Se eu já te amasse tudo deixaria agora mesmo de te amar o resto, meu amor. No dia em que atingirmos o pico, nosso amor se completa. Por isso, quando a hora chegar, te deixarei voando...
Mude
Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.
28.5.12
27.5.12
auditor jesus
Se eu não devo me esquecer jamais do bem que alguns me fazem, por que deveria eu esquecer do mal que outros me fizeram? Seria injusto. Se for desse modo, a contabilidade não fecha... E Deus, implacável auditor, não gostará de ver um erro assim tão grave no meu balancete.
Eu às vezes contrario o auditor e até me esqueço de certas maldades que alguns já me fizeram. Mas em seguida me lembro da Bíblia, Lucas 17-3, onde se pode ler que: Se teus irmãos fizerem uma maldade contra você, mas se arrependerem sinceramente, conceda-lhes o perdão. Antes, porém, dê-lhes uma porrada inesquecível. Entretanto, como o assunto é complexo, vou pensar mais um pouco a respeito. Afinal, tem coisas que nem sabemos se são um bem ou são um mal...
Eu às vezes contrario o auditor e até me esqueço de certas maldades que alguns já me fizeram. Mas em seguida me lembro da Bíblia, Lucas 17-3, onde se pode ler que: Se teus irmãos fizerem uma maldade contra você, mas se arrependerem sinceramente, conceda-lhes o perdão. Antes, porém, dê-lhes uma porrada inesquecível. Entretanto, como o assunto é complexo, vou pensar mais um pouco a respeito. Afinal, tem coisas que nem sabemos se são um bem ou são um mal...
cerebro
O cérebro humano, para executar funções vitais e controlar o Sistema, precisa de até 60% de toda a energia que o corpo produz. Mas se você anda gastando energia com outras coisas, geralmente absurdas e ridículas — tais como raiva, pressa, medo, ciúme, ódio, inveja, trabalho não criativo, preocupações bobas e excesso de seriedade — pode acabar faltando energia para o cérebro. E as consequências serão fatais.
26.5.12
roubei uma calcinha
Certa vez eu roubei uma calcinha. Shopping Ibirapuera, 1998. Eu estava perambulando logo após ter escolhido duas garrafas de Mateus branco. Ao passar pela seção de lingerie, meus corações pousaram no corpo insinuoso de uma gata desenhada por Da Vinci. Quando levantei os meus olhos e encontrei os dela, sorridentes, eu lhe disse que gostaria muito de vê-la com aquela calcinha rosa tão linda, que está ali, penduradinha. Ela então me respondeu que faria isso apenas se eu roubasse a calcinha. Roubei. Vi. Adorei. Tomamos as duas garrafas. E a relação durou seis maravilhosos meses. Eu acho que Deus criou o acaso exatamente para que essas coisas aconteçam.
as questoes da filosofia
Segundo Edson Marques, as questões fundamentais da Filosofia são:
O que sou?
O que posso saber?
O que devo fazer com aquilo que sei?
E quais as consequências do que sou, do que sei e do que faço?
Se você não souber as respostas a essas perguntas — nem as está procurando racionalmente — desperdiça o potencial infinito que Deus lhe deu.
O que sou?
O que posso saber?
O que devo fazer com aquilo que sei?
E quais as consequências do que sou, do que sei e do que faço?
Se você não souber as respostas a essas perguntas — nem as está procurando racionalmente — desperdiça o potencial infinito que Deus lhe deu.
25.5.12
solitude
Jamais experimente a Liberdade se você não for capaz de suportar a Solidão.
Eu diferencio claramente solidão de solitude: esta é voluntária e corajosa; aquela nos é imposta pelo Medo. Solidão é carência. Solitude é suficiência. A solitude tem beleza e esplendor: por isso, positiva. A solidão é humilhante, escura e melancólica: portanto, negativa. A primeira é saudável; a outra, uma doença. Solitude é coisa do indivíduo. In-divíduo. Inteiro. Único. Indivisível. Porém, a solidão vive sempre em busca de caras metades. Sempre pede companhia, implora companhia. Mas só companhia não resolve essa questão. Tanto, que existe solidão a dois e solidão a mais. Escrevi até um livro a respeito, com 370 páginas, cujo título é Solidão a mil — com o duplo louco sentido que o termo sugere. Mas o tema é complexo, e eu fico pensando.
O texto continua aqui.
Eu diferencio claramente solidão de solitude: esta é voluntária e corajosa; aquela nos é imposta pelo Medo. Solidão é carência. Solitude é suficiência. A solitude tem beleza e esplendor: por isso, positiva. A solidão é humilhante, escura e melancólica: portanto, negativa. A primeira é saudável; a outra, uma doença. Solitude é coisa do indivíduo. In-divíduo. Inteiro. Único. Indivisível. Porém, a solidão vive sempre em busca de caras metades. Sempre pede companhia, implora companhia. Mas só companhia não resolve essa questão. Tanto, que existe solidão a dois e solidão a mais. Escrevi até um livro a respeito, com 370 páginas, cujo título é Solidão a mil — com o duplo louco sentido que o termo sugere. Mas o tema é complexo, e eu fico pensando.
