Não se vende o coração de um homem livre. Nem mesmo por amor.

Mude

30.6.09

Livros que estou lendo.
Na ordem em que estão, e na desordem em questão:
Sexteto – Henry Miller;
Por Amor a Freud – Diane Chauvelot.
Hipnodrama e Psicodrama – Jacob Levi Moreno.
O Espelho Mágico – Gairarsa.
Biografia de Nietzsche – Daniel Halevy.
Memórias Sonhos Reflexões – Jung.
A Importância de Compreender – Lin Yutang.
Ócio Criativo – Domenico De Masi.
Grandezas e limitações do pensamento de Freud – Fromm.
A Anarquia da Fantasia – Werner Fassbinder.



O Manifesto do Surrealismo vai servir de inspiração para escrever o texto de amanhã. Muitos ficaram fora da foto, porque estão espalhados pela casa. Mas, cito três outros que estão aqui ao meu lado: "Picasso, o sábio e o louco", de Marie-Laure Bernadac; "Trópico de Câncer", de Henry Miller, e "As Paixões segundo Dali", de Dali/Pauwels. No banheiro está o Alan Watts, "Em meu próprio caminho" - rabiscadíssimo. Na cozinha, "O Eu Dividido", de Ronald Laing, e "Jesus: ensinamentos essenciais", de Anthony Duncan, que estive lendo hoje de manhã, na hora do café. Tem mais na sala, nos quartos, nos corredores.

A bonequinha nua sobre os livros é um presente de Rose, e o quadro ao fundo é uma releitura de Modigliani, feita por Joyce Ann. E, como disse Felipe Fanuel em seu generoso comentário, eu leio "a partir da boneca, a partir da pintura, ou seja, a partir da arte".


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29.6.09

Minha grande inspiração é Henry Miller. E foi Rimbaud quem mudou a visão de mundo de Henry Miller. E eu, influenciado por Henry, vou em busca de Rimbaud e encontro Baudelaire mudando a cabeça de Rimbaud — e este virando a cabeça de Verlaine para todos os lados. É um círculo maravilhoso... Depois ainda chegam Lorca, Neruda e Vitalina; Sartre, Osho e Cioran; todos pairando sobre mim como doce ameaça de vida. E todos me fazem virar a cabeça, deliciosamente.

Até mesmo essa
menina de azul me faz virar a cabeça.

Aqui na praia, quase sempre sinto-me Dâmocles, e a espada — suspensa sobre a minha cabeça por um fio de seda — brilha seu fio nesta tarde de sol infinito. O vento a balança, eu olho para os lados, encaro o desafio e começo a sorrir.

Tudo por um fio...

É neste momento — quando confio no risco — é neste exato instante-agora que a Vida chega. Porque, você sabe, a vida só chega no justo momento em que temos consciência de que ela está por um fio... ou dois!


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28.6.09

Ontem fui à casa dela e encontrei seu pai, um homem simples, quieto e simpático, que tratou-me com respeito absoluto. Ele tem uma barbearia. E um jaleco branco, imaculado. Chama-se Nestor. Conversou comigo, sorriu pra mim, parecendo até agradecido nem sei por quê. Mas se ele soubesse dessas coisas proibidas que estamos fazendo, eu e sua filha — provavelmente me expulsaria de lá. Talvez até me matasse a navalhadas, num acesso inexplicável de fúria paternal.


Mas, no fundo, se ele soubesse, realmente, o que eu e Elaine estamos fazendo há mais de uma semana; se ele pudesse entender, mesmo, o tamanho do
amor puro que eu sinto por essa lolita; se soubesse o quanto sua filha é respeitada por mim, em todos os sentidos possíveis, ele certamente me agradeceria mil vezes por segundo — e de joelhos.


Se esse pobre homem soubesse, por exemplo, que a vida sensual da sua filha era um deserto antes de mim; que ela ainda não havia sido amada por ninguém de forma alguma, e que sou eu que a transformo de menina em mulher e de mulher em musa, delicadamente; se ele soubesse quem sou, realmente, e o que penso sobre a Vida, esse homem bom, honesto, responsável, religioso e trabalhador — esse homem cheio de fé e candura — me recomendaria a Deus, com louvor. E talvez até colocasse uma pequena estátua minha lá no oratório do seu quarto, entre Nossa Senhora Aparecida e São Jorge — só para venerar-me toda noite ao se deitar.



Santo Edson!


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26.6.09


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25.6.09

Só tem uma coisa pior do que morrer:
— É viver pouco.

Por isso não quero mais morrer na cama.

Quando chegar o meu dia (e eu saberei quando chegar o meu dia), vou contratar o filho de um marceneiro judeu para fazer minha cruz. Terá que ser de madeira nobre, e mandarei pintá-la de preto. O suporte dos meus pés será prateado, no meio do mastro. Quero lindos cravos de ouro, perfumados, e uma tarde calma no sermão das montanhas. Um crepúsculo cor de abóbora, certamente. Mas, antes de ser pregado, tomarei uma taça de vinho vermelho ao som de Vangelis. "Sauvage et beau". E chamarei meus últimos dez amores para que passem óleo de amêndoas no meu corpo entusiasmado. Quero brilhar nesse ato final. Terei colares de pedras preciosas no pescoço, e na cabeça, coruscando, uma escandalosa coroa de flores do campo.

