmente só têm um relacionamento amoroso, gostam de dizer que são assim porque valorizam "mais a qualidade do que a quantidade". Incapazes de amar muito e livremente, acham que amar pouco é a melhor maneira de amar — senão a única. Acham que, se amarem uma só pessoa, essa condição transforma o objeto do seu "amor", automaticamente, em coisa maravilhosa. Enaltecem a própria deficiência em abrir seu coração. Claro que, via de regra, não são assim por burrice ou por maldade: são apenas portadores de preconceitos. Foram educados a ser contidos. A cultura em que nasceram lhes indica caminhos tortuosos, torturantes. Colocam em sua cabeça que o prazer é pecado, cobrem-lhes as almas com culpas ancestrais. Portanto, com base em seus preconceitos, tais pessoas acabam valorizando a própria incapacidade de amar muito e tanto e livremente. Claro que, ao defender tais posições, demonstram nada entender de lógica. Sofismam sem cerimônia alguma. Arriscam sua credibilidade à toa.

E, com essa sua postura, são indelicados para com aqueles que somos capazes de amar livremente —
muito e tanto — pois não nos consideram competentes, nem capazes de fazer boas escolhas. Insinuam que somos vulgares porque amamos muito e muitos.

Radicalizando no seu próprio "raciocínio", se é que falam mesmo a verdade, e se agem mesmo dessa forma — devem ter apenas um amigo. Pois tê-los muitos significaria que todos esses amigos são de baixa qualidade...

Se fôssemos levar a sério essa sua filosofia de jegue, chegaríamos a um absurdo, pois essas pessoas afirmam mais ou menos o seguinte: Se eu amo só Maria, então Maria é uma deusa. Ponto final. Mas se eu, além de Maria, amo Vera — então Maria deixa de ser deusa e fica pior do que é. E se, além de Vera e Maria, eu amar Alessandra, Joyce, Beatriz, Paloma e mais algumas — todas viram umas vacas... Ou seja, quem, sobre o assunto e com tal intenção, diz que "prefere a qualidade à quantidade", comporta-se como um boçal. Claro que Maria não fica pior pelo simples fato de eu amá-la e amar outras ao mesmo tempo. Assim como Maria pode muito bem amar José e Pedro e Marcos e Lucas e eu, tudo ao mesmo tempo — sem que nos tornemos jacarés. Será que é muito difícil entender isso? Será que essa coisa tão primária está realmente além da compreensão desses coitados, desses pobres infelizes?

Ainda não finalizei o texto. Mais tarde darei continuidade a esse tema.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

23.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Eu não vim distribuir água: eu vim distribuir sede!

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

22.12.10



Uma bela noite de luar, e o amor intenso e louco de uma mulher desconhecida:
é só isso que eu quero hoje.
Só isso...

Leia os comentários: você vai se divertir. E poderá ver os links para algumas resenhas do filme.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

— Por que é que devo pensar primeiro nela, e só depois em mim?
Porque ela é um ser humano.
— Ora, mas eu também sou um ser humano.
Acontece que ela pensa em você primeiro, e nela só depois.
— Mas, se eu for primeiro pensar em quem pensa em mim primeiro, em qual delas eu primeiro pensarei?



A vida é um enigma.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

21.12.10

Quem só conhece a metade de um problema, não é capaz de resolvê-lo inteiro.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Ontem, eu e Nietzsche fomos almoçar no Restaurante do Capitão, no Guarujá. Lá no meio das árvores, embaixo de uma bandeira pirata, ficamos comendo baião-de-dois, carne seca e mandioca frita. Falando sobre a vida e tomando cerveja com tequila. Por mais de seis horas... Na saída, eu ele abraçamos um cavalo magro que puxava uma carroça velha carregada de papel.
E choramos.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

20.12.10

Se amar é mesmo reconhecer o direito que o outro tem de fazer suas escolhas, será que isso significa que deverei aceitar suas idéias, as ideias do outro, mesmo as absurdas, e incorporá-las como se fossem minhas, se ele assim o desejar?

Será que o outro tem sempre razão?

Claro que não!

Pois cada um de nós tem um sistema de valores, cada um de nós é um ser único.

Então, amar não significa aceitar todas as escolhas que o outro fizer, mas sim só aquelas que não impliquem uma supressão da minha liberdade pessoal. Se uma determinada escolha feita pelo outro, que diz me amar, contraditoriamente cerceia minha liberdade, ou violenta minha dignidade, ou me causa algum transtorno de qualquer espécie, então essa escolha dele me faz mal — e deve ser rechaçada com o máximo vigor!

Em hipótese alguma, nunca — absolutamente nunca! — nunca devemos compactuar com quem nos fere, nos controla ou nos amputa. Acontece que a recíproca também é verdadeira. Portanto, não fira, não controle, não ampute e nem sufoque os teus amores.

O amor tem que ser livre!

Veja aqui por que, como e quando EU TE AMO.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

19.12.10

Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas.

Ainda estou escrevendo uma análise dessa afirmativa.
Daqui a pouco eu a publico aqui.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Hoje li um pouco, um pouquinho só, do fantástico e enorme livro Do Todo e de Todas as Coisas, de Gurdjieff. Se eu tivesse conhecido meu bisavô, e viajado com ele, teria comigo certamente acontecido a mesma coisa. Não morra sem conhecer Gurdjieff.

"Assemelhando-se mais com a figura de um patriarca Zen ou de um Sócrates do que com a imagem familiar de um místico cristão, Gurdjieff era considerado, por aqueles que o conheceram, simplesmente como um incomparável despertador de homens."

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

18.12.10

Não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o ser humano é a possibilidade aberta de uma nova vida. Foi por isso que o meu bisavô deixou que a rebeldia lhe subisse à flor da pele. Num certo fim de ano ele tomou aquelas decisões que só os corajosos conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto — e partiu! Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, quebrou as algemas — e caiu na Vida.

Não fosse por isso, eu não teria nem nascido — e não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho vermelho e contando essas coisas pra você. Sou portanto bisneto da rebeldia. Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça. No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas!

Foi assim que começou a minha vida. É assim que começa o meu livro
Teoria do Acaso.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

17.12.10

Na vida, são cinco as instâncias principais que nos sufocam. Algumas em nome do amor, outras dizendo que só querem nos salvar. Mas todas, no fundo, só querem mesmo é conservar o mundo como está — e matar os sonhos de liberdade que trazemos no peito.
Em português, essas "coisas" (*) começam com a letra P:
— Os pais, o padre (ou pastor), os professores, a polícia, e o patrão.
Claro que eles cumprem o seu papel. Contudo, se você não se livrar logo de todos eles, e da sua influência sufocante, vai provavelmente segui-los de cabeça baixa pelo resto da vida, e se tornar um deles. E o mundo nunca vai mudar.

(*) Na verdade, são seis, essas coisas. Mas a sexta você certamente já sabe qual é...


Devo ressaltar que professores são fundamentais. Escrevi até
um poema para eles. Tive alguns inesquecíveis. E também agradeço diariamente pelas coisas todas que aprendi com meu pai e minha Mãe. Aliás, semana que vem irei deitar-me no colo dela, amorosamente.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

16.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .



Não desperdice o teu potencial — Nem permita que te amputem.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

15.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Imagine se, em vez de ter ido à Montanha fazer o Sermão, Jesus tivesse ido ao Pão de Açúcar buscar fraldas descartáveis. Ou se precisasse ter ficado na cozinha trocando o bujão de gás, ou consertando a torneira da pia. Imagine o coitado chegando em casa à noite, exausto, depois de intensas reuniões com os apóstolos, e encontra Madalena de avental, fritando bife, com as mãos na cintura, descabelada, ciumenta, cheirando a cebola:
— Jê, onde você tava até agora?!
Imagine ainda Jesus na sala, mais tarde, compenetrado, conversando com o Pai por telefone, fazendo o relatório do dia, e a esposa gritando lá do quarto:
— Amor... O Júnior tá com febre...
Pois, é: "nada" contra o casamento tradicional, mas:
Se Jesus tivesse casado, a Humanidade teria desperdiçado um Deus.







Agora, imagine uma cena maravilhosa: Jesus, sorrindo, deitado solto no colo de Maria, que massageia-lhe o corpo inteiro com seus cabelos embebidos em nardo, e Judas reclamando: "Porra, Jesus, esse perfume custou trezentos paus! A gente podia alimentar um monte de pobres com essa grana toda..." E Jesus, um verdadeiro mestre zen, um iluminado, responde:
"Não te aflijas, meu caro Judas, pois pobres sempre hão de existir, mas Eu: só hoje!".

Esse cara sabia viver!

E eu acho que Judas era do PT...


Em verdade, em verdade, eu vos digo: Há dois Jesus Cristo: o teológico e o histórico. O Jesus da Teologia é Filho de Deus, personagem central da Mitologia Cristã — e sobre Ele não quero falar agora. Nem é preciso, pois os estudiosos se encarregam disso.

Mas o Jesus histórico — esse era "o Filho do Zé". Desde pequenino já era diferente. Ovelha negra. Uma mistura de santo, poeta, filósofo, artista e mestre zen. Solucionava conflitos, mostrava caminhos. Charmoso e simpático. Cabeludo. Falava por parábolas — ninguém o entendia. Amava mulheres e homens. Era completamente livre. Nunca se casou. Adorava uma festa: bebia vinho, dançava, brincava com todo mundo. Fazia milagres. Vivia sorrindo. Gostava de perfumes e cremes. Namorou Madalena. Dormia pouco. Jamais trabalhou...

Um era Filho de Deus, os dois eram Sábios — e ambos merecem o meu respeito.

Mas eu gosto muito mais do Poeta!



A cena de Jesus no colo de Maria e o diálogo com Judas estão na Bíblia - Mateus 26:6-13
A cena de Jesus casado está no Manual da Separação 142:4
Tal tema se deve ao Natal que se aproxima. Aliás, tudo isso vai estar no meu livro The Master of Jesus.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

14.12.10

Eis a pergunta que faço a todo lugar onde vou:
Aqui se pode sonhar?
Se a resposta for sim, eu fico.
Se for não — caio fora.
(Na hora!)

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

13.12.10

Cruciais e deliciosos, estes momentos que atravesso e que hoje me tocam docemente. A vida encontra-me agora voando no limite da coragem. Minha profissão é perigosa: Sou amante do Risco e do Instável, do Incerto e da Surpresa. Entre um largo muro de cimento preso ao chão e a corda bamba de seda à beira do abismo — opto por esta, sempre. Sou um trapezista maluco no escandaloso Circo da Emoção. Todos os meus saltos são mortais, alegres e profundos. Eu viro a lona azul do céu que me descobre pelo avesso. Meu coração não tem juízo... Como poeta libertário, seria pouco não fosse assim. Porque não tenho razões para ser de outra forma. Se posso ser tudo, não preciso ser médio nem comedido — e não quero ser nada além de mim. Amo a Liberdade como se não pudesse amar outra coisa. Não consigo mais viver em conta-gotas: eu agora só vivo aos borbotões.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

12.12.10

MESTRE ZEN COM VARA DE MARMELO

Meu pai era racional demais, disciplinado demais, e ético demais. Dominava o cálculo, era íntimo dos números, fazia enormes contas de cabeça. Nasceu para o comando. Era dono de uma violência verbal impressionante — e nunca deixava pra depois as broncas que pudesse dar agora. Exagerado, tinha seus momentos de loucura: de vez em quando mandava fazer almoços festivos para crianças pobres. Era comum se reunirem duzentas ou trezentas. Absteve-se do jogo, não fumava, mas bebia um pouco. Com duas exceções, nunca o vi de fogo. Ele nunca nos disse que gostava de poesia, mas certa vez mandou que plantassem trezentos e sessenta pés de girassol no fundo do quintal da nossa casa. Depois que as plantas cresceram, ele ficava toda tarde um tempão lá no fundo, sentado num banquinho improvisado de madeira, sorrindo, encantado, tomando vinho vermelho — e olhando os girassóis girarem... Meu pai, portanto — e no fundo — talvez não fosse apenas um simples comerciante atarracado e ex-delegado de polícia. Talvez fosse um poeta. Pena que não teve tempo de ficar completamente louco: morreu aos 49.



Meu pai acabou sendo enterrado sem sapatos, por uma sábia decisão de minha mãe. Pois ele dizia que nas ocasiões especiais temos que ir de sapato novo. Então, em respeito ao que dizia e supondo ser aquela uma "ocasião especial" — íamos sair para comprar-lhe um par de novos, mas a Mãe foi incisiva, além de delicadamente irônica:
— Prá quê? Vai só com as meias!
Com isso, demonstrou que o comando, agora bem-humorado, passaria a ser dela.

Para um bom entendedor, meias bastam...



RECOMENDAÇÕES

Além das suas recomendações sobre jamais usar sapatos velhos — e nunca sair com as empregadas — há outras dele das quais agora me lembro:

1. Respeite a tua Mãe.
2. Não carregue pacotes.
3. Não economize na comida.
4. Seja dono do teu próprio negócio.
5. Beba pouco.
6. Estude bastante.
7. Não fume.
8. Não minta.

Quando morreu, trazia no bolso, na carteira de couro marrom, uma carta, dobradinha, meio amarelada e com sinais evidentes de muitas leituras. Não sei onde pode estar o original. Talvez tenha tido o mesmo destino daquelas fotos que os doentes rasgaram. Felizmente a memória não se perde. Não é possível rasgar uma lembrança, destruir um símbolo, esconder um coração. Manifestações de amor, como essa do meu pai ao carregar minha carta consigo — até no dia da sua própria morte —, não se apagam. É uma honra para mim.

Obrigado, Pai!




NÃO ERA HIPÓCRITA

Meu pai nunca foi de bater, brigar, e em seguida dar um abraço e dizer que me amava, que era o melhor pai do mundo, que só queria o meu bem, essas bobagens todas. Sou-lhe grato por ter sido afirmativo, mesmo nos atos de violência. Não era hipócrita em circunstância alguma. Mesmo quando teve amantes, tudo foi às claras. Deixava para mim a exclusiva decisão de julgar se ele era ou não convincente. Nunca nos tentou impor seus preconceitos, nem nos convencer de que ele era um bom pai. Tinha dificuldades em demonstrar amor. Queria apenas que eu fosse diferente de todos, inclusive dele. Sempre achou que eu era predestinado — a quê, não sei. Nos meus aniversários, ele costumava me dar como presente assinaturas de jornais, às vezes rádios de ondas curtas, enciclopédias, livros, essas coisas. Mas houve uma vez em que só pôde me dar, justificando racionalmente, meio pacote de bolacha e uma caçulinha da Antarctica.

Meu pai nunca me mandou ir à missa, mas se eu não fosse à escola apanhava de cinta.