O texto continua aqui.
pequenino jesus
Deus não precisava ter feito Jesus crescer. Devia tê-lo deixado para sempre pequenino... Como criança, Ele nos teria salvado da mesma forma. Ou talvez até de modo ainda mais poético e romântico. E o que é melhor: as autoridades não teriam coragem de crucificar uma criança.
24.5.12
libido
A libido move o mundo. Quando eu escrevo essa linda frase, as pessoas me chamam de tarado. Mas quando eu respondo que foi exatamente isso que disseram Freud, Jung, Reich e Lacan — e até Santo Agostinho! — ninguém os chama de tarados. Por que essa diferença de tratamento para comigo? Só porque sigo o que me dizem os Mestres? Ou será por outras razões? [Risos!]
23.5.12
meus pontos de vista
Elogios e críticas. Algumas considerações sobre os meus pontos de vista.
Como toda pessoa com posições seriamente democráticas — no sentido grego da expressão — eu aceito tanto as críticas positivas quanto as negativas a respeito do que sou, do que penso, e do que faço. Todas elas são, por definição, simples manifestações de opinião — e todas, por isso mesmo, igualmente passíveis de serem verdadeiras ou falsas. Com base nessa premissa tão elementar, eu concluo que seria irracional privilegiar umas em detrimento das outras.
(...)
Para continuar lendo, click AQUI.
Como toda pessoa com posições seriamente democráticas — no sentido grego da expressão — eu aceito tanto as críticas positivas quanto as negativas a respeito do que sou, do que penso, e do que faço. Todas elas são, por definição, simples manifestações de opinião — e todas, por isso mesmo, igualmente passíveis de serem verdadeiras ou falsas. Com base nessa premissa tão elementar, eu concluo que seria irracional privilegiar umas em detrimento das outras.
(...)
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autoridades
Cuidado com as autoridades: elas condenaram Sócrates a tomar cicuta, e assassinaram Jesus.
22.5.12
espirito da consciencia
O espírito amoroso e excitado da consciência abraça sempre a minha alma e dançam juntos no meu próprio coração. Para que não se possa mais deter minha loucura, nem frente ao juízo em contrário que as paixões sinceras acabam provocando. Minha alegria não precisa nunca mais de recompensa: ela mesma já se paga e abençoa porque existe simplesmente. Afinal, ninguém consegue desfazer o que foi feito — se foi feito com razão e gostosura, com amor e liberdade.
boa ideia
Criar uma empresa de turismo intergaláctico pode ser uma grande ideia — daqui a cem ou duzentos anos. Não hoje. Assim como montar uma fábrica de chapéus masculinos no Brasil na década de 1920 seria uma boa ideia — mas não agora. Ou seja, não basta ter uma boa ideia: é preciso contextualizá-la. O empreendedor criativo sempre tem noção de timing. Não só o tempo, mas também o lugar certo para implantar o que pretende. O texto sem contexto nada vale.
21.5.12
ciumento traidor
A pior espécie de ser humano é o ciumento traidor: aquele que se sente livre para viver outros romances e outras aventuras, mas exige que sua parceira fique em casa, sozinha e protegida por seu contrato de exclusividade amorosa e sexual. Ele pode tudo — e ela pode nada. As regras que valem para sua vítima não valem para ele. Cuidado com esse tipo de gente. Ciumento assim costuma ser muito perigoso. Relações desse tipo não valem a pena.
20.5.12
cascas
Dizem que as pessoas, para serem felizes, devem se descascar. Devem livrar-se das cascas como se livra de uma lepra. Todos nascemos sem cascas. As crianças, recém-nascidas e até certa idade, são puras, limpas, inocentes. Mas os pais e as mães (medrosos, incultos, e quase sempre despreparados) vão cobrindo-as de cascas. Depois, os professores, a polícia e os patrões (e os namorados ciumentos) completam a cobertura com mais cascas. Muitas cascas. E o que é pior: mais tarde, as próprias pessoas, elas mesmas, erradamente, supõem que essas cascas lhes são naturais, e até indispensáveis. E acabam se cobrindo com mais algumas, escolhidas ao acaso. Mal sabem, as coitadas, que essas cascas não as protegem: aprisionam. E quando descobrem que foram enganadas, geralmente é tarde demais.
Cascas, ou máscaras. Ou neurose freudiana. Grosso modo, são as mesmas coisas. Caso o tema te interesse, faça uma pesquisa. Sugiro o livro Análise do Caráter, do Reich. Ou comece lendo isto. Claro que as cascas, as máscaras, as couraças, as neuroses — tudo são "soluções" de sobrevivência. Soluções que não privilegiam nem o amor, nem o prazer, nem a liberdade. Nem a vida. Mas esta é outra história.