Estarei nu — e excitado, naturalmente. Quero sentir meu sangue descendo pela palma das minhas mãos, gota por gota, vazando pelo buraco dos pregos. Vou encher de gargalhadas os ouvidos delicados que puderem me ouvir, vou gritar o teu nome de Deus em vão. E me lembrarei dos pecados todos que deixei de cometer por absoluta falta de tempo.

Quando enfim chegar minha hora, vou olhar para vocês, imaginar um aceno, fazer um poema, lamber os meus lábios, pedir mais um copo de vinho — e que o vinho seja esfregado em minha boca com esponja de algodão. Quero que minha mãe me olhe sorrindo e me abençoe aos pés da cruz, e que meus irmãos, e meus amigos, e meus amores — que todos eles dancem, e que todos eles gritem em coro:

Só o Prazer nos livra da loucura!


Será assim que vou deixá-los, meus amores.
(Será assim!)

— Um dia, talvez, quem sabe.
Daqui uns duzentos anos...

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24.6.09


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23.6.09


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22.6.09

Quando foi o teu último orgasmo?

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21.6.09


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20.6.09

Quando você diz uma verdade, ela se sustenta por si. Mas quando diz uma mentira, precisa de mais duas para suportá-la. Falar a verdade custa bem menos do que mentir. A energia que se gasta falando até as verdades mais doloridas, chocando espíritos despreparados para o sublime, (e agüentando as conseqüências) — essa energia acaba sendo muito menor do que aquela que se gastaria para suportar — nos dois principais sentidos — uma relação morna e desgastante, baseada na mentira, na dissimulação, na hipocrisia, e por isso mesmo quase sempre insuportável.
Sei que às vezes alguém pode querer manter uma relação, que parece importante — e precisa mentir para que ela não se quebre.
Tudo bem que assim seja...
Mas é preciso questionar até que ponto vale a pena manter uma relação que não permite a existência da verdade.
Fico pensando.
Quando pequeno, diziam-me que Deus escreve no livro da minha vida todas as coisas que eu fazia, e que, no dia do Juízo Final, tudo seria revelado. Nada seria mantido em segredo — mesmo aquelas coisas lindas que fiz no escuro do meu quarto, de portas fechadas e mãos deliciosas, cheias de creme. Só não me disseram que as páginas desse livro estão guardadas na minha própria cabeça. E que o Deus que escreve nelas sou Eu.
A tinta é indelével: nada vai se apagar.

Serei condenado pelas verdades que tive medo de dizer, mas serei absolvido pelas verdades que eu gritei.

A hipocrisia me jogaria no abismo do inferno — mas a espontaneidade me salva.

Por isso é que eu digo: — Deus vê tudo o que você faz. Porque Deus está lá, onde está teu coração. Se você agir certo, será recompensado por teus atos. Não é preciso contar pra ninguém: Deus está vendo. Mas, se agir errado, se você for injusto, cruel, insensível, hipócrita, ciumento — o Deus que te habita com certeza vai te foder. Mais cedo ou mais tarde, Ele vai te foder!
Desse Deus nada se oculta.
— Absolutamente nada.

Não adianta fazer nada escondido: — Deus tá vendo!

Essa é a metáfora mais criativa da mitologia cristã: Deus é Você, e nada do que faz pode ser feito sem que você mesmo saiba. E quem registra tudo no teu livro é você — que é Deus! Se contrariar a tua própria natureza, você mesmo é que vai registrar esse pecado no teu livro. Se disser uma mentira, não é preciso que os outros a descubram: — já está registrado.

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19.6.09

Esta tarde, enquanto tomávamos vinho nos braços eternos de um grande amor, deitados eu e ela, a menina de amarelo, ali no chão da sala, entre as esperanças derramadas no meu colo por Godot, tive um duplo insight. Incorporei o insuperável Samuel Beckett — e comecei a falar... Por isso, com base nele e no seu personagem Malone, quero agora dizer o seguinte:

O tempo que temos aqui na Terra é sempre muito curto para que o percamos com outras coisas além de nós.

Não se vive de verdade à espera de um Godot: é preciso que o busquemos dentro do próprio peito, bem no fundo desse Sonho delicioso que agora sonhamos.

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18.6.09

A liberdade cura quase todas as doenças.
Experimente — se preciso.

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17.6.09


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16.6.09

Eu queria montar um grande negócio no ramo de calçados. Mais precisamente, queria ser engraxate. Queria muito uma caixinha daquelas de madeira para exercer a profissão, que me parecia fascinante e lucrativa. Então, breganhei um relógio Mondaine por uma caixinha já pronta, comprei umas latinhas de graxa, arranjei uns paninhos velhos, duas ou três escovinhas de dente já usadas, um escova grande, marron, duas tirinhas de casimira azul de uma velha calça rasgada, juntei-me a dois amiguinhos que já engraxavam — e saí para vencer na vida. Eu tinha quase sete anos. Mas não consegui vencer na vida. Pelo menos não naquele dia, pois meu pai foi me buscar no Mercado, repreendeu-me com vigor, porém delicado, deu minha "empresa" de presente a um menino pobre — e pediu-me que eu tentasse outra profissão. Segundo ele, engraxate já tinha demais...

Foi talvez por isso que eu virei poeta.