Órfão desde cedo, foi lavador de garrafas, ajudante de tropeiro, guarda-livros, jogador, comerciante, alcoólatra, racional em demasia e, como já disse, delegado de polícia — não necessariamente nesta ordem. Porém, sempre foi respeitável e honesto. No dia em que mudei-me para São Paulo ele chorou escondido. E morreu do coração aos 49.


Às vezes sinto saudades dele.



CONSULTOR DE CARREIRAS

Certo dia, eu quis montar um negócio no ramo de calçados. Mais precisamente, queria ser engraxate. Queria muito uma caixinha daquelas de madeira para exercer a profissão, que me parecia fascinante e lucrativa. Então, breganhei um relógio Mondaine por uma caixinha já pronta, comprei umas latinhas de graxa, arranjei uns paninhos velhos, duas ou três escovinhas de dente já usadas, um escova grande, marrom, duas tirinhas de casimira azul de uma velha calça rasgada, juntei-me a dois amiguinhos que já engraxavam — e saí para vencer na vida. Eu tinha quase sete anos. Mas não consegui vencer na vida. Pelo menos não naquele dia, pois meu pai foi me buscar no Mercado, repreendeu-me com vigor, porém delicado, deu minha "empresa" de presente a um menino pobre nosso vizinho — e pediu-me que eu tentasse outra profissão.

Segundo ele, engraxate já tinha demais... E que eu pensasse um pouco mais se era isso que realmente queria. Melhor deixar a decisão para mais tarde, quando eu crescesse.




EM DEFESA DO FILHO

Eis um outro fato de que agora me lembro. Era uma tarde de quinta-feira, e eu escrevo poesias numa folha de papel de embrulho. Um rádio ligado no programa do Hélio Ribeiro. Devo ter doze anos, talvez menos. Eis que chega em frente ao nosso armazém um automóvel dourado, e dele sai um gigante, cujo nome não sei. Meio bêbado, pede uma Brahma e derrama todo o conteúdo num único copo, esparramando o líquido sobrante pelo mármore do balcão, borrando meu desenho e minhas poesias. Olha para mim, e joga a garrafa aos meus pés, violentamente. Os cacos me atingem, mas não me cortam. Os demais clientes, amedrontados, especialmente Joel e Lazico, não se opõem. Permaneço onde estou e também sinto medo, mas não o demonstro. Ouvindo o barulho, vem minha mãe e pergunta a esse homem forte as razões pelas quais jogou a garrafa aos meus pés. Ele profere alguns palavrões, ofende minha mãe, e sai sem pagar. Entra no seu belo e reluzente Simca Chambord, e desaparece.

Chamado por telefone, meu pai chega logo em seguida, na viatura da Polícia (ele era então o Delegado da cidade), e me pergunta os detalhes. Conto-lhe. O número da placa, a cor do carro, etc. Pede-me que eu vá com ele à procura do valentão. Como a cidade é pequena, meia hora depois o encontramos na Praça São Pedro, num bar cujo nome era, se bem me lembro, Toca da Onça. Meu pai dá-lhe voz de prisão e os dois soldados que nos acompanham o colocam no camburão, com toda delicadeza. Os soldados eram irmãos, enormes, e se chamavam Lourenção e Vicentão Cavalcante. Vamos até a delegacia, meu pai ordena que coloquem o monstro numa cela vazia. Pede que eu fique olhando, do lado de fora. Ele entra na cela e diz aos dois soldados para trancarem o ferrolho, e que só interfiram se ele “estiver batendo muito ou apanhando muito”. Meu pai aponta o dedo para mim e faz uma pergunta ao gigante. Este faz um gesto de desprezo e parece ter repetido que faria tudo de novo. O que se viu então foi um massacre que durou cerca de dez minutos. Meu pai também era forte — e bateu naquele homem de uma forma que eu só veria mais tarde em filmes de Charles Bronson.

A cela depois foi aberta, e lá ficou o corpo estendido no chão. Meu pai pegou-me pela mão e me levou de volta para casa, em silêncio. Ele estava com a camisa branca rasgada e tinha muito sangue nas mãos. No caminho, ele chorou, e pouco antes de chegarmos em casa, me disse: “Nunca permita que alguém destrua as tuas poesias.” Também me disse que, se não tomasse tal medida drástica, eu poderia ficar traumatizado e com alguma necessidade de vingança pelo resto da vida. Entretanto, eu acho que ele só quis mesmo foi mostrar-me que era mais forte que o gigante. E que ele era meu pai, em todos os sentidos.

Por conta disso, perdeu o cargo de delegado de polícia, sofreu um demorado processo judicial — mas, talvez em compensação, eu me tornei um poeta libertário.




BIOGRAFIA ?

A biografia dele é muito curta. Trabalhou demais — e divertiu-se de menos. Mas há um fato pitoresco. Certa vez um dos meus irmãos, Ricardo, encontrou-o num puteiro chamado Sete Belo, no subúrbio de Campinas. Constrangidos, trocaram olhares inocentes de cumplicidade e cada qual tomou seu rumo. Nunca mais tocaram nesse assunto. Mais tarde, quando soube que ele estava tendo um caso com uma amiga minha, cheguei a lhe dizer, discretamente, que todo grande homem tem amantes. E se não tem, é porque não é...





APOIO EMOCIONAL

Quando meu pai chegou em nossa casa na manhã seguinte à invasão da casa das putas — cujos detalhes contarei logo abaixo — eu estava no armazém, escrevendo num papel de embrulho um poema de amor, mentalmente dedicado a Sonia Maria, e que era assim: “Depois de acender estrelas / no teu céu da boca / depois de vasculhar os teus encantos / depois de ultrapassar os teus limites / acabei concluindo / que só a união / de duas grandes espontaneidades / pode gerar / e manter / por algum tempo / um belo caso de amor”. Em voz alta, meio sonolenta, leu duas ou três vezes esse poema, passou carinhosamente a mão na minha cabeça e antes de ir para o seu quarto rosnou um elogio inesperado: “Bonito, filho! Muito bonito! Escreva mais, escreva mais!”

(Eu só tinha doze anos, e acho que esse elogio dele me levou a ser hoje um amante da liberdade absoluta.)





CONSELHOS

Além daqueles conselhos que ele me dava, alguns acima citados — "Não minta. Não roube. Não fume. Não beba demais. Não se misture com a ralé. Nunca coma de marmita. Não bata cartão de ponto. Não use sapatos velhos. Estude bastante. Respeite muito a tua mãe. Leia dois jornais por dia. Ouça rádio. Respeite tua avó", etc. — havia um outro, quase solene: "Encaminhe os teus irmãos" — pronunciado entre sorrisos e com o dedo falsamente em riste. Acabei seguindo todos esses conselhos. Só os irmãos é que não consegui encaminhar com meu estilo de vida e minha visão do mundo: ficaram todos aboslutamente normais...




CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA

Quando ele morreu, morreram as circunstâncias carcereiras de si mesmas que eu trazia no meu peito. Embora houvesse ainda um monte de coisas não resolvidas, penduradas num passado que teimava em resistir, foi fatal o tipo de adeus que nos ligou aquele dia. Antigas imagens opressoras se apagaram com o tempo, uma a uma. Tudo que de mal havia foi-se antes, ficando livre o terreno para que pudéssemos talvez amá-lo um pouco. Vivíamos uma suspensão temporária das hostilidades, uma coexistência pacífica, uma espécie de paz armada, com certas escaramuças de vez em quando na fronteira do nosso amor.
As lembranças mais recentes eram brandas, quase delicadas, com exceção da pressa e de algumas ilusões. Claro que foi chocante sua partida, a forma como se deu. Assim como a nossa, a vida dele era um jogo — e o perdeu.