Cascas, ou máscaras. Ou neurose freudiana. Grosso modo, são as mesmas coisas. Caso o tema te interesse, faça uma pesquisa. Sugiro o livro Análise do Caráter, do Reich. Ou comece lendo isto. Claro que as cascas, as máscaras, as couraças, as neuroses — tudo são "soluções" de sobrevivência. Soluções que não privilegiam nem o amor, nem o prazer, nem a liberdade. Nem a vida. Mas esta é outra história.
19.5.12
camelo divino
É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um idiota entrar no Reino de Deus.
Volto aqui depois para conceituar a expressão "Reino de Deus". Usada reiteradamente por Jesus e seus seguidores, é uma das metáforas mais maravilhosas já criadas pelo homem.
Volto aqui depois para conceituar a expressão "Reino de Deus". Usada reiteradamente por Jesus e seus seguidores, é uma das metáforas mais maravilhosas já criadas pelo homem.
felicidade
A felicidade só existe na outra vida. Dito assim, pode até chocar. Mas é verdade. Precisamos apenas conceituar os termos "felicidade" e "outra vida". Felicidade você (não) sabe o que é. Mas "outra vida" é aquela que você está deixando de viver. Aquela que você hoje troca por qualquer coisa. Por bugigangas e quinquilharias. Por compromissos absurdos, relações opressivas — e erros de avaliação. E por pressa. Muita pressa...
18.5.12
alcool redondo
A escrita é o código da voz. Uma das maiores invenções — depois do orgasmo. A roda do vinho faz tudo girar. Depois de dois ou três copos minha voz Vitalina, e já realiza sinapses verbais. Ideias escorrem pelas pontas dos meus dedos falantes. Eu começo a desenhar flores e planos nos guardanapos do boteco, enquanto as delícias dançam no meu próprio coração. Meu peito entusiasmado, pleno de espírito, quase explode. Trilhões de átomos já estão se reunindo, sonho a dentro e mundo afora, desde hoje, para que eu os encontre em forma de estrelas e corpos em maio do ano que vem. E é por isso que eu escrevo declarações de amor para Deus nesta noite açucarada. A roda da vida faz tudo girar. O álcool deve ser redondo, e o Universo — também.
montanha imaginaria
Hoje eu vou te contar uma história maravilhosa. Fictícia, mas maravilhosa. Imagine você chefe, comandante de uma velha cidade perdida nas montanhas. Imagine que num dos bairros dessa cidade as coisas começaram a se complicar. As pessoas, lá, estavam se desentendendo, muita desordem, muito roubo, muito assalto, fome, miséria, corrupção. Muitas brigas, invejas, ódios, ciúmes, desolação. Um perigo. Como você já deve ter imaginado, você é o chefe dessa cidade perdida nas montanhas. Logo, você é também o chefe desse bairro perigoso, onde as coisas, por alguma razão, fugiram ao teu controle. Por erro de administração, falta de tino gerencial, talvez inexperiência — não importa. Só sei que as coisas fugiram ao teu controle. Imagine também, agora, que você tem um filho. Um filho único, pequenino, inocente. Um filho bondoso, carinhoso, amoroso, que te beija e abraça toda noite, antes de dormir. Que não gosta de briga, que detesta confusão. Um filhinho inteligente, delicado, que gosta de lírios e pássaros. Ou seja, uma criança. Como você já deve ter imaginado tudo isso, eu agora te pergunto: para resolver essas rusgas lá no bairro perigoso na zona sul da montanha, cheio de bandidos e assassinos, você, como chefe supremo da cidade, vai pessoalmente — ou vai mandar essa criança? Você vai dizer: “Filho, vai lá resolver pra mim essa questão, porque o papai tá ocupado”, ou você vai dizer: “Filho, fica aqui, brincando e estudando, que o papai vai lá, resolver essa parada!” — ?!
Sabe. Conhecendo bem você — como eu conheço; sabendo do teu caráter, da tua bondade, da tua coragem; sabendo do quão humano você é, do quão digno e compreensivo você é — eu tenho certeza de que você, chefe supremo da cidade perdida na montanha imaginária, você mesmo, pessoalmente, iria lá, resolver a parada. Porque a gente que tem poder, tem que ter atitude. Tem que tomar o pulso da situação. Tem que encher o peito e cair no mundo. Portanto, conhecendo como te conheço, eu sei que você deixaria o teu filho único em casa, brincando em segurança, e iria lá, resolver a questão. Acontece que nem todo pai é assim. Nem todo pai tem discernimento, bom senso e sabedoria. Nem todo pai merece ter filho. Tem pai que é bunda mole — e nem merecia ser chefe de porra nenhuma. Nem da própria casa. Conheço um, que mandou seu filho único se foder lá na Galiléia. E ficou em casa, coçando o saco e vendo TV. Um pai desses eu não quero nem morto...