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15.6.09

Meu pai nunca foi de bater, brigar, e em seguida dar um abraço e dizer que me amava, que era o melhor pai do mundo, que só queria o meu bem, essas bobagens todas. Sou-lhe grato por ter sido afirmativo, mesmo nos atos de violência. Não era hipócrita em circunstância alguma. Mesmo quando teve amantes, tudo foi às claras. Deixava para mim a exclusiva decisão de julgar se ele era ou não convincente. Nunca nos tentou impor seus preconceitos, nem nos convencer de que ele era um bom pai. Tinha dificuldades em demonstrar amor. Queria apenas que eu fosse diferente de todos, inclusive dele. Sempre achou que eu era predestinado — a quê, não sei. Nos meus aniversários, ele costumava me dar como presente assinaturas de jornais, às vezes rádios de ondas curtas, enciclopédias, livros, essas coisas. Mas houve uma vez em que só pôde me dar, justificando racionalmente, meio pacote de bolacha e uma caçulinha da Antarctica.

Meu pai nunca me mandou ir à missa, mas se eu não fosse à escola apanhava de cinta.

Órfão desde cedo, foi lavador de garrafas, ajudante de tropeiro, guarda-livros, jogador, comerciante, alcoólatra, racional em demasia e, como já disse, delegado de polícia — não necessariamente nesta ordem. Porém, sempre foi respeitável e honesto. No dia em que mudei-me para São Paulo ele chorou escondido. E morreu do coração aos 49.


Às vezes sinto saudades dele.



Certo dia, eu quis montar um negócio no ramo de calçados. Mais precisamente, queria ser engraxate. Queria muito uma caixinha daquelas de madeira para exercer a profissão, que me parecia fascinante e lucrativa. Então, breganhei um relógio Mondaine por uma caixinha já pronta, comprei umas latinhas de graxa, arranjei uns paninhos velhos, duas ou três escovinhas de dente já usadas, um escova grande, marrom, duas tirinhas de casimira azul de uma velha calça rasgada, juntei-me a dois amiguinhos que já engraxavam — e saí para vencer na vida. Eu tinha quase sete anos. Mas não consegui vencer na vida. Pelo menos não naquele dia, pois meu pai foi me buscar no Mercado, repreendeu-me com vigor, porém delicado, deu minha "empresa" de presente a um menino pobre nosso vizinho — e pediu-me que eu tentasse outra profissão.

Segundo ele, engraxate já tinha demais... E que eu pensasse um pouco mais se era isso que realmente queria. Melhor deixar a decisão para mais tarde, quando eu crescesse.




Eis um outro fato de que agora me lembro. Era uma tarde de quinta-feira, e eu escrevo poesias numa folha de papel de embrulho. Um rádio ligado no programa do Hélio Ribeiro. Devo ter doze anos, talvez menos. Eis que chega em frente ao nosso armazém um automóvel dourado, e dele sai um gigante, cujo nome não sei. Meio bêbado, pede uma Brahma e derrama todo o conteúdo num único copo, esparramando o líquido sobrante pelo mármore do balcão, borrando meu desenho e minhas poesias. Olha para mim, e joga a garrafa aos meus pés, violentamente. Os cacos me atingem, mas não me cortam. Os demais clientes, amedrontados, não se metem. Permaneço onde estou e também sinto medo, mas não o demonstro. Ouvindo o barulho, vem minha mãe e pergunta a esse homem forte as razões pelas quais jogou a garrafa aos meus pés. Ele profere alguns palavrões, ofende minha mãe, e sai sem pagar. Entra no seu belo e reluzente Simca Chambord, e desaparece.

Chamado por telefone, meu pai chega logo em seguida, na viatura da Polícia (ele era então o Delegado da cidade), e me pergunta os detalhes. Conto-lhe. O número da placa, a cor do carro, etc. Pede-me que eu vá com ele à procura do valentão. Como a cidade é pequena, meia hora depois o encontramos na Praça São Pedro, num bar cujo nome era, se bem me lembro, Toca da Onça. Meu pai dá-lhe voz de prisão e os dois soldados que nos acompanham o colocam no camburão, com toda delicadeza. Os soldados eram irmãos, enormes, e se chamavam Lourenção e Vicentão Cavalcante. Vamos até a delegacia, meu pai ordena que coloquem o monstro numa cela vazia. Pede que eu fique olhando, do lado de fora. Ele entra na cela e diz aos dois soldados para trancarem o ferrolho, e que só interfiram se ele “estiver batendo muito ou apanhando muito”. Meu pai aponta o dedo para mim e faz uma pergunta ao gigante. Este faz um gesto de desprezo e parece ter repetido que faria tudo de novo. O que se viu então foi um massacre que durou cerca de dez minutos. Meu pai também era forte — e bateu naquele homem de uma forma que eu só veria mais tarde em filmes de Charles Bronson.

A cela depois foi aberta, e lá ficou o corpo estendido no chão. Meu pai pegou-me pela mão e me levou de volta para casa, em silêncio. Ele estava com a camisa branca rasgada e tinha muito sangue nas mãos. No caminho, ele chorou, e pouco antes de chegarmos em casa, me disse: “Nunca permita que alguém destrua as tuas poesias.” Também me disse que, se não tomasse tal medida drástica, eu poderia ficar traumatizado e com alguma necessidade de vingança pelo resto da vida. Entretanto, eu acho que ele só quis mesmo foi mostrar-me que era mais forte que o gigante. E que ele era meu pai, em todos os sentidos.