(Quando descasco a cebola da existência meus olhos ardem.)

Mesmo as oito horas que se passaram entre a ciência da sua morte e a visão do cadáver por sobre a mesa não foram suficientes para acalmar meu coração alvoroçado. Embora vencedores, os filhos trazíamos na boca um amargo sabor de derrota iminente: talvez um maior inimigo já estivesse à espreita das crianças que éramos então. Porque imprescindível seria o retorno da mãe que aparentemente pretendia morrer para salvar-se daquela vida.À beira do caixão eu descobri que meu pai passou a ser meu mais recente amor eterno. E declamei para ele, em silêncio, o poema com esse título que criei na hora. Chorando lágrimas secas. Depois eu repito aqui o poema pra você também.

Naquela noite minha mãe arrumou-me a cama em que ele dormia, no quarto que fora meu quando morava lá. Cumprindo ordens de um deus que só ela ouvia, puxou-me pelas mãos quase chorando e me disse, séria — não como mandasse, nem como pedisse:
— Você dorme aqui.
Olhei para o duplo símbolo de morte, vazio que esteve antes de mim, agora bem arrumado e com muito amor pela mulher que passou a ser viúva de si antes mesmo de lhe morrer o marido. Era como se passasse creme nos meus pés rachados... De novo olhei firme para a cama e o lençol de metáforas que a cobria, e aceitei jogar ali por um dia o meu corpo. Mas disse à minha alma assustada:
— Vai-te agora para bem longe daqui!
“Voa, alma, voa rápido — mas volta, por favor, volta buscar-me amanhã de manhã!”
(Ela voltou.)





OS HOMENS FAZEM AS CIRCUNSTÂNCIAS
NA MESMA MEDIDA EM QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS FAZEM OS HOMENS


Permeando toda essa situação de tempo e de lugar, a desfocada lembrança, imagens que a memória me trazia com insistência. Assim como Abraão, o patriarca do povo judeu que levou seu povo ao Canaã, meu pai também ouvia vozes, e nos levou ao Paraná. O chuvisqueiro enviesado continuava martelando-me as costas com suavidade quando senti sua voz me chamando, baixinho:
— Chegamos...
A fronteira ficara para trás, mas nosso estado continuava precário. Eu não entendia por que era prometida aquela terra. A quem? Essa dúvida me angustiava, talvez porque promessas foram o fundamento daquele meu tempo, um tempo escasso, sem solução, em que nada havia que não fosse provisório. Era sempre um tempo de passagem. Ele vinha em mangas de camisa, xadrez, que a chuva enegrecia e colava-lhe ao corpo. Havia me coberto com seu paletó, aquele mesmo azul-marinho do casamento. De vez em quando, acariciava-me o rosto, com gestos puros que ainda hoje moram no meu peito, inesquecíveis, demorados. Abri um pouco os olhos, vi luzes da cidade brilhando em conta-gotas, um colírio. A botina esquerda apertava-me o pé, ainda nova, quase uma comemoração, um presente prometido quando ajudei na última colheita do feijão das águas.
Levantei-me sobre o braço, encolhido, sentindo cheiro de terra e um pouco de esperança. Meu pai incentivou a marcha do Estrela com o chicote, virou-se para meu lado e, quando nossos olhos se encontraram, tentou profetizar:
— Agora as coisas vão melhorar, se Deus quiser...
Passei a mão torta pela testa, afastando o cabelo escorregado, num gesto de quem não pode acreditar.
— Você vai entrar na escola...
Estrela era o nome do meu cavalo, já dado em promessa a um santo, não sei qual. A charrete era azul, desbotada, velhinha, o nosso meio de transporte. Em cima dela, sonhava com lugares novos - mas tudo era igual.
Embaixo do banco, nossas roupas, poucas, amassadas no saco de farinha, as panelas barulhentas, a espingarda.
E o retrato da mãe, — pensei, — onde estará?...
O chuvisqueiro aumentava lá no fim da estrada sinuosa de Sengés.
— E o retrato da mãe, pai?...
Demorou para me responder, sem olhar-me nos olhos, com voz fraquinha, meio rouca, desanimada:
— Tá no bolso, na carteira...


O vinho é feito de agulhas, meu copo um dedal. Costuro à mão pedaços da infância — com eles faço um lençol. Peço à Lorenna que me cante cantigas de natal da Idade Média, e ouço a Singer rangendo seus pedais no meu CD. Minha mãe também costurava com linhas de cor, pregava remendos bonitos, trocava meus botões, lavava roupas de amor. Vejo até sabão de cinzas no fogo forte que tanto me arde agora no rio do peito, espumas de lembranças incendiadas.
— Edson?!...
— Ahn?
— Nada.
— Edson?!...
— Ahn?
— Nada.
De tempos em tempos eles me chamavam, e eu “— ahn?”. Depois da terceira pergunta, fiquei esperto. E aí veio a quarta vez:
— Edson?!...
(Silêncio profundo.)
— Edson?! Tá dormindo?...
(Silêncio mais profundo ainda.)
Segurei a respiração, não respondi, abri as orelhas como duas enormes antenas parabólicas, e fiquei aguardando o desenrolar dos acontecimentos. Meu coração barulhento fazia "tum tum, tum tum tum, tum tum tum, tum tum tum". De novo, como certificassem que eu estava mesmo dormindo:
— Edson?!?!...
(Silêncio lunar.)
Então começaram. Em mim um misto de mistério e de ciúmes. Eu tinha sete anos e o sexo me era uma excitante incógnita. Com desesperada curiosidade liguei minhas antenas e fiquei imóvel para que as palhas do colchão não denunciassem a vigília. Duas pessoas faziam amor no escurinho de um rancho de sapé, no sul de um estado que nem mais existe, mas que era o Maranhão — e eu fingia dormir numa caminha bamba de taquara verde, abraçado aos meus delírios.
Naquela noite sonhei muito, tantas coisas que nem lembro. O mistério do sexo era maior que o meu. Para mim o sexo sempre foi fascinante — para mim e para Freud, claro. Na madrugada caí da cama, a única vez que devo ter caído da cama em toda minha vida, exceto aquela outra em Caracas, como já te disse. Caí no chão meio duro de terra batida, envergonhado, ainda que ninguém tenha visto a cena da queda. Trepei na cama de novo, em silêncio. E depois dormi, um pouco angustiado, sentindo-me traído naquela noite perdida no meio do mato, no sul de um estado que nem mais existe.

