21.2.08

escrevo

Não penduro nas paredes da sala as fotos dos meus amores como fossem troféus de caça. Porque são elas as feras que me caçam, me conquistam, me amam, me mordem, me lambem, me acariciam. Só não permito que se acasalem comigo. Pois, assim como pintores precisam de modelos, também escrevo melhor quando as tenho à vista, nuas, puras, belas — todas.

Às vezes, chego a pensar que já não mais escreverei coisas novas, mas logo em seguida, inspirado por amantes deliciosas em noites de luar, outras idéias fervilham na minha cabeça flamejante; no coração, metáforas pululam docemente como rãs embriagadas; nos meus olhos abertos, imagens dançam coreografias revolucionárias criadas por Martha Graham; de minhas línguas e seus versos nascem palavras grávidas de encantos que se dão à luz.

Então, escrevo.

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