Por conta disso, perdeu o cargo de delegado de polícia, sofreu um demorado processo judicial — mas, talvez em compensação, eu me tornei um poeta libertário.




A biografia dele é muito curta. Trabalhou demais — e divertiu-se de menos. Mas há um fato pitoresco. Certa vez um dos meus irmãos, Beto, encontrou-o num puteiro chamado Sete Belo, no subúrbio de Itapeva. Constrangidos, trocaram olhares inocentes de cumplicidade e cada qual tomou seu rumo. Nunca mais tocaram nesse assunto. Mais tarde, quando soube que ele estava tendo um caso com uma amiga minha, cheguei a lhe dizer, discretamente, que todo grande homem tem amantes. E se não tem, é porque não é...





Quando meu pai chegou em nossa casa na manhã seguinte à invasão da casa das putas — cujos detalhes contarei logo abaixo — eu estava no armazém, escrevendo num papel de embrulho um poema de amor, mentalmente dedicado a Sonia Maria, e que era assim: “Depois de acender estrelas / no teu céu da boca / depois de vasculhar os teus encantos / depois de ultrapassar os teus limites / acabei concluindo / que só a união / de duas grandes espontaneidades / pode gerar / e manter / por algum tempo / um belo caso de amor”. Em voz alta, meio sonolenta, leu duas ou três vezes esse poema, passou carinhosamente a mão na minha cabeça e antes de ir para o seu quarto rosnou um elogio inesperado: “Bonito, filho! Muito bonito! Escreva mais, escreva mais!”

(Eu só tinha doze anos, e acho que esse elogio dele me levou a ser hoje um amante da liberdade absoluta.)




Além daqueles conselhos que ele me dava — "Não minta. Não roube. Não fume. Não beba demais. Não se misture com a ralé. Nunca coma de marmita. Não bata cartão de ponto. Não use sapatos velhos. Estude bastante. Respeite muito a tua mãe. Leia dois jornais por dia. Ouça rádio. Respeite tua avó", etc. — havia um outro, quase solene: "Encaminhe os teus irmãos" — pronunciado com o dedo em riste. Acabei seguindo todos esses conselhos. Só os irmãos é que não consegui encaminhar com meu estilo de vida: ficaram todos “normais”...




Quando ele morreu, morreram as circunstâncias carcereiras de si mesmas que eu trazia no meu peito. Embora houvesse ainda um monte de coisas não resolvidas, penduradas num passado que teimava em resistir, foi fatal o tipo de adeus que nos ligou aquele dia. Antigas imagens opressoras se apagaram com o tempo, uma a uma. Tudo que de mal havia foi-se antes, ficando livre o terreno para que pudéssemos talvez amá-lo um pouco. Vivíamos uma suspensão temporária das hostilidades, uma espécie de paz armada, com certas escaramuças de vez em quando na fronteira do nosso amor.
As lembranças mais recentes eram brandas, quase delicadas, com exceção da pressa e de algumas ilusões. Claro que foi chocante sua partida, a forma como se deu. Assim como a nossa, a vida dele era um jogo — e o perdeu.

(Quando descasco a cebola da existência meus olhos ardem.)

Mesmo as oito horas que se passaram entre a ciência da sua morte e a visão do cadáver por sobre a mesa não foram suficientes para acalmar meu coração alvoroçado. Embora vencedores, os filhos trazíamos na boca um amargo sabor de derrota iminente: talvez um maior inimigo já estivesse à espreita das crianças que éramos então. Porque imprescindível seria o retorno da mãe que aparentemente pretendia morrer para salvar-se daquela vida.À beira do caixão eu descobri que meu pai passou a ser meu mais recente amor eterno. E declamei para ele, em silêncio, o poema com esse título que criei na hora. Chorando lágrimas secas. Depois eu repito aqui o poema pra você também.

Naquela noite minha mãe arrumou-me a cama em que ele dormia, no quarto que fora meu quando morava lá. Cumprindo ordens de um deus que só ela ouvia, puxou-me pelas mãos quase chorando e me disse, séria — não como mandasse, nem como pedisse:
— Você dorme aqui.
Olhei para o duplo símbolo de morte, vazio que esteve antes de mim, agora bem arrumado e com muito amor pela mulher que passou a ser viúva de si antes mesmo de lhe morrer o marido. Era como se passasse creme nos meus pés rachados... De novo olhei firme para a cama e o lençol de metáforas que a cobria, e aceitei jogar ali por um dia o meu corpo. Mas disse à minha alma assustada:
— Vai-te agora para bem longe daqui!
“Voa, alma, voa rápido — mas volta, por favor, volta buscar-me amanhã de manhã!”
(Ela voltou.)