Já dormi em colchãozinho de palha, com um pau de lenha por baixo, fazendo as vezes de travesseiro. Experiência poética que você não terá jamais. Porque, antes de ser trágica, era poética aquela minha experiência. Não me incomodavam as palhas nem o barulho que faziam quando se roçavam entre si, como se loucas por mim, como se me aplaudissem. Eu era tão pequeno, mas tão pequeno, que aquilo não era uma cama: —era o meu berço.
(Esplêndido!)
Devemos entrar em Freud através de Reich — fico pensando. Um pouco antes eu disse “pedais no meu CD”. Que coisa mais antiga — alguns dirão. Que tal “teclas do meu DVD”? Talvez fonógrafo, toca-discos, ou até radinho de pilha. Mas a língua se enrolaria, e eu quero lubrificar o texto com a sonoridade que as palavras têm. Entrar em Freud através de Reich — e sair dele através de Jung. Primeiro, Luiz e Vitalina; depois, Luiz e Maria. Afinal, Luiz e Iracy. Agora, Eu e Mim. Pouco a pouco, muito a muito, fui chegando.
Cheguei numa sucessão gloriosa de luz, vida, pureza e açúcar.
Então aproveite-me, tente-me, prove-me. Sou filho do que há de melhor — e pai do que nunca virá. De manhã, não fico ruminando o luar que já se foi. Antes do primeiro gole de café, limpo o gostinho madrugante que minha boca possa ainda estar sentindo. Não me atenho a coisas que passaram, não me ligo a cadáveres de nada, o que morre não me encanta, eu me ocupo só do agora.
Jamais serei um desenterrador de defuntos.
Eu amo o agora — Só.
Portanto, “dá-me mais um tempo, Demônio: ainda não caiu o último grão do meu relógio de areia”.





A INVASÃO DA CASA DAS PUTAS

Ainda estou revisando os detalhes históricos desse fato. Refere-se a uma denúncia feita sobre a existência de uma menor entre as mulheres de uma casa respeitável, que ficava na Vila Beca e era chefiada por uma velha prostituta chamada Castorina. Meu pai era então o delegado e fez questão de atender pessoalmente a ocorrência, na própria viatura policial. É uma história cujo desfecho mostra muito bem o homem sábio que ele era.


E tem mais coisas — que contarei depois.




TABUADA

Ele me ensinou tabuada quando eu tinha sete anos. E aos oito me fazia somar as contas do armazém, com trinta linhas de algarismos. Se errasse, levava um croque. Tão íntimo dos números, que apostava sobre quem somaria mais rápido: ele, de cabeça, contra alguém com calculadora. Ele ganhava sempre.




O PAI DO MEU PAI

Anteontem eu fui ao Manicômio de Franco da Rocha procurar meu avô paterno. A ficha dele. Não achei. Ele era um louco delicado que enlouqueceu do lado errado. Dizem que os irmãos o deixaram certo dia jogado numa rua de São Paulo, sozinho, tremendo de frio, para que morresse abandonado e lhes deixasse a sua parte na herança. Conseguiram. Seu nome era Joaquim. Ele não havia suportado a morte do grande amor de sua vida, que caíra de uma laranjeira sobre um toco de cerca. Alienou-se do mundo por causa disso. Partiu-se em dois. Para esquecer Maria, não abraçou a poesia: abraçou a tristeza — e mergulhou no álcool. Esqueceu-se de si mesmo, perdeu a graça, e deprimiu-se fundamente. Por isso eu digo que o coitado enlouqueceu do lado errado...





O AVÔ DO MEU PAI

Meu bisavô, aos sessenta e dois anos de idade, na década de trinta do século passado, abandonou tudo e apareceu por aqui trazendo no colo uma adolescente chamada Loucura. Um despropósito, disseram todos. Mas o verdadeiro rebelde não hesita entre viver e morrer. O velho Luiz Marques, afogado numa estabilidade massacrante, não havia desistido de procurar aquela coisa que atende pelo singelo nome de felicidade. Gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, feito convite, descalça, vestidinho de chita, cabelos soltos, meio ressabiada... Os peitinhos despontando. Então o ousado fazendeiro abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções.

Tudo por causa de Vitalina.

Por aquela menina delicada ele daria o mundo. Por ela, e pelo que então simbolizava aquele amor, ele abandonou mais de mil cabeças de gado e todas as certezas que lhe haviam dado como herança. Era um autêntico rebelde: acabou trocando o futuro garantido e certo, porém morno, por um presente delicioso e faiscante. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, quebrou as algemas — e caiu na Vida. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Porque, você sabe, não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o ser humano é a possibilidade aberta de uma nova vida. Então o respeitável senhor Luiz Marques tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu! Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos.

Não fosse por isso, eu não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho vermelho e contando essas coisas todas pra você. Sou portanto bisneto da rebeldia. Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça. No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas..




O VELHINHO DO IBITI

Eu tinha cerca de nove anos e cuidava do armazém. Na verdade era um boteco em fase de expansão. Os estoques encostavam no teto, sacarias aos montes, caixas de óleo em latas, açúcar, arroz, macarrão. Desmanchou-se um quarto para se criar mais depósito. A carteira de clientes era grande e o fiado era enorme. Geralmente, anotávamos em cadernetas, que os clientes levavam para casa. Mas também havia o pequeno fiado, o eventual, que anotávamos em vários cadernos. Pois bem. Certa manhã de domingo, antes de sair para o quintal, meu pai comentou comigo que "precisávamos reduzir o fiado". Sim, eu também concordei. E o primeiro cliente que chegou em seguida foi o Velhinho do Ibiti. Eu estava desenhando no papel de embrulho. Ele contou seus trocadinhos, desenrolou suas notinhas de um cruzeiro, e me estendeu sua mão. Naquele tempo não havia moedas, não havia centavos. Nem perguntou quanto devia, ele sabia de cor. Guardei o dinheiro na gaveta do balcão e peguei meu lápis para continuar desenhando. Em silêncio. Mas o velhinho ficou ali, me olhando, e esperando o que sempre levava. Meio quilo de sal – fiado. Que seria pago na semana seguinte, como sempre. Acontece que eu, naquele momento, havia decidido mudar a política financeira da empresa: nada mais fiado... E cometi a maior injustiça social da minha vida. Neguei ao velhinho do Ibiti o seu meio quilinho de sal.

Quando meu pai chegou contei-lhe sobre a minha decisão. Ele apenas sorriu, passou a mão na minha cabeça e pediu-me que fechasse as portas do boteco: sairíamos. Meia hora depois, numa estradinha poeirenta, sacolejando na charrete azul puxada pelo Estrela, tentávamos alcançar o velhinho do Ibiti. Nas minhas mãos, o meio quilo de sal.
Alcançamos.

Nossa conversa na volta foi muito esclarecedora. É provável que tenha sido nessa tarde de domingo que eu me tornei um socialista. E o velhinho do Ibiti continuou tendo crédito semanal para o seu meio quilinho de sal.

O Sr. Luizito – esse era o nome dele – nunca dava aprovações antecipadas nem broncas por agenda. Tínhamos obrigação conhecer-lhe os critérios de verdade, os conceitos sobre as coisas, a filosofia de vida. Era um mestre zen com vara de marmelo. Faça o que você decidir, ele me dizia. "Se bem feito e se correto, tudo bem. Se errado, você apanha". Tudo sem frescura. Simples. Direto. Funcional.

Assim era o meu pai: um bruto com coração.



Eis um poema que escrevi pra ele, em 1989:

MEU MAIS RECENTE AMOR ETERNO

Por mulheres já me apaixonei duzentas e trinta e quatro vezes de forma profunda. Por homem, é a primeira. O processo desse amor pode ter sido longo, mas a percepção que dele tenho se deu agora, amparada em três ou quatro inocências complementares. Vejo-o deitado de costas, um terno de linho bem passado, azul escuro e sem gravata, olhos fechados, como a pensar nas coisas da vida (...)
Dê um click aqui para ler o texto todo.