Sabe. Conhecendo bem você — como eu conheço; sabendo do teu caráter, da tua bondade, da tua coragem; sabendo do quão humano você é, do quão digno e compreensivo você é — eu tenho certeza de que você, chefe supremo da cidade perdida na montanha imaginária, você mesmo, pessoalmente, iria lá, resolver a parada. Porque a gente que tem poder, tem que ter atitude. Tem que tomar o pulso da situação. Tem que encher o peito e cair no mundo. Portanto, conhecendo como te conheço, eu sei que você deixaria o teu filho único em casa, brincando em segurança, e iria lá, resolver a questão. Acontece que nem todo pai é assim. Nem todo pai tem discernimento, bom senso e sabedoria. Nem todo pai merece ter filho. Tem pai que é bunda mole — e nem merecia ser chefe de porra nenhuma. Nem da própria casa. Conheço um, que mandou seu filho único se foder lá na Galiléia. E ficou em casa, coçando o saco e vendo TV. Um pai desses eu não quero nem morto...
17.5.12
minha genetica
Do meu Pai eu herdei a razão, e da minha Mãe, as emoções. Meus irmãos só herdaram as casas, os terrenos, as propriedades... Ou seja: eu herdei a loucura; eles — a insanidade.
É justo. É a vida.
É justo. É a vida.
meu verbo
Minha palavra não tem limites: nem mesmo as regras da gramática me impedem de dizer as verdades que eu questiono. Não há juízo de valor no meu peito enluarado, não há teias de aranha nos meus braços estendidos. Hoje as minhas mãos sonharam — e os meus corações também. Estas coisas que agora digo são feitas de sonho e óleo de amêndoas. Eu me escrevo como se me lesse, delicante, entre flores e ternuras. Sou o feitor absoluto das palavras que me criam e do modo como são lidas. Porém, as melhores leituras que de mim se fazem são as dos teus olhos brilhantes quando me (des) cobrem de amor.
16.5.12
um cachorro chamado fuba
Conheci ontem um menino, adolescente, que já faz planos para sua vida futura. Disse-me que vai se casar com vinte anos de idade, com uma mulher lindíssima, morar numa casinha de campo, ter treze filhos maravilhosos, e um cachorro chamado Fubá. E ainda quer mais duas coisas: ser arquiteto — e ser feliz. Então eu fico aqui, imaginando o quadro. A cena. O chiqueirinho dos porcos, a criação dos coelhos, a hortinha de verduras, os pepinos e os tomates. O ambiente bucólico, os treze fedelhos correndo no quintal, a mulher mexendo panelas no fogãozinho de lenha, as roupas penduradas no varal, e o Fubá dormindo na soleira da porta. Tudo na santa paz. Mas um dia vai dar pau. Pois a escola vai ser longe, as crianças terão dor de dente, vai aparecer uma goteira, as fraldas sujas vão se acumular no quartinho, a mulher linda vai ficar descabelada, a conta de luz vai vencer, e o querosene, acabar. Uma tragédia... Contudo, jamais tentarei demovê-lo dessa ideia maluca. Afinal, milagres acontecem — e Toninho pode até sentir-se feliz no meio dessa balbúrdia. O difícil é que todos os dezesseis personagens dessa história (além dos porquinhos e dos coelhos) se sintam felizes, simultaneamente. É provável que esse sonho do menino, do jeito que está sendo sonhado, vire um pesadelo. E é claro que a felicidade e o curso de arquitetura vão acabar ficando para mais tarde. Bem mais tarde. A menos que Deus intervenha, e convoque um batalhão de anjos para socorrer o Toninho.
15.5.12
pessoas inseguras
Pessoas inseguras precisam de segurança. Por isso o medo, a inveja, o apego, o ciúme. Aliás, o ciúme é a pior demonstração possível de apego. Em verdade, o ciúme é uma traição — pois se manifesta falsamente em forma de amor. O ciúme é uma víbora maldosa, que de vez em quando se descasca — e dá o bote!
14.5.12
bolo de fuba
Certa vez minha Mãe fez um bolo de fubá. Daqueles que eu adorava. E me chamou num canto da sala e me disse: hoje é teu aniversário. Eu devia ter uns doze ou treze anos, e pensei que ela tava ficando louca, pois meu aniversário sempre foi 15 de julho — e nós estávamos em meados de setembro. Só bem mais tarde eu entendi: 22 de setembro é o dia em que fui fecundado pelo Inspírito Santo. A partir de então, comemoro meu aniversário só no dia da Primavera, e não mais naquele dia estranho e sem rima que anotaram no meu RG.