Permeando toda essa situação de tempo e de lugar, a desfocada lembrança, imagens que a memória me trazia com insistência. Assim como Abraão, o patriarca do povo judeu que levou seu povo ao Canaã, meu pai também ouvia vozes, e nos levou ao Paraná. O chuvisqueiro enviesado continuava martelando-me as costas com suavidade quando senti sua voz me chamando, baixinho:
— Chegamos...
A fronteira ficara para trás, mas nosso estado continuava precário. Eu não entendia por que era prometida aquela terra. A quem? Essa dúvida me angustiava, talvez porque promessas foram o fundamento daquele meu tempo, um tempo escasso, sem solução, em que nada havia que não fosse provisório. Era sempre um tempo de passagem. Ele vinha em mangas de camisa, xadrez, que a chuva enegrecia e colava-lhe ao corpo. Havia me coberto com seu paletó, aquele mesmo azul-marinho do casamento. De vez em quando, acariciava-me o rosto, com gestos puros que ainda hoje moram no meu peito, inesquecíveis, demorados. Abri um pouco os olhos, vi luzes da cidade brilhando em conta-gotas, um colírio. A botina esquerda apertava-me o pé, ainda nova, quase uma comemoração, um presente prometido quando ajudei na última colheita do feijão das águas.
Levantei-me sobre o braço, encolhido, sentindo cheiro de terra e um pouco de esperança. Meu pai incentivou a marcha do Estrela com o chicote, virou-se para meu lado e, quando nossos olhos se encontraram, tentou profetizar:
— Agora as coisas vão melhorar, se Deus quiser...
Passei a mão torta pela testa, afastando o cabelo escorregado, num gesto de quem não pode acreditar.
— Você vai entrar na escola...
Estrela era o nome do meu cavalo, já dado em promessa a um santo, não sei qual. A charrete era azul, desbotada, velhinha, o nosso meio de transporte. Em cima dela, sonhava com lugares novos - mas tudo era igual.
Embaixo do banco, nossas roupas, poucas, amassadas no saco de farinha, as panelas barulhentas, a espingarda.
E o retrato da mãe, — pensei, — onde estará?...
O chuvisqueiro aumentava lá no fim da estrada sinuosa de Sengés.
— E o retrato da mãe, pai?...
Demorou para me responder, sem olhar-me nos olhos, com voz fraquinha, meio rouca, desanimada:
— Tá no bolso, na carteira...



A invasão da casa das putas.
Ainda estou revisando os detalhes históricos desse fato.


E ainda tem mais coisas — que contarei depois.


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14.6.09

O cabelo dela ainda me acena do abajur, preto e longo. Às vezes um fio de cabelo dura mais do que um fascínio. Não que eu seja volúvel: o tempo é que é fatal.

É sempre assim.

No primeiro dia, beijo-lhe os pés delicados, chupo-lhe os dedos, um por um, sinto todos os perfumes, percorro-lhe os vãos, os meandros, as curvas, minha língua coleando seus caminhos de amor. Êxtase total. Porém, depois de uma semana, ou duas, antes de fazer isso já lhe passo um pano quente para retirar areias finas. Passo cremes, faço massagens, repito operações. Ainda existe amor nos caminhos que percorro — e tanto. Mas, depois de um mês, ou dois, já me esforço muito para lembrar que ela tem pés. E se tento beijá-los, às vezes me distraio. Há pedregulhos nos vãos dos seus dedos, o perfume parece que se foi. Minha língua se transforma então em cascavel inexplicável que foge apavorada de um deserto sem fim.

Um ano depois, ou dois, tudo tem gosto de areia...

Acho que é o tempo.
E o vento.


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13.6.09


Não sei o que seria de mim se eu parasse de melhorar.

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12.6.09


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11.6.09

Nas questões do Amor, há quem prefira relâmpagos e há quem prefira luzes menos fortes, menos brilhantes. Quem prefere relâmpagos procura pessoas relâmpagos. E quem gosta de luz meio mortinha, também vai achar alguém que gosta de luz meio mortinha. Pois, como dizia minha vó Vitalina, não existe panela sem tampa.

Não acho errado quem troca a aventura e a liberdade pela segurança. Tem gente que não gosta de grandes emoções. É uma questão de preferência. Tem gosto pra tudo. Respeitemos as diferenças!

Relâmpagos brilham muito e duram pouco: é da sua natureza. Mas, até mesmo a luz meio mortinha — um dia também se apaga. Às vezes dura mais, às vezes dura menos, mas também se apaga...

É fatal.

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10.6.09

Eu já estaria totalmente morto se fosse apenas "normal". Já teria sido assassinado pelas regras e pelas dores dessa horrorosa banalidade cotidiana. Ou teria cometido o mais estranho suicídio possível — se eu fosse comum... Porque a monotonia é uma corda sem graça que as pessoas carregam no próprio pescoço, como se fosse uma correntinha de ouro falso, metáfora de grilhões desesperados. Esse estranho e bobo suicídio gradativo, cotidiano, é o mais fatal, porque permite, diariamente, contraditoriamente, a simulação refinada e estúpida de uma "vida" absurda que já não há.

E vocês nem percebem o cadafalso em que se metem...


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9.6.09


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8.6.09

O tempo que temos aqui na Terra é sempre muito curto para que o percamos com outras coisas além de nós.


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7.6.09

Vogelfrei.

Esta, a primeira palavra que aprendi em alemão. E hoje, quando tento — naturalmente sem conseguir — ler Nietzsche no original, lembro do meu Mestre me dizendo: Also sprach Zarathustra. Por onde agora andará talvez meu querido, meu grande amigo
Paritosh Zarathustra?

Às vezes tenho muita vontade de reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo, essas deusas e musas que já conheci e ainda conhecerei, convidá-los a subir num barco, um barco enorme — num navio, transatlântico... — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em Liberdade absoluta. Falando em todas as línguas, amando de todas as formas, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses. A vida seria uma festa. Viveríamos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, lendo, escrevendo poesias, plantando flores, tomando sol e lua, rindo, sorrindo e gargalhando.

E transando com a própria Vida — todo dia, o dia todo...

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6.6.09

Toda época crucifica aqueles que a superam.

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5.6.09

É madrugada. Estou tomando o café que acabei de fazer — e pensando na vida. Em Henry Miller, que adoro, em Oscar Wilde, que também adoro, e em Montaigne, cujo livro está aberto aqui ao meu lado na página 162. Esses autores são meus favoritos. Lembro-me agora do que os três já me disseram:

Tudo que eu quero da vida é um punhado de livros, um punhado de sonhos e um punhado de amores.

A vida imita a arte muito mais que a arte a vida.

Prefiro dar liberdade às minhas paixões, a sufocá-las em meu detrimento.


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4.6.09

O coração tem que ser livre, mas não livre como um táxi, que só está livre quando está vazio. Não me refiro a um coração vazio. Um coração vazio é muito triste... O que proponho, sinceramente, é que o coração deve ser como um jardim: quanto mais flores você nele plantar, mais bonito ele fica. Basta que nenhuma delas seja carnívora, que nenhuma seja violenta, exclusivista, ciumenta ou possessiva. Basta que todas as flores convivam entre si, em harmonia, e que você ame todas elas — livremente, incondicionalmente, sem apego e sem pressões.

Teu coração tem que ser livre como um jardim...

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3.6.09

Agora eu caminho com estrelas a bombordo e flores no infinito. Me esquecendo de umas coisas, me lembrando de outras — cheio de tantas e vazio de muitas. Navego respirando como se esse mar azul inflasse meus pulmões enlouquecidos. Tudo agora é claro mas não esclarecido, pois o dia é mais do que uma eterna madrugada. Tudo nublado por uma doce névoa de gostosuras, liberdades, incertezas. Tudo quente — e tudo frio ao mesmo tempo. Meu espírito inspirado dança no meu próprio corpo. Meu coração, luminoso, brilhante, colorido — me seduz e me conduz. Se vou para o Norte ou para o Sul — acho que nunca mais vou saber. Porque não é preciso saber, nos dois sentidos de saber e de preciso. Nada agora é mais preciso do que agora é necessário. Pois rasguei os meus mapas, quebrei meu relógio e perdi minha bússola...

Mas acabo de me encontrar:

Abracei meu coração.


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2.6.09

Quem navega com mapas e bússolas não descobre mais nada. Só a alegria dos navegantes errantes é que descobre mundos novos. E os encanta.
Edson Marques.



"Quem chegou à liberdade da razão, ainda que apenas em certa medida, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho — embora não como viajante em direção a um alvo único: pois este realmente não há. Deve ter os olhos abertos para tudo o que se passa no mundo, é claro, mas não pode prender demais seu coração a nada exclusivo. Tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança, no passageiro e na transitoriedade.

Sem dúvida sobrevêm a tal homem noites péssimas, em que ele, cansado, encontra fechadas as portas da cidade que deveria dar-lhe abrigo; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais ferozes uivem ao seu lado, um vento mais forte se levante, ladrões lhe furtem seus animais de condução. E então cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração chega a se cansar dessas andanças. Mas quando surge o sol da manhã, flamejante como uma divindade da ira, quando a cidade enfim se abre, ele vê nas pessoas ainda mais deserto, mais sujeira, mais engano, mais insegurança do que fora das portas — e o dia é quase pior do que a noite.

Bem pode ser que isso às vezes aconteça ao andarilho.

Mas então, como recompensa, surgem as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz, na névoa da montanha, ele vê enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, tranqüilo, no equilíbrio da sua alma, ele passeia entre as árvores, e lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos das folhagens somente coisas boas e claras, presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, na floresta ou solidão se sentem em casa, e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata, ora meditativa, são andarilhos, poetas, loucos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia de hoje ser tão belo e ser tão puro, tão radiante, translúcido e sereno. Esses — esses só buscam o agora."

Nietzsche - Humano, Demasiado Humano.


Esta é a minha versão do Capítulo VIII - inciso 638. Tomei como base (e mexi bastante nela) a belíssima tradução feita por Rubens Rodrigues Torres Filho, meu ex-professor na USP.

Compare as versões. A original está no primeiro comentário.


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1.6.09










Houve um tempo em que fiquei sete anos sem fazer amor...




































Foi desde que nasci até os sete.

Então comecei, gostei — e não parei mais!

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Mude
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Ou veja alguns despedaços da minha biografia no site:
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Meu livro-poema MUDE - 96 páginas - Ed. Pandabooks. À venda na Siciliano, FNac, Cultura, Saraiva, Submarino, Americanas, Extra, Casas Bahia, Ponto Frio, Livraria da Travessa, Livraria da Folha. /// Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. /// Com prefácio do querido Antonio Abujamra.

Os meus livros Solidão a Mil e Manual da Separação foram reeditados: o primeiro com 300 páginas e o outro com 202 páginas. Click nas imagens acima para ler os capítulos iniciais em PDF. /// Ou click aqui para acessar uma página especial com mais detalhes.

Este é um blog experimental, no mais amplo sentido que a palavra possa ter. Aqui só quero mesmo é te fazer pensar.
Contra ou a favor ao que proponho — não importa.
Mas, pensar.


Mulheres
MEU JEITO DE ESCREVER
.Solidão a Mil.
Navegar é preciso. Viver é necessário.
Te amo quando aplaudo teus desejos de voar.


Comercial da Fiat para TV - feito pela Leo Burnett - Poema Mude

O processo Mude - Clarice Lispector

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações elaboradas sobre aspectos da realidade — comprováveis ou não — mas necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, visão do mundo, e capacidade intelectual de quem as propõe.

Algumas Perguntas

Amo a Liberdade como se não pudesse amar outra coisa. Eu defendo o Amor Livre, pois o contrário seria defender o amor preso. Afinal, sou bisneto da rebeldia... Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. No céu da minha boca não há fogos de artifício: só estrelas.

Google Art Project !

Paulo Coelho publicou-me no Twitter e Facebook (em inglês), além de publicar o poema Mude em suas colunas, em mais de dez jornais do Brasil e do exterior — sem citar-me como autor. /// Click aqui.


Change. But start slowly, because direction is more important than speed.
Apesar de Paulo Coelho ter dito que essa frase é dele, não é. Sou o autor. Confira: são exatamente os versos iniciais do poema Mude.


Daqui você sai diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu blog eu coloco um monte de pregos instigantes e palavras que te ferem de algum modo, deliciosas...

Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva. Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.



Mude no CD Filtro Solar - Pedro Bial faixa 4 - Simone Spoladore


Video com o Poema Mude - em versão minimalista interessante.


O que penso do ciúme...

"Tu te tornas eternamente responsável...?"

Veja aqui minha biografia zen

SOLIDÃO X SOLITUDE



Veja meu perfil quase completo


@EdsonMarques

Veja aqui um Projeto Cultural Inovador

Meus projetos em Arquitetura

"Mude é viver. Num nível que poética é a luta que não decepciona. A sinceridade de Edson Marques explode nesse poema que, evidentemente, Clarisse Lispector aplaudiria pelo risco corajoso de querer movimentar o volume dos cérebros que o leem. Um poema que enobrece e que não imita, cria beleza na dimensão que desenvolve o talento para que as inibições particulares não apodreçam o homem. É um estilo de provocação apaixonante e não existe um leitor que não fique preso às palavras de coragem que mostram a necessidade de não nos enganarmos sobre nós mesmos. Meu aplauso." — Este é o prefácio de Antonio Abujamra ao meu livro Mude

Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Poema MUDE - Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude
Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo sabor,
o novo prazer, o novo amor.
(...)
Tente.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
(...)
Só o que está morto não muda !
Edson Marques


Leia o poema todo no final desta coluna.

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial
Comprar o CD FILTRO SOLAR no Submarino

Manual da Separação


Sou apenas um poeta

Mas estou profundamente envolvido
em alcançar uma concepção de arte e de literatura
que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida.


Livro MUDE à venda em todo o Brasil. Click na imagem abaixo:



Eis o primeiro video do poema Mude, com música de Tom Petty


Aqui o famoso Comercial da Fiat - veiculado na Globo e SBT.

DesaFiat
Veja aqui o espantoso caso em que o filho de Clarice Lispector vendeu um poema de Edson Marques para a Fiat, por quarenta mil dólares. Isso foi há dez anos. E ele ainda não devolveu o dinheiro.


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Mataram a formiguinha
Breve análise psicológica do assassininho.


Dilma Rousseff

Virgem Maria - uma história

Infinito Jantar Feminino

A vida tem dois caminhos




Luz no fim do túnel...

Dia Internacional do Homem

Não estou à venda!

MUDE - em inglês: versão NÃO autorizada - feita por Paulo Coelho
No Twitter Paulo Coelho também cita o Mude / Change

O Professor

Baixe aqui um áudio gravado por mim
Trinta minutos de provocações poéticas sobre como viver a vida.

Para ouvir, use Windows Media Player.


As 50 questões em PowerPoint - texto.

Toninho Garcia falando de MUDE


Acione o botão acima e ouça algumas propostas

Gravação caseira feita por mim em 1997.

Originais do livro Solidão à Mil
Aqui você poderá ler meus textos mais longos.


Sou apenas um poeta

Escolha este blog como sua Página Inicial.

Já estamos quase no fim do ano que vem...

www.EdsonMarques.com

Ana Maria Braga declama o poema Mude.
E pela segunda vez no Mais Você...

Mude original - por Camila Bossolan

Video MUDE com música de Tom Petty

Mude - no CD Filtro Solar do Pedro Bial



Meus projetos em Construção Civil

Obra Parada!