POR ACASO MEU PAI TAMBÉM CASOU

Com base na tese que defendo no livro Teoria do Acaso, só somos o que somos porque fomos o que fomos. O destino não passa de uma inegável sucessão de acasos. A liberdade é sempre condicionada pela base material da existência. Se meu bisavô não tivesse raptado sua amada Vitalina em 1920, eu sequer existiria. Se alguém batesse à porta do meu pai minutos antes de ele transar com minha Mãe no dia em que fui gerado, eu também jamais existiria. Isso vale inclusive pra você. E se eu tivesse me casado com o primeiro grande amor da minha vida, certamente não estaria aqui, agora, solteiro — e feliz. Ou talvez meu conceito de felicidade fosse outro, e eu hoje poderia estar mais feliz ainda. Mas, com base nas estatísticas, e se o casamento é mesmo o túmulo do amor, tivesse casado, eu hoje estaria morto — no sentido figurado, ou de verdade, tanto faz. Como se vê, o acúmulo das decisões tomadas por nós determina a situação presente. Nesse sentido, se eu mudasse qualquer das decisões que tomei, por menores que fossem, em qualquer momento anterior da minha vida, nada do que vivi após essa decisão teria acontecido como aconteceu. E hoje eu não seria o que sou. Poderia estar melhor ou pior, não importa. O que realmente importa é que toda decisão é crucial. Portanto, reflita bastante sobre as decisões que você estiver tomando hoje. Elas determinarão o teu futuro, necessariamente. E como mudar o passado não é mais possível, tente mudar o futuro. Se o caminho que você hoje percorre pode desembocar na escuridão, tome providências. Às vezes, na vida da gente, logo ali à frente pode haver uma emboscada. Ou uma porta escancarada para o céu, não se sabe.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

11.12.10

Neste sábado acordei cedo, respirei ioga, meditei, refleti. Depois fui correr um pouco na Praça Buenos Aires. Tempo nublado em SP. Estou tomando um copo enorme de café preto e ouvindo um pardalzinho cantar ali na esquina. Daqui do sétimo andar não consigo vê-lo, mas sei que acordou tarde e está cantando pra mim. E agora penso em escrever hoje sobre três ou quatro assuntos.


1. Ser feliz é viver sem trair a própria natureza.

Aliás, viver sem sequer sentir vontade de trair a própria natureza. Aqui tem um pouco de Spinoza e muito de Gaiarsa, meu amigo mestre recentemente morto. Também tem muito de minha bisavó Vitalina e de minha Mãe. E, obviamente, tem muito de mim, da minha filosofia de vida. Da minha poética, da minha desgovernada, da minha escandalosa filosofia de vida.


2. Quem não ama sua própria mãe, não ama a sua origem.

E, por conseguinte, perdeu suas bases, perdeu suas referências primordiais. Perdeu seu principal elemento fundador das emoções. Deslocou-se, psicologicamente. É grave. Se for o teu caso – espero que não seja – não adianta dar um maravilhoso presente de natal à sua mãe. Não adianta forjar um acordo, não adianta mentir pra Deus. Recomendo terapia. Mas nem sempre a terapia resolve. E quando eu falo em terapia quero dizer psicoterapia. Remédios químicos tarja preta só mascaram as soluções...

Não adianta procurar sobre isso na internet ou nos livros de psicologia: é uma teoria arriscada, mas exclusivamente minha. Só tem no Manual da Separação.


3. O mundo é feito para atender padrões.

Portanto, é praticamente impossível instalar rampas de acesso em todos os prédios do mundo. Os cadeirantes, por algum tempo, terão de resignar-se a não ser totalmente atendidos em suas locomoções. Aliás, mantidas as proporções e a visão do problema, isso acontece também com os cegos, os surdos, os analfabetos, os manetas, os anões, os altos demais, os obesos, os anoréxicos, quem precisa de muletas ou bengalas, os deficientes mentais, e os poetas. Somos excepcionais. Logo, não nos encaixamos nos padrões do mundo. Nos padrões operacionais e de construção do mundo. A humanidade certamente encontrará soluções mais racionais do que rampas de acesso em todos os prédios e casas e casebres do mundo, ou avisos sonoros (audíveis até para os surdos) em todas as esquinas, ou pisos especiais em todas as calçadas do mundo, ou placas em Braille ou Libra, ou telefones públicos de várias alturas, ou assentos de vários tamanhos, e quantidade certa, em todos os metrôs, ônibus, trens e aviões, carroças e charretes de todos os países do mundo. Pistas de dança com rampas de acesso, regras e quadras especiais de vôlei ou basquete para obesos, ou anões; músicas audíveis para surdos, telas de notebook em Braille, televisores para cegos, etc. Assim como não dá para fazer regras especiais para os poetas e artistas. Creio – e desejo, sinceramente – que tais soluções sejam encontradas no futuro, o mais rápido possível. O poder da ciência não tem limites.


Voltarei a esses assuntos mais tarde. Ou os colocarei no meu livro Teoria do Acaso, em fase de revisão.



4. Sabe por que os pardais sempre levantam mais tarde e podem cantar sem preocupações especiais? Porque não têm belas plumagens! Se as tivessem, os coitadinhos seriam caçados implacavelmente...


__________________________________________________________________________


Nesta noite de sábado acabei vendo este vídeo e me lembrei de Paloma...
Paloma é um amor platônico...
Aristotélico, socrático.
Escandaloso!
Inesquecível.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Dizem que eu não assumo a “responsabilidade” de uma relação amorosa duradoura.
Ora, não sou eu quem determina o quanto vai durar a relação:
— É o tempo.
É o conjunto das vontades, é a "precisão do sacrifício".
São os medos que não temos, mas sobretudo a coragem.
É a reciprocidade objetiva, é o conceito da loucura inquietante...
Na verdade, são as circunstâncias que determinam a duração de um grande amor.

Portanto, não me culpem por ser breve.



Claro que também já tive algumas relações bastante duradouras:
Dora, cinco anos.
Patrícia, três anos.
Suzana dois anos, ou mais.
Joyce Ann, cinco ou seis anos.
Eliana, Vera, Fábia, Sandra, Beatriz, Paloma, Alessandra, Sônia, Marina, Dayane, Camila, e mais dezenas e dezenas de outras — todas com períodos relativamente longos: seis meses, um ano!
E como não tenho ainda o poder da ubiquidade — nem cento e vinte anos de vida — muitas dessas relações foram simultâneas, superpostas, adjacentes, intercaladas...
Foram — e ainda são. Muitas ainda são.

É a vida!




EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

10.12.10

O único crime que não tem perdão é desperdiçar a Vida.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

9.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


Redes Sociais.
A internet também muda.


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

8.12.10

Mude.
Comece devagar — porque a direção é mais importante que a velocidade.

Mas, assim que definir a direção, acelere!


Tenha a coragem de acelerar!

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

7.12.10

Mas quando a questão é a defesa da vida, eu sou radical: não abro concessões àqueles que representam a inércia, a passividade, o tédio, a injustiça e a morte. Nunca me relaciono com medíocres nem com dependentes. Nem com fanáticos pela normalidade, nem apóstolos da hipocrisia. Não posso compactuar com os algozes da espontaneidade. Não abro mão daquilo que me é fundamental: o corpo, a alma, a liberdade, a loucura, o amor e o riso.

Por isso é que radicalizei tão profundamente nas minhas razões absolutas:

Eu eliminei da minha vida — radicalmente — tudo que maltrata, tudo que amedronta, censura, inibe, separa, impede, cerceia, corta, machuca, sufoca. Eu eliminei da minha vida tudo que é ciumento, tudo que é possessivo, autoritário, mesquinho, rasteiro.

Exatamente por isso é que a vida flui, deliciosamente.