13.5.12
anti edipo
Hoje eu amanheci freudiano. Quero escrever algo sobre o que geralmente sucede a pessoas que não amam suas respectivas mães. Pessoas que não veneram suas mães. Não as idolatram. Minha tese nada tem a ver com castigos divinos ou miudezas semelhantes. Mas tem tudo a ver com o absurdo que é negar a própria origem. É uma coisa muito difícil de se consertar, pois desvalorizar a mãe é desqualificar a fonte da sua própria vida. Do ponto de vista psicanalítico, pode ser um desastre.
A primeira vez que toquei nesse tema foi num texto chamado Meditações, publicado em 11.12.2010.
A primeira vez que toquei nesse tema foi num texto chamado Meditações, publicado em 11.12.2010.
mae
Eu me lembro das canções de ninar que ela cantava para que eu não dormisse — do Kyrie Eleison ao Noel Rosa. Eu me lembro do conselho que me deu: que eu nunca deixe de ser Eu. E me lembro do dia em que eu nasci: era um dia de duplas esperanças. Era uma noite de luar azul escandaloso. Era um sábado de alelúias e esperas, de poesia e de romance... Era uma casinha de madeira e primaveras, ao lado de uma bela roseira branca, no finzinho de uma rua principal. Era hora de metáforas, era hora de loucuras. Como toda musa entusiasmada era fora deflorada com amor por um louco e delicado jogador, que se chamava Luiz. Era outra vez madrugada e ela encantada outra vez... Foi então que essa Mulher se decidiu me dar a Luz. E deu.
Era o começo de duas histórias de Amor.
12.5.12
coisas pra te contar
Eu tenho coisas pra te contar. Descobertas que já fiz. Segredos que revelei — e outros que escondi. Eu tenho muitas coisas pra te contar. E é por isso que eu insisto em semear um pouco de Sócrates a granel nas areias do teu louco cotidiano. Semear alguma coisa nova na clausura emocional que te protege. Quebrar as prateleiras corroídas dos teus paradigmas mais sólidos, e espicaçar o miolo seco dos queridos teus padrões inconscientes. Derrubar tuas verdades, todas elas, no sagrado e luminoso solo bom do raciocínio.
Não é fácil.
Não é fácil.
bobo da corte
Se o "bobo da corte" for inteligente — e tiver consciência do seu papel — ele se torna um grande jogador. E ainda ri do Rei sem ser decapitado.
11.5.12
olhar diamante
Não penso que te possuo, meu Amor — nem quero te pertencer. Não quero ser o dono exclusivo dos teus olhos, nem os meus eu te darei. Só quero mesmo é a luz tão amorosa e tão brilhante que nasce todo dia no teu doce olhar diamante. Até porque o que nos liga neste mundo é uma coisa muito boa e tão profunda, que se chama Liberdade.
10.5.12
surrealismo
O amor livre em todas as suas formas, o escândalo, a poesia entusiasmada, e um profundo respeito à vida e à Liberdade. Um profundo respeito ao Ser Humano Livre. Arte em estado puro — e desgovernada. Sonhos e desejos. Fantasias. Loucuras deliciosas. Era mais ou menos isso o que os Surrealistas queriam. Eles gritavam para que nunca deixássemos a bandeira da imaginação hasteada no meio do mastro da Vida. Eles repudiavam os conservadores e os hipócritas. Xingavam os acomodados e os autoritários. Chegaram a escrever (André Breton, em 1924) um Manifesto maravilhoso — que você deve ler agora mesmo. Porque os realistas, ainda hoje, temos muito a aprender com os Surrealistas. Os artistas do surrealismo que eu considero mais importantes são: o escultor italiano Alberto Giacometti, o dramaturgo francês Antonin Artaud, os pintores espanhóis Salvador Dalí e Joan Miró, o belga René Magritte, o maluco genial alemão Max Ernst, o cineasta espanhol Luis Buñuel e os escritores franceses Paul Éluard, Louis Aragon e Jacques Prévert.
9.5.12
lirios quanticos
Por que os lírios nascem? Eu estava aqui, tomando café e ouvindo pássaros, quando me fiz essa questão. E concluo que os lírios nascem para equilibrar o Universo. Sem esses dois pezinhos de lírio, o Universo hoje estaria penso — penso eu. E as moléculas do seu perfume chegam até o meu cérebro em forma de sinapses, e até o meu peito em forma de suspiros. Como podemos notar, os lírios nascem para equilibrar o universo e dar sentido ao meu próprio coração. Acontece que esse equilíbrio ainda é parcial, pois só se completa, e só existe de verdade, quando teus olhos sorriem para esta minha história fabulosa. É a vida.
8.5.12
merecemos amores
Todos nós merecemos amores que não sejam eternos. Muitos amores. Que nos amem, que nos permitam amá-los, e que depois nos deixem — melhores.
7.5.12
novas epocas
Preciso sempre de novas épocas, assim como de novos amores e novas ideias, porque são estes e estas que constroem aquelas. Em verdade eu não preciso de novas épocas — eu gosto mesmo é de criá-las. Contudo, minhas épocas não são questões de geografia nem se trata só de tempo. São circunstâncias amorosas vivenciadas por mim e por aqueles que comigo dançam.