Viver a Vida



Orkut




2011


CD FILTRO SOLAR no Submarino

Seguem alguns textos meus que me são fundamentais:

01. EU TE AMO
02. Eu não te amo...
03. Algumas Perguntas
04. Sem medo e sem pressa
05. Sete Personagens à Procura de Mim
06. Separem-se no Pico
07. Abençoado pelos Espíritos Santos
08. Fiquei sete anos sem fazer amor...
09. Edna Mary Rangel
10. Vídeo Mude - flash
11. Elogios e Críticas
12.
Paritosh Keval
13. Meu conceito de Loucura
14. Nas horas vagas eu trabalho...
15. O Amor é eterno - as relações são passageiras.
16. O Provocador Abujamra
17. Minha mãe e eu
18. Joyce Ann.
19. Minha Vó Vitalina
20. Sou Bisneto da Rebeldia
21. As portas escancaradas do mundo
22. A vida está por um fio
23. Meu pai também era louco...
24. Tio Benedito Marques
25. Minha Mãe também se casou...
26. Projeto Cultural Revolucionário
27. Lúcifer - o iluminador
28. Dê-me a honra de ser a sua Página Inicial.
29. O maior amante do mundo
30. Desafiat
31. Mundançar
32. Patricia e Suzana
33. U-Net - uma idéia futurista
34. Sem tesão não há solução
35. Tudo que aqui escrevo é real
37. Aventura Inesquecível
38. O Pão da Minha Mãe
39. Se eu pudesse começar de novo...
40. Uma sinopse — por Lima Coelho
41. O Livro de Jó
42. Se não for agora, quando?
43. As idéias do Outro
44. Minha primeira noite..
45. O Professor
46. Mude no Submarino
47. Meu livro Manual da Separação
48. Mude em espanhol
49. Separem-se no Pico, outra vez!
50. Mude no jornal A Tribuna
51. Mulheres
52. Meu pai
53. A Lady e a Barraqueira
54. Abujamra e o prefácio do livro Mude.
55. Projeto Cultural Revolucionário
56. Meus professores
57. Vitalina Botticelli
58. Minha Mãe
59. Sem fome Sem sono Sem pressa Sem dor
60. O dia em que Mona Lisa chorou
61. Feliz 2008
62. Sou Bisneto da Rebeldia
63. Cachoeiras de São Francisco
64. Em nome da Vertigem
65. O Poeta e o Filósofo
66. Poema MUDE em italiano
67. Vídeo Mude
68. Presente de Aniversário
69. Diana e seus peitinhos...
70. Comercial da Fiat - MUDE
71. Video Mude em flash
72. Dicionário de Português
73. Divino Jantar
74. Kira
75. Prêmio Cervantes Ibéria 1993
76. I celebrate myself
77. Abujamra interpreta Mude
78. Os seios de minha Mãe
79. Meu mais recente amor eterno
80. Além de Loucura, Deus me deu Razão
81. Ontem salvei uma vida
82. Posso estar certo
83. Éramos diferentes...
84. Desmandamentos.
85. Uma ideia para o Metrô SP
86. Muro de Berlim
87. Ordem de Prisão contra mim
88. Tristeza e depressão
89. Nenhum dos meus mamãos me compreende
90. Paulo Coelho plagia Edson Marques
91. A vida é um jogo
92. Só os inteligentes se salvam
93. Eu, Jesus e Henry Miller
94. Tudo por um livro do Edson!
95. Teoria do Acaso
96. Um bruto com coração
97. Ciúme versus Amor
100. Paulo Marinho - uma homenagem

Nossa equipe está buscando e denunciando plágios de textos de Edson Marques, especialmente do poema Mude, por causa do julgamento do processo contra os herdeiros de Clarice Lispector.
— Você acha correto publicar um texto alheio sem citar o autor?
Publicar sem citar a fonte é Plágio. E plágio é uma coisa ridícula...



.. Jean Gabin - Je sais.


Veja aqui quem ilumina o blog Mude.
Por país – por cidade.
Desde 25/09/2007.


Às vezes altero textos antigos e os republico
aqui - só para que novos leitores os conheçam,
e também para que você teste sua memória...


LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

A Hering também publicou meu poema Mude



Minha literatura é feita de excessos.
Eu falo de Amor e Liberdade.
Só escrevo para loucos brilhantes
e jovens de espírito.
Se você não for nem uma coisa,
nem outra,
não vai gostar do que eu digo.


Mude

Meu livro "Manual da Separacao"
pode ser encontrado, entre outras livrarias,
na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
Em Santos => Realejo Livros - (13) 3289.4935

Vídeo Mude - em flash

Poema MUDE - Autor: Edson Marques
Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura
Registro: 294.507 - Livro: 534 - Folha: 167


Mude

Mude
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as
.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!

Edson Marques.


Change
Only what is dead does not change
- and you are alive.
Versão em inglês feita por Paulo Coelho, adulterada, e sem minha autorização.


Bibliotecários


Video MUDE - Fiat

O "Manual da Separação" pode ser encontrado, entre outras livrarias, na Temos Livros, fone (11) 3223.2585.
E também na Realejo Livros - Santos - (13) 3289.4935





O livro Mude está à venda nas livrarias
Cultura
Fnac
Saraiva
Melhoramentos
Siciliano
e no Submarino



São Paulo 11-3088.8444




Todos os textos daqui foram escritos por mim. Inclusive, é claro, o poema Mude — que muita gente acha que é da Clarice Lispector.



Foto feita por Suzana. Parati, 1999.


Meus anos podem ser poucos, e podem ser breves
- mas são todos loucos.


Edson Marques



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Reaja Mude Viva Dance
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