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Sou só um cãozinho cínico e alegre, um vira-lata zen: vivo à luz da lua, ao deus-dará. Não tenho nada. Passo fome, tomo chuva e tomo sol. Se me agradam, abano o rabo e faço festa. Mas, se me ofendem, fujo de mansinho...
E não quero ter dono nunca.

Coleira — jamais.


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

6.12.10

Algumas pessoas são abençoadas por um Deus só; outras, por vários. E umas poucas por todos Eles. É o caso da minha Mãe. Um dia, era uma tarde ensolarada de domingo lá no céu, depois do almoço, os anjos todos tocando harpa, São Pedro cochilando numa moitinha de capim. Tudo calmo, quieto, modorrento... E Deus, ou melhor, Jupiter, lá num canto, sentado numa pedra, coçando o saco e pensando na Vida, resolveu fazer uma boa ação. Levantou-se, calçou as havaianas, se espreguiçou, e chamou todos os Outros.
— Venham cá, meus queridos: vamos trabalhar, vamos fazer um milagre...
Jupiter reuniu os Deuses em torno de si, deu um click no Brasil, e disse: "Vai ser aquela menina lá!". E apontou seus divinos dedos em direção a uma criança que estava correndo no quintal de uma casinha de madeira lá no Sul do Paraná.
Então todos Eles deram-se as mãos e gritaram em todas as línguas:
— Seja bem-vinda, Iracy!
E a menina, que brincava correndo no quintal do Paraná, sentiu um arrepio na espinha, uma especiezinha de tesão inexplicável. Olhou prá cima e não entendeu o que tinha acontecido – e continuou a brincar. Até hoje ela não sabe bem qual foi a causa do arrepio...

Bem-vinda ao clube, Mãe!

Esta é uma homenagem à minha Mãe, que já está me esperando para o Natal.



Abaixo, um texto que escrevi em 2005, Guarujá, quando acordei e vi uma foto dela ao meu lado, num quadrinho:


Hoje acordei de manhã, esparramado na sala depois de ver o começo de um filme, e havia uma mulher me acariciando, emoldurada, pertinho do meio copo de vinho vermelho caído no chão que esqueci de tomar, entusiasmada, segurando uma bacia de girassóis. Essa mulher, que nunca vi triste, que incentivou sempre todos os meus amores, me inspira suspirando, me aceita como sou — e me diz, toda hora, que o verdadeiro amor é a união de duas espontaneidades, a fusão desgovernada de dois devaneios. Me ama, eu sei, mas antes de me amar, sei que ama o infinito absoluto onde eu danço as minhas próprias escolhas profundas. Desde que nasci, essa mulher me alimenta de leite, amor, vitaminas, desapego, feijão, arroz e liberdade. Achava melhor ensinar-me a ser homem do que pregar-me um botão. Toda noite me contava histórias pra que eu não dormisse. Cantava o Kyrie Eleison como se fosse uma canção de ninar pelo avesso. Jamais quebrou as lanças da minha ousadia, nem pensou em cortar-me as asas de pássaro livre. Ainda me ampara com firmeza, sustenta-me a alma e me aplaude as loucuras. Nunca brigamos. Mil quilômetros nos separam hoje, mas sei que ela me ama da única forma que uma mãe ama seu filho: incondicionalmente. A recíproca também é verdadeira. Então dou um beijo na boca da foto, me viro de lado e volto a ver Kurosawa. Quero sonhar com Van Gogh de novo. E, porque sou produto escandaloso de uma deliciosa mitologia grega, sonharei com Freud também, naturalmente.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

5.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Se a palavra me fere, não sou eu que desmaio — ela que perde o sentido.
Se um verbo me agride, não revido: me esquivo.
Se quebram meu brinquedo, eu conserto.
Se me roubam o carro, compro outro.
Se furam minha bola, tenho mais.
Se acaba o vinho, tomo leite.
Se chove, danço na chuva.
Se faz sol, me bronzeio.


Para mim, tudo é motivo para viver.
Só quando me falta a Liberdade é que me sinto morto!

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

4.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Brasil reconhece o Estado Palestino.
Eu concordo.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

3.12.10

Ninguém tropeça em sua língua ao ler o que eu escrevo. Mas no meio da frase passou por aqui, falando só, um senhor catando lata. Dei-lhe a minha e um sorriso. Não sei quanto lhe vale, se mais a lata ou meu sorriso, mas dei-lhe a minha mesmo assim, como se fosse a minha alma, minha calma, o meu amor.
São 16h09. A tarde ainda é cedo.
Hoje na praia.
Dê um click na imagem para ver o texto todo e as outras fotos.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

2.12.10


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .


EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

1.12.10

Eu tenho dois corações: um, para amar os meus amores, e o outro – só pra mim.

EdsonMarques.com ||| Mude ||| Manual da Separação ||| The Master of Jesus ||| Oitocentas Frases minhas ||| .

Mude
Dê um click aqui para ir ao início.


Ou veja alguns despedaços da minha biografia no site:
www.EdsonMarques.com

Se quiser mandar-me um recado não público:







Visite www.EdsonMarques.com

Meu livro-poema MUDE - 96 páginas - Ed. Pandabooks. À venda na Siciliano, FNac, Cultura, Saraiva, Submarino, Americanas, Extra, Casas Bahia, Ponto Frio, Livraria da Travessa, Livraria da Folha. /// Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. /// Com prefácio do querido Antonio Abujamra.

Os meus livros Solidão a Mil e Manual da Separação foram reeditados: o primeiro com 300 páginas e o outro com 202 páginas. Click nas imagens acima para ler os capítulos iniciais em PDF. /// Ou click aqui para acessar uma página especial com mais detalhes.

Este é um blog experimental, no mais amplo sentido que a palavra possa ter. Aqui só quero mesmo é te fazer pensar.
Contra ou a favor ao que proponho — não importa.
Mas, pensar.


Mulheres
MEU JEITO DE ESCREVER
.Solidão a Mil.
Navegar é preciso. Viver é necessário.
Te amo quando aplaudo teus desejos de voar.


Comercial da Fiat para TV - feito pela Leo Burnett - Poema Mude

O processo Mude - Clarice Lispector

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações elaboradas sobre aspectos da realidade — comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, visão do mundo, e capacidade intelectual de quem as propõe.

Algumas Perguntas

Amo a Liberdade como se não pudesse amar outra coisa. Eu defendo o Amor Livre, pois o contrário seria defender o amor preso. Afinal, sou bisneto da rebeldia... Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. No céu da minha boca não há fogos de artifício: só estrelas.

Google Art Project !

Paulo Coelho publicou-me no Twitter e Facebook (em inglês), além de publicar o poema Mude em suas colunas, em mais de dez jornais do Brasil e do exterior — sem citar-me como autor. /// Click aqui.


Change. But start slowly, because direction is more important than speed.
Apesar de Paulo Coelho ter dito que essa frase é dele, não é. Sou o autor. Confira: são exatamente os versos iniciais do poema Mude.


Daqui você sai diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu blog eu coloco um monte de pregos instigantes e palavras que te ferem de algum modo, deliciosas...

Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva. Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.



Mude no CD Filtro Solar - Pedro Bial faixa 4 - Simone Spoladore


Video com o Poema Mude - em versão minimalista interessante.


O que penso do ciúme...

"Tu te tornas eternamente responsável...?"

Veja aqui minha biografia zen

SOLIDÃO X SOLITUDE



Veja meu perfil quase completo


@EdsonMarques

Veja aqui um Projeto Cultural Inovador

Meus projetos em Arquitetura

"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarisse Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso." — Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude
Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo sabor,
o novo prazer, o novo amor.
(...)
Tente.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
(...)
Só o que está morto não muda !
Edson Marques


Leia o poema todo no final desta coluna.