6.5.12
arco retesudo
Minha cabeça é um arco retesudo, e minhas ideias — setas de amor e liberdade que arremesso em tua direção. Não fuja delas: deixe que lhe deflorem de luz o peito. Há uma noite de luar e vinho em que hoje mergulho cego. Com a mão direita eu toco no clitóris de uma estrela, e com a outra seguro um copo imaginário. O álcool me torna lúcido. Meu coração tem sempre razão. Pois o modo como eu trato uma mulher reflete o modo como trato a própria natureza. E vice-versa. É com essas agulhas que eu costuro a lona azul do céu que me descobre. Minha vida é um circo. Meu amor, a circunstância.
bichinho crente
A pior coisa que os pais podem fazer a uma criança é fazê-la crer em Deus antes que ela conheça Sócrates. O argumento "papai do Céu castiga", por exemplo, além de mentira cruel, é um sofisma — mas eu suponho que pais desse tipo nem saibam o que é um sofisma. "Isto é pecado", "Deus tá vendo", etc. — todas essas ameaças veladas confundem a cabeça da criança. Acontece que é muito mais fácil "educar" um bichinho obediente do que um filosofozinho questionador. Porém, a crença em Deus, imposta assim, deveria ser considerada abuso intelectual. Crime inafiançável.
Não quero ofender ninguém. Tenho um respeito muito grande pelos cristãos e pelos crentes. Porém, como filósofo, e com responsabilidades intelectuais que levo a sério, não posso apoiar a fé — aqui entendida como crença inquestionável na existência sobrenatural de seres mitológicos. Entretanto, como poeta, eu creio num Deus maravilhoso, que mora dentro do meu próprio coração. Inclusive no meu próprio coração. Porque Ele mora também no coração das estrelas. O meu Deus pode até ser o mesmo que o teu — só que o meu é mais poético e não me exige uma fé inabalável. De certo modo, e no sentido figurado, eu creio nele e Ele em mim. Não negociamos nossas crenças em comum. Por isso, quando falo com meu Deus, dou-lhe a garantia de que sou-lhe seu amigo e não seu seguidor. Converso com Deus por opção poética, não por dever da crença. Minha chance de ser salvo, portanto, é bem maior do que a de um papa ou de um pastor. Aliás, dando-me as condições intelectuais de ser ateu, especialmente a lógica e a razão, Deus já me salvou dos horrores e desgraças de uma fé sem fundamento. Por isso mesmo estou agora escrevendo um livro sobre o assunto, cujo título é The Master of Jesus.
Não quero ofender ninguém. Tenho um respeito muito grande pelos cristãos e pelos crentes. Porém, como filósofo, e com responsabilidades intelectuais que levo a sério, não posso apoiar a fé — aqui entendida como crença inquestionável na existência sobrenatural de seres mitológicos. Entretanto, como poeta, eu creio num Deus maravilhoso, que mora dentro do meu próprio coração. Inclusive no meu próprio coração. Porque Ele mora também no coração das estrelas. O meu Deus pode até ser o mesmo que o teu — só que o meu é mais poético e não me exige uma fé inabalável. De certo modo, e no sentido figurado, eu creio nele e Ele em mim. Não negociamos nossas crenças em comum. Por isso, quando falo com meu Deus, dou-lhe a garantia de que sou-lhe seu amigo e não seu seguidor. Converso com Deus por opção poética, não por dever da crença. Minha chance de ser salvo, portanto, é bem maior do que a de um papa ou de um pastor. Aliás, dando-me as condições intelectuais de ser ateu, especialmente a lógica e a razão, Deus já me salvou dos horrores e desgraças de uma fé sem fundamento. Por isso mesmo estou agora escrevendo um livro sobre o assunto, cujo título é The Master of Jesus.
5.5.12
cotidiano
O dia de hoje é algo extraordinário. Faça dele um paraíso.
Este vídeo deve ser visto todo dia. Tem 2 min. Está em inglês, mas depois vou traduzi-lo.
Este vídeo deve ser visto todo dia. Tem 2 min. Está em inglês, mas depois vou traduzi-lo.
sonho lucido
Sonho lúcido é uma expressão que não denomina bem essa categoria de sonho. Prefiro chamá-lo de sonho consciente. Hoje tive um. É a terceira vez só neste ano. Mesmo assim, muito pouco. Preciso descobrir as razões que lhe dão origem. Outro ponto a considerar é que talvez eu tenha tido outros nesse período, mas só me lembro de três. Embora não concorde totalmente com a expressão, continuarei me referindo a eles como sonhos lúcidos. Não posso contar-lhes o tema recorrente nos meus, mas particularmente já escrevo a respeito. É uma coisa muito agradável.
Antes de qualquer coisa, eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge
Antes de qualquer coisa, eu recomendo este livro: Sonhos Lúcidos - Stephen LaBerge
4.5.12
ombros do mestre
Os grandes mestres sempre nos disseram que a vida tem dois caminhos: o caminho da doença e o caminho da cura. Mas algumas pessoas, infelizmente, optam pelo caminho da doença, supondo ser o mais correto. É compreensível, porém é um erro. Não vai dar certo. Entretanto, há uma só solução (emocional e racional ao mesmo tempo), que requer coragem e muita humildade: abrir-se à experiência do aprendizado. Abrir os olhos e o coração — e subir nos ombros de um grande mestre, até para ver mais longe. E fazer do Amor a razão do seu viver e o seu próprio destino.
desaforo
Jamais considero desaforo aquilo que um idiota diz a meu respeito.
"Eu não levo desaforos pra casa". Quem repete essa frase deve ser só um insensato. Um papagaio de aluguel, potencialmente estressado e sem assunto. Em vez de citar Nietzsche ou Machado de Assis, profere uma insolência. Quem costuma reafirmar o seu caráter pessoal pronunciando tal besteira, já se mostra petulante, atrevido, inconsequente. Generaliza demais, e ofende a Lógica. Afinal, o que é um desaforo? Um insulto — podem dizer. Mas, um insulto praticado por quem, contra quem, sobre qual tema, e com qual objetivo? Aliás, para merecer tamanha reação apriorística, deve ser um impropério astronômico... Pois, se assim não for, por que deveríamos gastar tempo e energia com tal coisinha? Portanto, eu te pergunto: qual o teu conceito de desaforo? Qual a importância que tem para tua vida o fato de existir um desgraçado qualquer que te xinga ou "desrespeita"? Quanta verdade pode haver numa sentença pronunciada por boca irracional? Quanta relevância tem, para você, uma determinada coisa, ao ponto de causar alterações no teu metabolismo, desviando muitas funções realmente vitais, só para produzir uma carga enorme de hormônios e soluços? Meu conselho: leve alguns "desaforos" pra casa... Ou não mais considere desaforo aquilo que um ignorante qualquer diz a teu respeito.
"Eu não levo desaforos pra casa". Quem repete essa frase deve ser só um insensato. Um papagaio de aluguel, potencialmente estressado e sem assunto. Em vez de citar Nietzsche ou Machado de Assis, profere uma insolência. Quem costuma reafirmar o seu caráter pessoal pronunciando tal besteira, já se mostra petulante, atrevido, inconsequente. Generaliza demais, e ofende a Lógica. Afinal, o que é um desaforo? Um insulto — podem dizer. Mas, um insulto praticado por quem, contra quem, sobre qual tema, e com qual objetivo? Aliás, para merecer tamanha reação apriorística, deve ser um impropério astronômico... Pois, se assim não for, por que deveríamos gastar tempo e energia com tal coisinha? Portanto, eu te pergunto: qual o teu conceito de desaforo? Qual a importância que tem para tua vida o fato de existir um desgraçado qualquer que te xinga ou "desrespeita"? Quanta verdade pode haver numa sentença pronunciada por boca irracional? Quanta relevância tem, para você, uma determinada coisa, ao ponto de causar alterações no teu metabolismo, desviando muitas funções realmente vitais, só para produzir uma carga enorme de hormônios e soluços? Meu conselho: leve alguns "desaforos" pra casa... Ou não mais considere desaforo aquilo que um ignorante qualquer diz a teu respeito.
3.5.12
amar
Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer — afetuosamente — o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.
bem aventurados os felizes
Bem-aventurados os felizes, porque deles é o Reino de Deus.
Jesus esqueceu de dizer isso lá no Sermão da Montanha.
Jesus esqueceu de dizer isso lá no Sermão da Montanha.
spagheti alla jesus
Jesus não era vegetariano, pois adorava tagliatelle a Bologna. Mas, em noites mais amorosas, preferia spagheti al sugo. Está lá no Evangelho de Paritosh Keval. Como todo mestre zen, Jesus também cozinhava. Jesus também era humano... Depois do amor a dois, Madalena ainda rolando satisfeita nos tapetes da sala, Jesus ia pra cozinha, preparar um macarrão. Barilla. Pomodori pelati. Parmesão recém ralado. Vinho do bom. Se não tivesse, ele pegava do pote. E assim a noite continuava — cada vez mais iluminada. Cada vez mais amorosa e brilhante. Divina.
2.5.12
atomo
Entender o átomo está me parecendo mais difícil do que entender a Galáxia. Desde janeiro estou estudando seriamente esse assunto. Mas o átomo parece ser muito grande para entrar na minha cabeça. O átomo talvez contenha Deus naquele espaço enorme que existe entre o núcleo e os elétrons. Quero descobrir onde fica o espírito santo do átomo. E passo noites inteiras lendo, pesquisando e rabiscando os pontos que suponho mais importantes. Acabo me lembrando até do meu professor de Química no colegial, o bonachão Pedro Pinto — que também era poeta. Mas vejo que minha ignorância nas coisas do átomo ainda é enorme. Talvez maior até que a própria Via Láctea... Como eu disse nessa folha cuja imagem publico hoje (click nela), se eu não entender nem mesmo o átomo, vou entender o quê?
felicidade
Agora que já resolvi a questão da felicidade — verei o que mais Deus me reservou.
Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito e liberdade total. Muita alegria, muito bom humor e gostosura transbordante, além de amores incontáveis. Ausência de pressa, de ciúmes e ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. Basicamente isso. Estou escrevendo algo mais a respeito, que depois publicarei aqui mesmo e no livro Teoria do Acaso.
Para os filósofos cínicos, a felicidade não é algo passageiro: uma vez alcançada, nunca mais a perdemos. A princípio, parece um absurdo, mas é uma teoria bastante sustentável. Digo isso, e concordo plenamente, porque aconteceu comigo! Sou a prova viva de que isso é possível. Meu conceito de felicidade — já por mim alcançada — é ser bem-aventurado. É ter um corpo saudável, completo domínio dos estados de espírito e liberdade total. Muita alegria, muito bom humor e gostosura transbordante, além de amores incontáveis. Ausência de pressa, de ciúmes e ódio, ausência de medo, inveja e vergonha. Basicamente isso. Estou escrevendo algo mais a respeito, que depois publicarei aqui mesmo e no livro Teoria do Acaso.
pintinho e raposa
Certa vez eu escrevi um conto infantil cujo título era O Galinho Co-co-ri-cor e a Raposa Furta-Cor. Era a história de um pintinho gago, colorido e caipira, e uma raposa, boazinha, que só lhe furtava as cores — mas não suas penas, nem suas dores. Apesar das diferenças, os dois se amavam muito, deliciosamente. O pintinho sonhava em ser galo, e a raposa, franguinha. Não foi publicado ainda, e não sei onde está. Mas é uma criativa e delicada parábola dos amores improváveis e dos planos impossíveis.
1.5.12
trazer a filosofia
Eu não quero levar as pessoas à Filosofia, mas sim trazer a filosofia às pessoas. Eu sou só um hierofante pequenino, um abridor de gaiolas, um menino magrinho de seis anos que brinca com Jesus lá no fundo do quintal da minha Vó. Eu não quero nada complicado. Eu não quero que o ciumento seja livre, eu não quero que o crente vire ateu, eu não quero que o gordinho emagreça, eu não quero que o depressivo abandone as suas drogas, eu não quero que o pinguço se endireite, eu não quero que o safado vire um santo... Eu não quero converter absolutamente ninguém a coisa alguma. Eu só quero que eles pensem. E também quero lhes dar um buquê, um amoroso buquê de flores e estrelas — todos os dias...
video eu quero
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Gravação feita por mim. Detalhes no primeiro comentário.
Não basta ver a flor e seu perfume. Temos que ver-lhe o seu espírito.
Toda ciência seria supérflua se a aparência e a essência das coisas se confundissem. - Karl Marx.
30.4.12
susto
Faz tanto tempo que eu não levo um susto.
Acho que já nem sei mais como se leva um susto.
Não tenho inimigos, mas inamigos — alguns.
Acho que já nem sei mais como se leva um susto.
Não tenho inimigos, mas inamigos — alguns.
andre e a promessa
André era um menino de sete anos que eu conheci certa vez num sítio em Pedra Branca, SP. Ele tartamudeava e era extremamente tímido, talvez por isso mesmo. Filho único de um casal de caipiras, quase mudos, muito pobres. André queria falar. Quando lhe perguntávamos alguma coisa ele tentava responder, mas só saíam palavras trêmulas, ininteligíveis. O que ele saiba bem era reproduzir o som das galinhas, do porco, do cavalo e dos passarinhos. Ele imitava bem os animais e as aves. O jacu, o bem-te-vi, a sabiá... Então, olhando nos olhos dele — como se olhasse nos olhos do seu irmão — eu lhe prometi, numa tarde de domingo em Pedra Branca, eu lhe prometi que lhe daria um rádio. Para que pudesse ouvir vozes humanas e aprendesse também a reproduzi-las. Um rádio de pilhas, porque lá no ranchinho deles não tinha luz elétrica. Mas até hoje eu não voltei a Pedra Branca. Tenho que cumprir logo essa promessa. Deus não esquece nunca das promessas que a gente faz.
E você, tem promessas em aberto — ainda não cumpridas?
E você, tem promessas em aberto — ainda não cumpridas?
29.4.12
ave do paraiso
A ave do paraíso em que agora me transformo tem duas asas: a primeira delas é o amor desgovernado; a segunda é a liberdade absoluta. E se eu não bater ambas as duas — simultaneamente — eu caio.
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