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial
Comprar o CD FILTRO SOLAR no Submarino

Manual da Separação


Sou apenas um poeta

Mas estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida.


Livro MUDE à venda em todo o Brasil. Click na imagem abaixo:



Eis o primeiro video do poema Mude, com música de Tom Petty


Aqui o famoso Comercial da Fiat - veiculado na Globo e SBT.

DesaFiat
Veja aqui o espantoso caso em que o filho de Clarice Lispector vendeu um poema de Edson Marques para a Fiat, por quarenta mil dólares. Isso foi há dez anos. E ele ainda não devolveu o dinheiro.


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Mataram a formiguinha
Breve análise psicológica do assassininho.


Dilma Rousseff

Virgem Maria - uma história

Infinito Jantar Feminino

A vida tem dois caminhos




Luz no fim do túnel...

Dia Internacional do Homem

Não estou à venda!

MUDE - em inglês: versão NÃO autorizada - feita por Paulo Coelho
No Twitter Paulo Coelho também cita o Mude / Change

O Professor

Baixe aqui um áudio gravado por mim
Trinta minutos de provocações poéticas sobre como viver a vida.

Para ouvir, use Windows Media Player.


As 50 questões em PowerPoint - texto.

Toninho Garcia falando de MUDE


Acione o botão acima e ouça algumas propostas

Gravação caseira feita por mim em 1997.

Originais do livro Solidão à Mil
Aqui você poderá ler meus textos mais longos.


Sou apenas um poeta

Escolha este blog como sua Página Inicial.

Já estamos quase no fim do ano que vem...

www.EdsonMarques.com

Ana Maria Braga declama o poema Mude.
E pela segunda vez no Mais Você...

Mude original - por Camila Bossolan

Video MUDE com música de Tom Petty

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial



Meus projetos em Construção Civil

Obra Parada!

Viver a Vida



Orkut




2011


CD FILTRO SOLAR no Submarino

Seguem alguns textos meus que me são fundamentais:

01. EU TE AMO
02. Eu não te amo...
03. Algumas Perguntas
04. Sem medo e sem pressa
05. Sete Personagens à Procura de Mim
06. Separem-se no Pico
07. Abençoado pelos Espíritos Santos
08. Fiquei sete anos sem fazer amor...
09. Edna Mary Rangel
10. Vídeo Mude - flash
11. Elogios e Críticas
12.
Paritosh Keval
13. Meu conceito de Loucura
14. Nas horas vagas eu trabalho...
15. O Amor é eterno - as relações são passageiras.
16. O Provocador Abujamra
17. Minha mãe e eu
18. Joyce Ann.
19. Minha Vó Vitalina
20. Sou Bisneto da Rebeldia
21. As portas escancaradas do mundo
22. A vida está por um fio
23. Meu pai também era louco...
24. Tio Benedito Marques
25. Minha Mãe também se casou...
26. Projeto Cultural Revolucionário
27. Lúcifer - o iluminador
28. Dê-me a honra de ser a sua Página Inicial.
29. O maior amante do mundo
30. Desafiat
31. Mundançar
32. Patricia e Suzana
33. U-Net - uma idéia futurista
34. Sem tesão não há solução
35. Tudo que aqui escrevo é real
37. Aventura Inesquecível
38. O Pão da Minha Mãe
39. Se eu pudesse começar de novo...
40. Uma sinopse — por Lima Coelho
41. O Livro de Jó
42. Se não for agora, quando?
43. As idéias do Outro
44. Minha primeira noite..
45. O Professor
46. Mude no Submarino
47. Meu livro Manual da Separação
48. Mude em espanhol
49. Separem-se no Pico, outra vez!
50. Mude no jornal A Tribuna
51. Mulheres
52. Meu pai
53. A Lady e a Barraqueira
54. Abujamra e o prefácio do livro Mude.
55. Projeto Cultural Revolucionário
56. Meus professores
57. Vitalina Botticelli
58. Minha Mãe
59. Sem fome Sem sono Sem pressa Sem dor
60. O dia em que Mona Lisa chorou
61. Feliz 2008
62. Sou Bisneto da Rebeldia
63. Cachoeiras de São Francisco
64. Em nome da Vertigem
65. O Poeta e o Filósofo
66. Poema MUDE em italiano
67. Vídeo Mude
68. Presente de Aniversário
69. Diana e seus peitinhos...
70. Comercial da Fiat - MUDE
71. Video Mude em flash
72. Dicionário de Português
73. Divino Jantar
74. Kira
75. Prêmio Cervantes Ibéria 1993
76. I celebrate myself
77. Abujamra interpreta Mude
78. Os seios de minha Mãe
79. Meu mais recente amor eterno
80. Além de Loucura, Deus me deu Razão
81. Ontem salvei uma vida
82. Posso estar certo
83. Éramos diferentes...
84. Desmandamentos.
85. Uma ideia para o Metrô SP
86. Muro de Berlim
87. Ordem de Prisão contra mim
88. Tristeza e depressão
89. Nenhum dos meus mamãos me compreende
90. Paulo Coelho plagia Edson Marques
91. A vida é um jogo
92. Só os inteligentes se salvam
93. Eu, Jesus e Henry Miller
94. Tudo por um livro do Edson!
95. Teoria do Acaso
96. Um bruto com coração
97. Ciúme versus Amor
100. Paulo Marinho - uma homenagem

Nossa equipe está buscando e denunciando plágios de textos de Edson Marques, especialmente do poema Mude, por causa do julgamento do processo contra os herdeiros de Clarice Lispector.
— Você acha correto publicar um texto alheio sem citar o autor?
Publicar sem citar a fonte é Plágio. E plágio é uma coisa ridícula...



.. Jean Gabin - Je sais.


Veja aqui quem ilumina o blog Mude.
Por país – por cidade.
Desde 25/09/2007.


Às vezes altero textos antigos e os republico
aqui - só para que novos leitores os conheçam,
e também para que você teste sua memória...


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

A Hering também publicou meu poema Mude



Minha literatura é feita de excessos.
Eu falo de Amor e Liberdade.
Só escrevo para loucos brilhantes
e jovens de espírito.
Se você não for nem uma coisa,
nem outra,
não vai gostar do que eu digo.


Mude

Meu livro "Manual da Separacao"
pode ser encontrado, entre outras livrarias,
na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935

Vídeo Mude - em flash

Poema MUDE - Autor: Edson Marques
Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude

Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!

Edson Marques.


Change
Only what is dead does not change
- and you are alive.
Versão em inglês feita por Paulo Coelho, adulterada, e sem minha autorização.


Bibliotecários


Video MUDE - Fiat

O "Manual da Separação" pode ser encontrado, entre outras livrarias, na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
E também na Realejo Livros - Santos - (13) 3289.4935





O livro Mude está à venda nas livrarias
Cultura
Fnac
Saraiva
Melhoramentos
Siciliano
e no Submarino



São Paulo 11-3088.8444




Todos os textos daqui foram escritos por mim. Inclusive, é claro, o poema Mude — que muita gente acha que é da Clarice Lispector.



Foto feita por Suzana. Parati, 1999.


Meus anos podem ser poucos, e podem ser breves
- mas são todos loucos.


Edson Marques



MyFreeCopyright.com Registered & Protected

Reaja Mude Viva Dance
Se quiser mandar-me um recado não público: